O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, participou nesta quarta-feira (12) da sabatina “Hora do Voto”, promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP). Durante o encontro, realizado na sede da entidade, o petista apresentou propostas para a segurança pública, defendeu maior integração entre as forças policiais e criticou declarações feitas por integrantes do campo político de seu principal adversário na disputa, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Saiba mais na TVT News.
A segurança pública foi um dos principais temas abordados por Haddad. O candidato afirmou que pretende ampliar o uso de tecnologia no combate à criminalidade, com integração de bases de dados, modernização do atendimento às ocorrências e ferramentas capazes de auxiliar tanto as investigações quanto o planejamento do policiamento.
Entre as propostas apresentadas está a possibilidade de registrar boletins de ocorrência por aplicativos de mensagens, com validação digital. Haddad afirmou que ferramentas desse tipo já estão disponíveis e podem agilizar o atendimento à população.
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“Teremos o BO pelo zap. A tecnologia hoje permite que isso seja feito com validação digital imediata”, afirmou o candidato, ao defender a modernização dos serviços de segurança em São Paulo.
Tecnologia e integração contra o crime
Haddad também propôs o cruzamento de diferentes bases de dados para identificar regiões com maior incidência de crimes. A partir dessas informações, o governo poderia produzir os chamados “mapas de calor do crime”, direcionando o patrulhamento para áreas com maior concentração de ocorrências.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a utilização de dados em tempo real poderia melhorar a capacidade de resposta das forças de segurança e auxiliar na prevenção de crimes.
Outro ponto destacado durante a sabatina foi o combate à violência contra as mulheres. Haddad defendeu a criação de novos canais de comunicação para que suspeitas de violência doméstica possam ser identificadas e encaminhadas mais rapidamente às autoridades.
O petista citou como exemplo a possibilidade de cruzamento de informações hospitalares. Registros recorrentes de quedas ou lesões envolvendo a mesma mulher poderiam, segundo ele, funcionar como sinais de alerta para situações de violência doméstica.
A proposta inclui ainda uma articulação com o governo federal para estabelecer uma tecnologia unificada voltada à identificação e prevenção desses casos.
Haddad também defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com maior integração entre União, estados e municípios. O candidato mencionou a incorporação das Guardas Municipais à estratégia de segurança, em articulação com as polícias estaduais e federais, após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Candidato relata abordagem da PM
Durante o evento na OAB-SP, Haddad também relatou uma abordagem que classificou como “fora do padrão” envolvendo uma viatura da Polícia Militar na noite de terça-feira (11).
Segundo o candidato, ele chegava à sua residência, na zona sul da capital paulista, por volta das 22h30, quando uma viatura se aproximou do veículo. Haddad afirmou que os policiais projetaram luz em direção ao carro e, posteriormente, em seu rosto, mas não solicitaram documentos nem fizeram uma abordagem formal.
Inicialmente, o petista disse ter considerado que poderia se tratar de uma ronda policial comum. A situação, segundo ele, ganhou outra dimensão depois que seu motorista relatou ter sido acompanhado pela mesma viatura durante aproximadamente 40 minutos.
De acordo com o relato apresentado pelo advogado da campanha, Hélio Silveira, os policiais teriam emparelhado a viatura com o veículo, projetado luzes sobre o carro e chegado a encostar no para-choque traseiro. Em determinado momento, o motorista teria estacionado próximo a um hotel na região da avenida 23 de Maio para tentar compreender a razão do acompanhamento.
Ainda segundo o relato, quando o motorista tentou conversar com os policiais, teria ouvido a ordem para deixar o local. O funcionário também afirmou ter visto policiais portando fuzis.
Haddad classificou o episódio como desagradável e afirmou esperar que tenha ocorrido algum tipo de confusão. Ao mesmo tempo, defendeu que o caso seja apurado.
“Pode ter sido uma coincidência, uma confusão, mas tem que haver no mínimo uma apuração para saber o que aconteceu”, afirmou.
A campanha informou que pretende levar o caso ao governo estadual, à Secretaria de Segurança Pública e à Procuradoria-Geral do Estado. A intenção é esclarecer se havia alguma determinação específica relacionada à ação policial e quais foram as circunstâncias da ocorrência.
Até o momento da elaboração dos textos que servem de base para esta reportagem, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar ainda não haviam apresentado uma manifestação sobre o episódio.
Haddad critica postura de Tarcísio
A sabatina também foi marcada por críticas de Haddad à postura do governador Tarcísio de Freitas diante de declarações de integrantes da família Bolsonaro.
O petista afirmou que lideranças políticas precisam ir além de simplesmente manifestar discordância quando aliados fazem declarações que podem gerar desinformação ou estimular comportamentos considerados prejudiciais.
Haddad citou declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre a segurança das urnas eletrônicas e manifestações do deputado federal Eduardo Bolsonaro contra a obrigatoriedade da vacinação infantil.
No caso das urnas, Flávio Bolsonaro havia questionado a segurança do sistema eletrônico de votação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por sua vez, negou a informação de que a empresa Smartmatic tenha fornecido urnas para eleições brasileiras ou tido acesso ao software utilizado no sistema eleitoral do país.
Tarcísio afirmou confiar nas urnas eletrônicas. Para Haddad, entretanto, o governador deveria adotar uma postura mais firme diante de declarações feitas por integrantes de seu campo político.
“A liderança importa”, resumiu o candidato.
Haddad também mencionou as manifestações de Eduardo Bolsonaro sobre vacinação infantil. Tarcísio havia defendido a vacinação contra o sarampo e classificado o imunizante como seguro e amplamente testado. Para o petista, o governador deveria repreender de forma mais clara declarações que possam prejudicar políticas públicas de saúde.
“Você tem que chamar atenção”, afirmou Haddad.
Divergência em relação a Lula
Outro momento da sabatina envolveu uma declaração feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre advogados criminalistas. Haddad afirmou publicamente discordar da fala do presidente de que advogados criminalistas não saberiam defender inocentes e atuariam apenas em defesa de “bandidos”.
A declaração de Lula, feita em julho, provocou reação de entidades da advocacia. A OAB nacional classificou a fala como preconceituosa e destacou o papel da advocacia na defesa da Constituição, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório.
Na OAB-SP, Haddad afirmou que não concorda com a declaração e recorreu à própria experiência profissional para explicar sua posição. Ele lembrou que mantém seu registro na Ordem e que, em 2018, chegou a integrar a defesa jurídica do então ex-presidente Lula, que estava preso.
A manifestação também foi apresentada pelo candidato como exemplo da necessidade de lideranças políticas assumirem responsabilidade sobre declarações feitas por integrantes de seus próprios grupos.
Para Haddad, autoridades públicas precisam ter autonomia para criticar falas que possam estimular intolerância ou colocar pessoas em risco, independentemente de quem tenha feito a declaração.
“Não é questão de postura, é questão de autoridade, é questão de seriedade”, afirmou.
A participação de Haddad na sabatina da OAB-SP ocorreu em meio à disputa pelo governo paulista e colocou a segurança pública no centro de sua apresentação. Ao mesmo tempo em que defendeu maior integração entre União, estado e municípios e o uso de tecnologia para prevenção e investigação de crimes, o candidato utilizou o evento para cobrar explicações sobre a atuação da Polícia Militar relatada por sua equipe e para defender uma postura mais incisiva de lideranças políticas diante de declarações controversas.
Com isso, a agenda na OAB-SP combinou propostas para a segurança pública, defesa das instituições democráticas, posicionamentos sobre direitos fundamentais e críticas aos adversários na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.