Durante o ato em homenagem ao Dia do Trabalhador, realizado no ABC paulista nesta sexta-feira (1º), o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou as prioridades da agenda econômica e legislativa voltada à classe trabalhadora. Leia em TVT News.
“Toda vez que o presidente Lula governa esse país costuma ser o dia da celebração, mas também o dia da consciência do trabalhador e da trabalhadora do que falta fazer”, disse Haddad.
Haddad chegou ao palco logo após a saída de Marquinhos Sensação. Ao lado de Moisés, presidente do Sindicato dos Metlúrgicos do ABC, ele destacou a necessidade de mobilização popular para garantir avanços no Congresso Nacional, com foco na alteração das escalas de trabalho e na justiça tributária para quem recebe PLR.
Pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho
Uma das principais metas estabelecidas por Haddad para o ano de 2026 é a aprovação da revisão da escala 6×1. O ministro alertou que o projeto já se encontra em tramitação no Congresso Nacional, mas que sua celeridade depende diretamente da pressão exercida pelos movimentos sociais e sindicais.
De acordo com o ex-ministro, o calendário eleitoral deste ano deve servir como um impulsionador para o diálogo com parlamentares.

“A batalha do ano é fazer o Congresso aprovar antes das eleições a revisão da jornada 6×1; já está no Congresso e, se não tiver mobilização da classe trabalhadora, isso vai sendo adiado”, explicou Haddad.
A proposta defendida pelo governo e pelas centrais sindicais visa estabelecer, por meio de emenda constitucional, o limite de 40 horas semanais de trabalho. O ponto central da medida é que essa transição ocorra sem prejuízo aos rendimentos mensais dos empregados. Conforme destacou o ministro:
“A gente precisa aproveitar o ânimo para falar com os senadores e senadoras sobre a emenda constitucional que estabelece a jornada de 40 horas sem redução do salário, porque com redução do salário é fácil”.
Isenção de Imposto de Renda sobre a Participação nos Lucros (PLR)
Outro item relevante na pauta econômica apresentada por Haddad refere-se à tributação sobre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O ministro informou que o governo federal já iniciou tratativas com as entidades sindicais para formatar as propostas de um futuro plano de governo, sendo a isenção de impostos sobre a PLR uma reivindicação unânime das centrais.
O argumento central para essa mudança é evitar que o benefício recebido pelo trabalhador seja corroído pela carga tributária atual. Haddad ressaltou que a participação nos lucros é um preceito garantido juridicamente desde a rediscussão democrática do país.
“É um direito sagrado do trabalhador e é uma previsão constitucional; está na Constituição desde 1988”, relembrou.
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Recuperação do poder de compra e política salarial
O ministro também utilizou o espaço para listar ações executadas desde o início do atual mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os marcos destacados, estão a retomada da política de valorização real do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
Segundo os dados apresentados por Haddad, a base de isenção, que anteriormente era de R$ 1.903, foi reajustada progressivamente e agora atinge o patamar de R$ 5.000. Para o ministro, esses passos indicam a direção que o governo pretende seguir nas negociações com o setor produtivo e o parlamento.
Ao encerrar sua participação, Haddad reforçou que o significado do 1º de Maio ultrapassa o aspecto cultural, servindo como um marco para a organização das tarefas futuras da classe trabalhadora.

