Linha 17-Ouro da ViaMobilidade apresenta 4ª falha em menos de um mês de operação

Problemas no sistema paralisam trechos da linha 17Ouro na zona sul de São Paulo e prejudicam o deslocamento dos trabalhadores
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Linha 17-Ouro inaugurada em 31 de março – Foto: Paulo Jacob/GESP

Pelo segundo dia seguido, a recém-inaugurada Linha 17-Ouro apresenta trechos parcialmente paralisados. Foi necessário o acionamento do sistema Paese de ônibus. Leia em TVT News.

Inaugurada no último dia 31 de março pelo governador Tarcísio de Freitas, a Linha 17-Ouro do monotrilho, localizada na zona sul de São Paulo, completou menos de 30 dias de operação e já teve falha em operação em 4 dias diferentes.

Nesta terça-feira (28), o sistema voltou a apresentar problemas, forçando a interrupção parcial dos serviços e o acionamento emergencial de ônibus para suprir a demanda dos passageiros.

Quarta falha em menos de um mês trava a Linha 17-Ouro

Antes dos eventos desta semana, a Linha 17-Ouro já havia apresentado outros sinais de instabilidade. Na sexta-feira anterior, dia 24 de abril, a operação foi interrompida devido a uma interferência no sistema de sinalização. Foi a segunda falha técnica registrada em um intervalo de pouco mais de três semanas.

Com a operação limitada, a conexão com a Linha 9-Esmeralda e a Linha 5-Lilás foi mantida, mas o trajeto que leva ao Aeroporto de Congonhas ficou totalmente desassistido pelos trilhos.

Para evitar o colapso total do deslocamento na região, o sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado pelo segundo dia consecutivo. Os ônibus gratuitos passaram a circular entre as estações Morumbi e Congonhas para tentar mitigar o impacto sofrido pelos usuários.

A administração pública justifica que a falha de hoje é um reflexo direto de danos ocorridos no sistema elétrico e de comunicação da via no dia anterior.

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Linha 17-Ouro tem paralisação pela quarta vez em menos de um mês de inauguração – Arte: TVT News

Furto de cabos e paralisação na segunda-feira (27)

A crise na Linha 17-Ouro intensificou-se no início desta semana. Na segunda-feira, dia 27 de abril, o Metrô comunicou que a operação estava alterada desde as primeiras horas da manhã. O motivo apontado pela instituição foi o furto de cabos, crime que impactou diretamente a sinalização da via e impediu a movimentação segura das composições automáticas.

Segundo informações oficiais do Metrô de São Paulo, o problema foi localizado no sistema de sinalização das vias. Essa falha técnica impediu a circulação plena das composições, restringindo o movimento dos trens apenas ao trecho entre as estações Morumbi e Campo Belo.

Das 10h às 11h05 da manhã, os trens ficaram paralisados entre as estações Campo Belo e Aeroporto de Congonhas. Assim como ocorreu no dia seguinte, os passageiros foram obrigados a desembarcar e buscar os ônibus do sistema Paese.

Debates sobre a privatização do transporte

Os incidentes com a nova linha de monotrilho não se tratam de casos isolados. Outra linha da ViaMobilidade, a 9-Esmeralda, enfrentou problemas na manhã desta segunda-feira (27) após um trem descarrilar parcialmente nas proximidades da estação Berrini-Casas Bahia.

A aposta estadual na entrega de infraestruturas sob modelos de concessão e parcerias privadas têm demonstrado dificuldades em manter a regularidade e a segurança operacional para quem depende do transporte público diariamente.

Usuários relatam a piora do serviço público, com falhas técnicas frequentes, panes, superlotação e atrasos recorrentes após a privatização.

Segundo Datafolha realizado em 2022, satisfação de usuários com serviços das Linhas 8 e 9 de trens da ViaMobilidade cai à metade, atingindo os mesmos números de 1996. Mesmo com piora na operação, as linhas da ViaMobilidade ainda recebe mais do que outras linhas.

Reportagem especial de Juliana Sayuri, expôs abismo financeiro e operacional no sistema de trilhos paulista. Segundo o levantamento, a concessionária privada ViaMobilidade, responsável pelas linhas 8 e 9, recebeu R$ 1,259 bilhão em repasses do Bilhete Único no último balanço anual fechado (2022). O valor é quase oito vezes superior aos R$ 169 milhões destinados à CPTM no mesmo período.

O desequilíbrio chama a atenção ao cruzar as verbas com o volume de passageiros. Enquanto a ViaMobilidade transportou 342 milhões de pessoas, a estatal CPTM movimentou uma demanda maior, 442 milhões de passageiros, contando com uma fração reduzida do orçamento público.

Com a privatização São Paulo paga mais por serviço pior.

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