O senador Flávio Bolsonaro (PL) entrou nos Estados Unidos nesta quarta-feira (28) utilizando um passaporte diplomático brasileiro que havia sido cancelado pela Polícia Federal (PF) no dia anterior. A informação se baseia em registros públicos da agência americana de proteção de fronteiras, a U.S. Customs and Border Protection (CBP).
O número do documento registrado pelas autoridades americanas corresponde ao passaporte diplomático atribuído ao senador na lista oficial de controle do Senado Federal. O documento havia sido emitido em fevereiro de 2023 e tinha validade prevista até julho de 2027, mas foi cancelado após uma determinação judicial.
STF havia determinado entrega dos documentos
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Flávio entregasse seus passaportes às autoridades no prazo estabelecido pela decisão. O senador não apresentou os documentos até as 11h de terça-feira (27), quando o prazo terminou.
Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do parlamentar. A decisão judicial também determinava que ele não deixasse o Brasil.
A medida foi adotada no contexto de investigações que envolvem o senador, entre elas um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. A PF também informou que não havia registro formal da saída de Flávio do território brasileiro quando anunciou o cancelamento dos documentos.
Viagem passou por Argentina e Equador
Antes de chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro viajou com a família para a Argentina e, depois, para o Equador. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o senador utilizou um passaporte italiano para entrar em território argentino, pela cidade de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio, a mulher e as duas filhas cruzaram a fronteira na noite de terça-feira. Por volta das 23h30, o grupo embarcou em um voo particular operado pela empresa Baires Fly, com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
De lá, a família seguiu para Miami, na Flórida, onde o senador entrou utilizando o passaporte diplomático brasileiro, conforme os registros migratórios.
O uso do documento cancelado levanta questionamentos sobre os procedimentos de controle migratório e sobre as circunstâncias em que o senador conseguiu ingressar nos Estados Unidos. As informações divulgadas até o momento não esclarecem como o documento foi aceito pelas autoridades americanas após a decisão brasileira.
A saída de Flávio ocorreu em meio à investigação sobre o cumprimento da ordem judicial e à ausência de registro formal de sua saída do Brasil. A Polícia Federal comunicou o caso ao STF após o senador não entregar os documentos no prazo determinado.