Kassio Nunes suspende pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro

Ministro indicado por Jair Bolsonaro atende pedido do PL e barra divulgação de levantamento que registrou recuo do senador após escândalo Dark Horse
A decisão é liminar e ainda precisará ser submetida ao plenário da Corte. Foto: Pedro França/Agência Senado

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (9) a suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel que apontou uma expressiva queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial de 2026. A decisão foi tomada após pedido apresentado pelo Partido Liberal e ocorre em meio ao desgaste provocado pelas denúncias envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Saiba mais na TVT News.

Indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro em 2020, Nunes Marques considerou haver indícios de que o levantamento teria induzido respostas negativas contra o senador ao incluir perguntas relacionadas ao escândalo do Banco Master e aos áudios divulgados pela imprensa envolvendo Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão é liminar e ainda precisará ser submetida ao plenário da Corte, mas já determina que a AtlasIntel suspenda a divulgação, o impulsionamento e a manutenção da pesquisa em seus canais oficiais até que sejam prestados esclarecimentos adicionais sobre a metodologia utilizada.

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Pesquisa teve efeito devastador para Flávio Bolsonaro

O levantamento questionado foi divulgado em 19 de maio e teve ampla repercussão política por registrar uma deterioração significativa do desempenho eleitoral do filho do ex-presidente. Em um cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio aparecia com 41,8% das intenções de voto, enquanto Lula alcançava 48,9%.

O resultado representava uma mudança importante em relação ao levantamento anterior. Em abril, ambos estavam tecnicamente empatados, com leve vantagem para o senador bolsonarista. Em menos de um mês, entretanto, Flávio perdeu cerca de seis pontos percentuais, justamente no período em que vieram a público as primeiras revelações da série Vaza Flávio, publicada pelo Intercept Brasil.

As reportagens mostraram que o senador atuou diretamente para obter recursos destinados à produção do filme Dark Horse. Em um dos áudios divulgados, Flávio aparece cobrando de Daniel Vorcaro a liberação de recursos prometidos para a obra.

A série revelou ainda que o então controlador do Banco Master havia assumido compromisso de investir até R$ 134 milhões no projeto cinematográfico. Documentos obtidos pela reportagem indicaram que parte relevante desses recursos foi efetivamente transferida para estruturas financeiras ligadas à produção.

As denúncias continuaram avançando nas semanas seguintes. Novas reportagens mostraram encontros realizados em São Paulo para tratar da produção do filme e revelaram mensagens internas que apontam o grau de prioridade dado por Vorcaro aos pagamentos relacionados ao projeto.

Em uma das conversas divulgadas pelo Intercept, o ex-banqueiro questiona seu operador financeiro sobre a situação dos repasses. Ao ser informado de que o filme não estava entre as prioridades de pagamento, Vorcaro respondeu de forma categórica: “Esse é o mais importante disparado”. Em seguida, acrescentou: “Não pode falhar mais”.

Mais recentemente, a CNN Brasil informou que Vorcaro incluiu o caso Dark Horse em uma nova proposta de colaboração premiada apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Segundo a emissora, o ex-banqueiro detalhou pedidos e cobranças feitos por Flávio Bolsonaro para a liberação dos recursos destinados à cinebiografia.

A decisão de Kassio Nunes

Foi nesse contexto que a AtlasIntel decidiu medir o impacto político das denúncias. Segundo o PL, o instituto extrapolou a função de aferir a opinião pública ao formular uma sequência de perguntas sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e as acusações envolvendo o financiamento do filme.

Ao analisar o pedido, Kassio Nunes Marques afirmou que existem “elementos minimamente consistentes” indicando possível comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa.

O ministro também citou uma entrevista concedida por representantes da AtlasIntel à CNN e destacou que outras pesquisas realizadas pelo instituto não utilizaram metodologia semelhante nem incluíram conteúdos multimídia como o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro.

A decisão, entretanto, gerou questionamentos por atingir uma pesquisa já divulgada há várias semanas e cujos resultados já haviam sido amplamente repercutidos por veículos de comunicação, analistas políticos e agentes do mercado.

A própria AtlasIntel sustenta que o áudio questionado foi apresentado apenas após o encerramento das perguntas sobre intenção de voto, rejeição e avaliação dos candidatos. Segundo o instituto, a etapa multimídia tinha finalidade exclusivamente analítica e não interferiu nos resultados eleitorais apresentados.

O episódio ocorre poucos dias depois de Kassio Nunes Marques também ter sido sorteado relator de três ações no TSE relacionadas ao caso Dark Horse. Entre elas estão um pedido para impedir a exibição do filme durante o período eleitoral e uma representação que pede investigação sobre possível abuso de poder econômico no financiamento da produção.

Dessa forma, o ministro indicado por Jair Bolsonaro passa a ocupar posição central em praticamente todas as disputas judiciais que envolvem o escândalo do Banco Master, o financiamento da cinebiografia do ex-presidente e os potenciais impactos eleitorais do caso sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro em 2026.

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