PF cancela passaportes de Flávio Bolsonaro após descumprimento de ordem

Senador não entrega passaportes e paradeiro é desconhecido; colunista diz que aliados foram avisados de fuga
O presidente da Argentina, Javier Milei, participa da convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo (SP), em 25 de julho de 2026. O evento reuniu dirigentes partidários, parlamentares, apoiadores e autoridades públicas para oficializar o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026. (Foto: Allison Sales/NurPhoto via AFP)

A Polícia Federal (PF) cancelou, ao meio-dia desta terça-feira (27), os passaportes comum e diplomático do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no sistema da corporação. A medida foi tomada após o senador não entregar os documentos no prazo de 24 horas determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que se encerrou às 11h.

A PF vai oficiar o gabinete de Moraes informando o descumprimento da decisão judicial e os cancelamentos. Em paralelo, a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, revelou que aliados do núcleo mais próximo da família Bolsonaro receberam a informação, nesta terça, de que Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil rumo à Argentina e, de lá, pretendia seguir para os Estados Unidos.

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Paradeiro de Flávio Bolsonaro é desconhecido após site relatar fuga do país

O paradeiro de Flávio Bolsonaro segue desconhecido na manhã desta terça-feira (27). A residência do senador, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, estava com as janelas fechadas e ninguém atendeu ao interfone. Mais cedo, três comboios deixaram o condomínio onde ele mora.

A situação foi desencadeada após o site argentino Infobae publicar, na madrugada, que Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil em direção à Argentina, de onde seguiria para os Estados Unidos em um jatinho particular. A PF realiza rastreamento nos pontos de fronteira e checagem de voos entre os dois países, mas, até o momento, não há registro oficial de que o senador tenha passado por nenhum posto regular de migração brasileiro.

Mônica Bergamo: aliados são avisados que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil

Segundo a colunista Mônica Bergamo, aliados do núcleo mais próximo da família Bolsonaro foram informados nesta terça-feira (27) de que Flávio Bolsonaro deixou o país com destino à Argentina e pretendia, de lá, viajar para os Estados Unidos. A informação contrasta com a versão inicial apresentada por aliados.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, negou a informação em um primeiro momento, afirmando que o correligionário “não saiu” do Brasil. O governo argentino também afirmou que não há registro da entrada do senador em território argentino. A saída do país, portanto, se ocorreu, foi clandestina, segundo a apuração da colunista.

Milei e Flávio Bolsonaro são aliados

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Extrema direita se uniu para interferir nas eleições brasileiras. Foto: Beto Barata/PL

Governo da Argentina nega presença de Flávio Bolsonaro no país

Em nota oficial divulgada no fim da manhã desta terça-feira (27), a Casa Rosada, sede do Poder Executivo argentino, negou que Flávio Bolsonaro tenha entrado no país. O governo de Javier Milei informou que “a Direção Nacional de Migrações não registra nenhuma entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina”.

A nota esclarece ainda que, devido à repercussão sobre a presença de um avião privado no Aeroporto Internacional de Iguaçu, as autoridades iniciaram os controles da aeronave e da tripulação e constataram que “a documentação da empresa está em ordem e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro”. O jato LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly S.A., pousou em Puerto Iguazú na madrugada desta terça e permanecia em solo argentino aguardando autorização para decolar no momento da nota.

Casa Rosada não vai se pronunciar sobre vitória de Lula, diz porta-voz

O porta-voz da Presidência da Argentina, Adrián Ravier, afirmou nesta terça-feira (27) que o governo de Javier Milei não emitirá nenhum comunicado oficial reconhecendo a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais brasileiras do último domingo (25).

“Tomamos nota do resultado eleitoral do Brasil”, declarou Ravier, utilizando um termo diplomático que indica apenas que a Casa Rosada tem conhecimento da reeleição do presidente brasileiro. O porta-voz justificou a decisão alegando que, em 2023, quando Milei foi eleito, Lula não o cumprimentou pessoalmente.

Durante a campanha brasileira, Milei apoiou abertamente a candidatura de Flávio Bolsonaro e fez ataques a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, o que levou o Itamaraty a rebaixar o nível da relação diplomática entre os dois países.

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Um homem em situação de rua dorme na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada (sede da presidência), em Buenos Aires, em 25 de setembro de 2024. A inadimplência das famílias na Argentina triplicou em doze meses e atingiu, em 2026, o nível mais alto em 20 anos durante o governo de Javier Milei. O principal problema é a estagnação da renda e a disparada do custo de vida — especialmente devido às contas de serviços públicos —, que superaram amplamente a inflação desde que o presidente ultraliberal assumiu o poder, em dezembro de 2023. (Foto de LUIS ROBAYO / AFP)

Entenda o caso: da intimação ao cancelamento dos passaportes

A ordem para o cancelamento dos passaportes de Flávio Bolsonaro foi expedida depois do final do prazo dado pela PF

O prazo de 24 horas dado pela Polícia Federal para que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes comum e diplomático se encerrou às 11h de terça (27).

A determinação foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na última segunda-feira (26), após o senador ser intimado ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

A decisão também impôs a Flávio Bolsonaro a proibição de deixar o território brasileiro e determinou a entrega, em 24 horas, de documentos de viagem de outras nacionalidades que ele porventura possuísse. O prazo terminou sem que os documentos fossem apresentados, o que levou a PF a efetivar o cancelamento no sistema e a comunicar o descumprimento a Moraes.

A investigação que motivou a medida apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador. A decisão de Moraes também levou em conta uma declaração do irmão de Flávio Bolsonaro, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que disse, em entrevista, ser favorável à saída do senador do país caso ele perdesse a eleição presidencial — o que ocorreu no domingo (25).

Site argentino divulga notícias sobre viagem de Flávio Bolsonaro, aliado nega

A informação sobre uma possível saída de Flávio Bolsonaro do país ganhou força após o site argentino Infobae publicar que o senador teria cruzado a fronteira para a província de Misiones, na Argentina, usando o documento nacional de identidade (RG), e de lá seguiria para os Estados Unidos em um jato particular Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly.

Segundo a reportagem, o voo teria partido de Puerto Iguazú por volta das 2h da manhã. A notícia, porém, foi negada por aliados do senador. O também senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, foi direto ao ser questionado: “Não saiu”. Fábio Wajngarten, outro aliado, também classificou a informação como falsa.

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Imagem divulgada pelo site infobae

PF não encontra registros de entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina

Até o momento, a Polícia Federal não localizou qualquer registro oficial que comprove a entrada de Flávio Bolsonaro ou de seus familiares na Argentina. A corporação confirmou que o senador não passou por nenhum posto de migração brasileiro e aguarda uma resposta das autoridades argentinas para verificar se houve ingresso pelo país vizinho.

A empresa Baires Fly, citada na reportagem do site argentino, teria solicitado procedimentos aduaneiros e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes, mas não há confirmação de que o senador estivesse entre os ocupantes da aeronave.

As suspeitas e investigações sobre Flávio Bolsonaro

  • Flávio Bolsonaro fez transações financeiras incompatíveis com a renda, diz Coaf:  R$ 1,3 milhão movimentados entre janeiro e março de 2024, volume 7,19 vezes superior à renda declarada. Repasse de R$ 520 mil de escritório de advocacia quitou antecipadamente mansão de R$ 5,97 milhões.

  • Amigo de Flávio Bolsonaro teve sigilo quebrado e bens bloqueados: o advogado Willer Tomaz, apontado como sócio e amigo do candidato, teve até R$ 6 bilhões bloqueados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, além de sigilos bancário, fiscal e cambial quebrados.

  • Flávio Bolsonaro fez festa com prostitutas em meio à pandemia como presente de lobistas: em julho de 2020, no Lago Paranoá, em Brasília, o então senador participou de churrasco em lancha com lobistas da Precisa Medicamentos, garotas de programa e recebeu um Rolex ao fim do encontro.

  • Flávio Bolsonaro defendeu assassino de criança de 5 anos: como advogado, atuou na defesa do cabo Bruno Delaroli, acusado de matar Ana Clara com tiros de fuzil em 2021, e entrou com recursos que anularam o júri popular.

  • Flávio Bolsonaro é 2 vezes investigado no STF: a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo sua relação com Willer Tomaz e transações com plataformas de “bets” e também com o caso Dark Horse
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Composição de imagens de Flávio Bolsonaro e reprodução de conversa com Vorcaro, do Banco Master divulgadas pelo The Intecept Brasil. Imagens: Foto de Flávio Bolsonaro por Maura Martins/TV Brasil

  • Flávio Bolsonaro ajudou milicianos: o candidato condecorou e destinou emenda a pessoas ligadas ao “Escritório do Crime”, incluindo um condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco.

Flávio Bolsonaro fez transações financeiras incompatíveis com a renda, diz Coaf

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram que o candidato suspeito Flávio Bolsonaro realizou movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada. 

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