Lula diz ser único candidato que defende a democracia

Em entrevista ao ICL Notícias, Lula afirmou que sua trajetória está ligada à democracia e destacou ações do governo
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Presidente Lula concede entrevista ao ICL Notícias nesta quarta (08), no Palácio do Planalto. - Foto: Reprodução/ ICL Notícias

Em entrevista na manhã desta quarta-feira (08) ao ICL Notícias, com a participação do jornalista Leandro Demori e do economista Eduardo Moreira, o presidente Lula afirmou que, entre os candidatos na disputa eleitoral deste ano, é o único que deve defender a democracia. Leia mais em TVT News.

“Defesa da democraia será a marca das eleições 2026”, diz Lula

“Eu terei muito prazer de ser entre todos os candidatos, em que a democracia está na minha origem, está na minha vida. A democracia é tão importante que fez com que um metalúrgico virasse presidente da república”, declarou.

Lula deve disputar a reeleição contra outro membro da família Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em uma corrida que tende a ser acirrada, segundo pesquisas recentes que apontam uma margem pequena de diferença entre os dois.

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Lula: Até 2003 tinham 150 e nós vamos deixar 780 instutuos federais. – Foto: Reprodução/ ICL Notícias

Questionado por Moreira sobre o fato de sua gestão atual ser mais associada à reconstrução do que a uma marca própria, Lula afirmou que seu governo tem resultados a apresentar, com destaque para a educação. “Nós vamos terminar nosso mandato com 780 institutos federais no nosso país. A gente sozinho, nosso governo do PT, fizemos mais universidades federais nesse país e isso é um legado que já começa a aparecer”, disse.

Lula defende mudanças na segurança pública em entrevista ao ICL

O presidente também abordou a segurança pública, tema considerado central para a campanha deste ano. Ele relembrou mudanças trazidas pela Constituição de 1988 na organização das polícias e afirmou que sua gestão promoveu atualizações para reforçar o combate ao crime organizado e ampliar a autonomia dos estados.

“Nós fizemos uma reforma e colocamos a segurança pública na mão do governo do estado, em que a União não tem nenhum papel (…) e aprovou agora a lei antifacção. Já sancionamos e estou querendo que aprove a PEC, porque eu estou querendo criar um Ministério da Segurança Pública, porque ainda vamos ter que definir qual o papel da União”, afirmou.

Sobre a criação da nova pasta, Lula disse que o anúncio deve ocorrer na próxima semana, após a definição da origem dos recursos. Segundo ele, a medida é necessária diante dos desafios internos e também de ameaças externas, como declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis intervenções na América Latina sob o argumento de combate ao narcotráfico. “Não dá para um país com a fronteira que tem ser desprovido de segurança (…) daqui a pouco um país resolve invadir o Brasil”, alertou.

Trump seguiu como tema da entrevista. Questionado sobre como o líder norte-americano poderia reagir ao resultado das eleições brasileiras, Lula afirmou que nenhum país tem o direito de questionar o processo eleitoral no Brasil. “Eu, pelo que tenho visto do Trump esses anos, nada com ele é impossível. Não tem nenhum país do mundo que tem o direito de levantar quaisquer suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro”, declarou.

O presidente também fez críticas ao modelo atual de financiamento de campanhas, afirmando que o fundo eleitoral contribuiu para uma “promiscuidade política” e dificultou a renovação de quadros:

“É como se os partidos virassem presidentes de banco.”

Segundo Lula, o alto custo das eleições reduz as chances de participação de novos candidatos e movimentos sociais.

Lula também reiterou que seu modelo de governo prioriza a inclusão social e voltou a criticar o governo Bolsonaro que, segundo ele, ignorou parcelas vulneráveis da população: “Eu quero saber governar para 215 milhões […] enxergando os invisíveis.” completou.

Ao fazer um paralelo histórico, citou o ex-presidente Getúlio Vargas como referência em políticas voltadas aos trabalhadores, afirmando que a atenção aos mais pobres sempre foi limitada no país.

O presidente Lula voltou a defender um “projeto de um novo Brasil” baseado em crescimento econômico com inclusão social, fortalecimento da indústria nacional e maior protagonismo do Estado em áreas estratégicas. Em declarações recentes, Lula também abordou temas como relações internacionais, democracia, financiamento eleitoral, segurança pública e o impacto das apostas online no endividamento da população.

Ao destacar indicadores econômicos, Lula afirmou que setores como o farmacêutico e o automobilístico têm apresentado crescimento relevante desde 2023. Segundo ele, o aumento do crédito impulsiona o consumo, gerando um ciclo de expansão econômica:

“Na medida que o povo tem mais crédito, o povo vai comprando; […] o mercado cresce, gera emprego, renda e mais comércio.”

O presidente citou ainda o avanço nas vendas de veículos e atribuiu parte das mudanças no setor à entrada de empresas estrangeiras, especialmente chinesas. Para ele, o desafio é combinar parcerias internacionais com proteção de conteúdo nacional, principalmente em áreas como tecnologia e dados.

Lula atribuiu à equipe econômica, liderada pelo ministro Fernando Haddad, a reorganização das contas públicas e a redução da inflação acumulada. Ele reconheceu, porém, que ainda há desafios em renda e massa salarial.

Soberania e defesa dos recursos naturais

Lula criticou o histórico de exploração de recursos naturais da América Latina por países ricos. Ao mencionar ouro, prata e outros bens, questionou os ganhos concretos para a região ao longo dos séculos.

No mesmo sentido, alertou para riscos em projetos envolvendo infraestrutura digital, como data centers operados por empresas estrangeiras, destacando o alto consumo de água e energia. “Precisamos cuidar da nossa água como uma coisa sagrada”, afirmou.

Orçamento e governabilidade

O presidente voltou a criticar o chamado “orçamento secreto”, defendendo maior controle do Executivo sobre os recursos federais:

“Sequestraram o meu orçamento.”

Para ele, mudanças nesse modelo dependem da correlação de forças no Congresso.

Endividamento e apostas online

Outro ponto de preocupação destacado por Lula é o endividamento das famílias brasileiras. Além da baixa renda, ele apontou o crescimento das apostas online como fator agravante:

“Hoje o cassino está dentro da sua casa […] gastando dinheiro desnecessário e enriquecendo as bets.”

O presidente defendeu a possibilidade de proibição ou regulação mais rígida do setor, tratando o tema como uma questão de saúde pública.

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