Professores do ensino superior particular de São Paulo decidem se entram em greve na assembleia que será realizada na quinta, dia 14. Leia sobre a greve dos professores do ensino superior com a TVT News.
Greve é pauta da assembleia de professores do ensino superior privado na próxima quinta-feira, 14 de maio
A campanha salarial de 2026 para professores do ensino superior da rede privada de São Paulo chegou a um impasse depois de três meses de intensas negociações entre a Federação dos Professores de São Paulo (Fepesp), que representa 25 sindicatos, e o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Professores da capital e do interior já estão em estado de greve desde 23 de abril.
Na mesa de negociação entre as representações dos trabalhadores e das Instituições de Ensino Superior, na última quarta-feira, 6 de maio, os mantenedores, notadamente os grandes grupos mercantis, insultam professores e professoras, propondo reajuste zero e a destruição da Convenção Coletiva de Trabalho.
“Por isso, na assembleia convocada para a próxima quinta-feira, 14 de maio, às 15h, professores e trabalhadores não docentes se reúnem em nível estadual para discutir as formas de rechaçar essa ameaça e, sobretudo, deliberar greve, forma legítima e legal para passar o recado de que direitos conquistados não são negociáveis”, afirma em nota a Fepesp.
O que pedem os professores
Os professores pedem reposição da inflação e aumento real de salários (5,17%), aumento de 10% no valor da hora-atividade, pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 18%, reajuste no Vale-Refeição e Alimentação, além da manutenção integral dos direitos já conquistados pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A data-base da categoria é março.
Como contraproposta apresentada na mesa de negociações, o Semesp oferece reajuste salarial sem aumento real e pago de forma escalonada (2,45% em junho e mais 1% em outubro), PLR de 14,5. E se nega a negociar direitos conquistados há anos como bolsas de estudo para professores e dependentes, plano de saúde, garantia semestral de salários, estabilidade pré-aposentadoria e homologação da rescisão de contrato trabalhista no sindicato.
O que os professores de ensino superior não abrem mão
Entre as reivindicações que o Semesp também não aceita negociar estão
- o estabelecimento de piso salarial do professor;
- a inclusão na CCT a prevenção às doenças mentais e ao assédio, de acordo com a atualização das Normas Regulamentadoras (NRs) que entram em vigência a partir de 26 de maio;
- garantia à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPAA) de condições plenas de funcionamento;
- implementação de núcleos de inclusão, com equipe multidisciplinar para apoiar discentes e professores em práticas pedagógicas inclusivas;
- pagar adicional pela elaboração de atividade avaliativa substitutiva ou adaptada e orientação de trabalho acadêmico;
- regras claras para o uso de ferramentas de Inteligência Artificial no ambiente acadêmico;
- reconhecimento de que mediador pedagógico é professor, segundo novo marco regulatório da Educação à Distância (EAD).
Entenda: MEC lança orientações sobre IA na educação
O Ministério da Educação (MEC) lançou, na última quarta-feira (8), um conjunto de orientações oficiais para o uso de inteligência artificial (IA) na educação básica brasileira. O documento, intitulado “Inteligência Artificial na Educação Básica”, determina diretrizes pedagógicas e éticas para a adoção da tecnologia em sala de aula, com foco na proteção dos estudantes e no protagonismo dos professores.

A iniciativa ocorre em paralelo à votação, nesta segunda-feira (13), do primeiro marco regulatório sobre IA na educação pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). A proposta cria regras que devem ser seguidas por instituições de ensino em todo o país, trazendo um novo modelo de governança digital no setor educacional.
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A proposta em discussão no CNE reforça que a inteligência artificial deve atuar apenas como ferramenta de apoio, sem substituir o papel do docente. O texto institui o chamado “filtro ético-pedagógico”, que exige revisão humana obrigatória de qualquer conteúdo gerado por IA e garante a centralidade do professor no processo de ensino.

