Governo acusa Flávio Bolsonaro de usar tarifaço dos EUA com “claro objetivo eleitoreiro”

Em nota oficial, Planalto afirma que senador foi o único brasileiro inscrito na audiência do governo dos EUA a não se posicionar contra as tarifas e classifica sua atuação como "traição à Pátria"
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"Senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil", disse a nota. Foto: Divulgação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com dureza à participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública promovida nesta terça-feira (7) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação que pode resultar na imposição de um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Saiba mais na TVT News.

Em nota oficial divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), o Planalto acusou o parlamentar de atuar com “claro objetivo eleitoreiro”, de legitimar as alegações do governo norte-americano contra o Brasil e de colocar interesses políticos acima dos interesses nacionais.

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Segundo o governo, Flávio Bolsonaro foi o único representante brasileiro inscrito na audiência que não se posicionou contra o tarifaço. Em vez disso, defendeu apenas o adiamento da medida para depois das eleições brasileiras, sob o argumento de que a taxação poderia beneficiar politicamente o presidente Lula.

A Secom destacou que, dos 78 participantes inscritos para se manifestar nas audiências do USTR, 63 são contrários às tarifas e apenas 15 favoráveis. Entre os 34 brasileiros inscritos, “só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”.

Para o Palácio do Planalto, a postura do senador rompeu com a posição adotada por entidades empresariais brasileiras e até por empresas norte-americanas que defendem a retirada das tarifas por considerarem que elas prejudicam tanto a economia brasileira quanto a dos próprios Estados Unidos.

Governo acusa senador de legitimar investigação dos EUA

Na nota oficial, o governo afirma que Flávio Bolsonaro deixou de contestar os fundamentos da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos e, ao contrário, reforçou sua legitimidade.

“Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”, afirma o documento.

A manifestação também sustenta que o parlamentar não rebateu as acusações de que a mobilização internacional promovida por integrantes da família Bolsonaro contribuiu para a abertura da investigação comercial.

“O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro”, acrescenta a Secom.

Durante sua participação na audiência em Washington, Flávio Bolsonaro também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), atacou políticas do governo Lula e defendeu mudanças em normas brasileiras relacionadas às plataformas digitais.

Segundo a resposta oficial do governo, o senador “defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital”. Para a Secom, essa posição “só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes”.

Caso Master e Pix entram na resposta do Planalto

A nota também rebateu referências feitas por Flávio Bolsonaro ao caso Master durante sua fala nos Estados Unidos.

De acordo com o governo, o senador omitiu fatos relacionados ao próprio envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro. O documento afirma que Flávio “esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”.

A Secom acrescenta que os descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mencionados pelo parlamentar em sua manifestação, tiveram origem no governo Jair Bolsonaro e foram desarticulados apenas na atual gestão, com atuação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.

Outro ponto abordado pelo governo foi o Pix, um dos temas incluídos pelo USTR entre os argumentos utilizados para justificar a investigação comercial contra o Brasil.

Segundo a nota, “ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o PIX. Mesmo assim, propõe subordinar o PIX aos interesses norte-americanos”.

Governo diz que negocia para derrubar tarifas

Enquanto Flávio Bolsonaro discursava na audiência pública em Washington, representantes do governo brasileiro participavam de uma nova rodada de negociações técnicas com autoridades norte-americanas para tentar impedir a adoção das tarifas.

“O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil”, afirma a nota. O documento acrescenta que, por meio de “reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível”, o Brasil vem demonstrando que as medidas propostas pelo USTR “não têm fundamento”.

A Secom informa ainda que, na mesma manhã da audiência, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto mantinham uma reunião com técnicos do USTR para tentar reverter o tarifaço. Segundo o governo, enquanto a equipe brasileira buscava uma solução diplomática, o senador “tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos”.

A nota termina com o trecho mais contundente da manifestação oficial, ao afirmar que a oposição política não pode se sobrepor aos interesses nacionais.

“Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, conclui a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

A audiência promovida pelo USTR integra a etapa final da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. A decisão sobre a imposição das novas tarifas contra produtos brasileiros está prevista para 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro mantém as negociações diplomáticas para tentar impedir ou reduzir as sanções comerciais propostas pelos Estados Unidos.

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