Kássio Nunes derruba Exército do Lula a pedido de Flávio Bolsonaro

Ministro do TSE determina suspensão do canal Exército do Lula, administrado por André Janones
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Canal Exército de Lula no dia 7 de outubro, às 18h

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou neste domingo (11) a suspensão do canal Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), no WhatsApp. A decisão atende a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Entenda com a TVT News.

O canal Exército do Lula reúne mais de 3 milhões de seguidores e a determinação de Kassio Nunes medida impede novas publicações e a entrada de novos seguidores na plataforma.

Exército do Lula sob censura

  • O que aconteceu com o canal Exército do Lula: Kassio Nunes Marques determinou que o WhatsApp suspenda o canal administrado por André Janones.
  • Por que Kassio Nunes atendeu ao pedido de Flávio Bolsonaro: o candidato alegou que o canal divulgava informações contra ele e sua campanha.
  • O que respondeu André Janones: o deputado reagiu à decisão, classificou a medida como censura e convocou apoiadores a continuar mobilizados e ir para outros canais no Instagram e no Telegram.
  • O que é o canal Exército do Lula: um espaço de mobilização política no WhatsApp, com mais de 3 milhões de seguidores, usado para divulgar conteúdos favoráveis ao presidente Lula e à sua campanha.

O que aconteceu com o canal Exército do Lula

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), na plataforma WhatsApp.

A decisão foi tomada após pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que acusou o espaço de promover disseminação coordenada de informações.

A ordem estabelece prazo de três horas, a partir da notificação, para que o WhatsApp interrompa o funcionamento do canal. A restrição impede a publicação de novas mensagens e o ingresso de seguidores até a homologação do resultado do segundo turno da eleição presidencial de 2026.

Na avaliação de Nunes Marques, o canal funcionava como uma estrutura centralizada de distribuição de conteúdos políticos. O magistrado entendeu que a circulação coordenada dessas mensagens justificava uma intervenção diretamente sobre o espaço utilizado para divulgá-las.

A decisão, no entanto, foi delimitada ao canal do WhatsApp e não determina o bloqueio dos perfis pessoais de Janones em outras funcionalidades da plataforma. O TSE também determinou que o WhatsApp apresente, no prazo de 48 horas, informações sobre as providências adotadas para cumprir a ordem judicial e identifique a existência de outros canais vinculados ao deputado. A plataforma terá de guardar registros, mensagens e metadados do canal pelo período de um ano.

A medida de Nunes Marques contrariou o procedimento do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor do TSE, que havia dado um prazo de cinco dias para que o deputado André Janones e o presidente Lula se manifestassem sobre outra ação movida por Flávio Bolsonaro contra o canal.

O ministro Cueva também determinou que a campanha de Flávio apresentasse informações ao TSE e apontasse as supostas irregularidades de cada conteúdo questionado.

O que André Janones respondeu

Após a divulgação da decisão, o deputado André Janones reagiu e classificou a suspensão como censura. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a medida representa o início de um processo de censura e criticou a proibição de criar um novo canal.

“Eles conseguiram. O canal Exército do Lula sairá do ar em uma hora. Temos que denunciar, que não é que se o Flávio Bolsonaro for eleito que a censura será instalada. Ela já começou. A censura já começou. Eles me proibiram inclusive de criar outro canal, sem nenhuma argumentação”, declarou Janones.

Em transmissão ao vivo no Instagram, o deputado também negou as acusações feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro. “Eu não estou dizendo que eu não divulguei nenhuma notícia falsa. Eu estou dizendo que eu não divulguei nenhuma notícia. Porque o canal não começou ainda”, afirmou. Janones ainda alegou que a ação de Flávio não tem mérito e parte do desconforto com a própria mobilização.

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Lula e André Janones durante campanha em Minas Gerais – Foto: Instagram / André Janones

“Eles [equipe de Flávio] estão com medo. Sabe por quê? Porque antes de ontem, numa live no YouTube, nós pusemos 200 mil pessoas simultaneamente”, disse.

Após a decisão, Janones passou a recomendar que os integrantes da rede acompanhassem outro canal e uma página no Instagram, como forma de contornar a suspensão.

O que é o Canal Exército do Lula

O canal Exército do Lula foi criado no WhatsApp pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) como uma ferramenta de mobilização da campanha petista para o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Batizado de “Exército de Lula”, o canal saltou de cerca de 50 mil seguidores na segunda-feira para quase dois milhões nesta terça-feira, segundo informações publicadas pelo Viomundo.

O espaço era utilizado para distribuir áudios, vídeos e orientações aos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma das primeiras ações, Janones pediu que cada integrante convidasse outras quatro pessoas para seguir o canal e compartilhasse o conteúdo em grupos de WhatsApp, além de redes sociais.

Em uma gravação divulgada no próprio canal, o deputado orientava os apoiadores sobre a distribuição de conteúdo pelas plataformas da Meta, falando sobre a importância de evitar a publicação simultânea de vídeos semelhantes, estimular colaborações entre perfis e repetir conteúdos para ampliar sua circulação. O canal também foi usado para divulgar um vídeo do pastor batista Ed René Kivitz contrário à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Janones afirmou que decidiu concentrar sua atuação na campanha presidencial e que abriu mão de uma campanha tradicional para a própria reeleição. Segundo o deputado, não fez carreatas, reuniões ou atos para pedir votos e concentrou sua atuação nas redes sociais em defesa de Lula. Em vídeo publicado após o primeiro turno, ele convocou apoiadores para atuar como “soldados” na tentativa de reeleger o presidente.

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