A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou nesta segunda-feira (10) um pacote com dez mudanças nas regras do futebol que passarão a ser aplicadas nas competições nacionais, entre eles o novo protocolo Vini Jr. As medidas valem para as Séries A e B do Campeonato Brasileiro, a Série A1 do Brasileirão Feminino e a Copa do Brasil. Leia em TVT News.
A maior parte das alterações começa a valer já na próxima rodada do Campeonato Brasileiro. A exceção é a regra relacionada a escanteios concedidos de maneira equivocada, que será implementada a partir de 2027.
Entre as mudanças está o chamado protocolo Vini Jr., que prevê a expulsão de jogadores que cubram a boca durante discussões com adversários. A medida foi a que gerou maior debate entre os clubes na reunião realizada na sede da CBF, no Rio de Janeiro. A votação terminou com 26 votos favoráveis e 14 contrários.
O pacote foi apresentado pela entidade dentro de uma estratégia para aumentar o tempo efetivo das partidas. De acordo com levantamento realizado pela empresa de análise de dados Opta, os jogos da Série A registram atualmente média de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando por partida. O índice fica abaixo do registrado nas cinco principais ligas europeias.
A CBF pretende elevar essa média para algo entre 57 e 58 minutos no curto prazo. A meta de longo prazo é alcançar entre 59 e 60 minutos de bola em jogo.
Goleiros terão limite para permanecer com a bola
Uma das principais alterações estabelece que o goleiro terá oito segundos para permanecer com a bola nas mãos. Caso ultrapasse o período permitido, a posse será revertida para a equipe adversária, que terá direito a um escanteio.
Também haverá limite de tempo para outras reposições. O tiro de meta deverá ser cobrado em até cinco segundos. O mesmo prazo será aplicado às cobranças de lateral. Se o jogador ultrapassar o limite, a posse passará ao adversário.
As medidas buscam reduzir as interrupções e acelerar a retomada das partidas.
Substituições e atendimentos médicos também terão limite
O jogador substituído terá dez segundos para deixar o campo. Se demorar além desse período, poderá receber cartão amarelo.
Outra mudança estabelece que atletas atendidos dentro do gramado deverão permanecer fora dele por um minuto antes de retornar à partida.
A regra ganha uma consequência específica quando o atendimento for destinado ao goleiro. Nessa situação, um jogador de linha da mesma equipe também deverá deixar o campo durante um minuto. O treinador ou o capitão será responsável por indicar qual atleta ficará temporariamente fora.
Essa medida foi apresentada como uma forma de combater a chamada “cera” e é uma das novidades do pacote que ainda não havia sido utilizada na Copa do Mundo.
Apenas o capitão poderá discutir com a arbitragem
A comunicação entre jogadores e árbitros também terá um novo protocolo. Apenas o capitão poderá se aproximar do árbitro para discutir decisões da partida.
Quando quiser iniciar essa conversa, o árbitro deverá sinalizar levantando o punho fechado acima da cabeça. O capitão poderá então se aproximar, enquanto os demais jogadores deverão permanecer a aproximadamente quatro metros de distância.
Atletas que descumprirem a orientação poderão receber cartão amarelo.
A alteração busca organizar a comunicação dentro de campo e reduzir a concentração de jogadores ao redor da arbitragem após decisões.
Protocolo Vini Jr. prevê expulsão em discussões
Entre as medidas aprovadas, a que mais provocou divergências foi o protocolo que ficou conhecido como Lei Vini Jr..
A regra estabelece que o jogador que cobrir a boca com as mãos durante uma discussão com adversário poderá receber cartão vermelho. A medida foi inspirada em uma preocupação relacionada à identificação de possíveis manifestações racistas ou outras condutas inadequadas durante confrontos entre jogadores.
O presidente do Vitória, Fábio Motta, foi um dos dirigentes que votaram contra a proposta. Segundo ele, colocar a mão sobre a boca nem sempre está relacionado a uma manifestação de racismo ou a uma conduta ofensiva.
Apesar da divisão na votação, a regra foi aprovada e passará a fazer parte das competições abrangidas pelo pacote.
VAR poderá atuar em expulsões por segundo amarelo

Outra alteração amplia a possibilidade de intervenção do árbitro de vídeo. O VAR poderá revisar situações envolvendo um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão.
A revisão, porém, não será aplicada ao primeiro cartão amarelo. A possibilidade de intervenção ficará restrita ao segundo amarelo que provoque a saída do jogador da partida.
A mudança busca permitir uma correção em situações consideradas relevantes para a continuidade do jogo, sem ampliar a revisão de todos os cartões aplicados durante as partidas.
Escanteios poderão ser revisados a partir de 2027
A décima mudança do pacote só entrará em vigor em 2027. O VAR poderá revisar um escanteio que tenha sido concedido de maneira equivocada quando a cobrança der origem a um gol ou pênalti.
A medida não será aplicada imediatamente. Segundo a CBF, essa regra começará a valer no próximo ano, quando as alterações determinadas pela IFAB, entidade responsável pelas regras do futebol, deverão ser incorporadas de forma obrigatória.
A CBF decidiu antecipar a aplicação das demais mudanças no futebol brasileiro ainda em 2026, antes da obrigatoriedade internacional.
Objetivo é aumentar o tempo de bola rolando
A preocupação com o tempo efetivo de jogo está no centro do pacote aprovado pela CBF. O levantamento da Opta, que analisou 177 partidas da Série A, apontou média de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo.
O futebol brasileiro ficou atrás das principais ligas europeias analisadas e à frente apenas do Campeonato Argentino no levantamento citado. Entre os fatores associados ao tempo reduzido estão o excesso de faltas, a demora nas cobranças, as reposições de bola e as paralisações utilizadas para retardar o andamento das partidas.
A entidade pretende que as novas regras tenham impacto direto nesse cenário. Além das alterações, os árbitros passaram por treinamentos durante a intertemporada realizada na Granja Comary, em Teresópolis, para se adaptar aos novos procedimentos.
As mudanças serão aplicadas às Séries A e B do Campeonato Brasileiro, à Série A1 do futebol feminino e à Copa do Brasil. A CBF informou que a adoção antecipada faz parte da preparação para as regras que passarão a ser obrigatórias pela IFAB em 2027.