O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou das atividades deste 1º de Maio no ABC paulista, palco histórico das lutas sindicais brasileiras. Em entrevista à TVT News, o ministro analisou o atual cenário das relações de trabalho no Brasil, enfatizando a necessidade de avançar na redução da carga horária semanal e apresentando um balanço das políticas de valorização da renda e geração de postos formais de trabalho. Leia em TVT News.
Luiz Marinho destacou que a data funciona como uma referência global para a classe trabalhadora e que o ABC possui um papel simbólico fundamental na conquista da democracia e no surgimento de lideranças políticas. Para o ministro, o momento atual exige a manutenção dos direitos conquistados e o debate sobre novas garantias que acompanhem o desenvolvimento da economia.
O debate sobre a redução da carga horária e o fim da escala 6×1
Um dos pontos centrais da fala de Luiz Marinho foi o apoio à proposta de alteração nas escalas de trabalho vigentes no país. O ministro defendeu abertamente a redução da jornada de trabalho sem que haja diminuição nos vencimentos dos profissionais. Segundo o chefe da pasta do Trabalho, o foco atual deve ser o estabelecimento de um sistema que garanta duas folgas semanais, pondo fim ao modelo de seis dias de trabalho por um de descanso.

O ministro caracterizou a escala atual como severa, principalmente para o público feminino. De acordo com Luiz Marinho,
“A luta, neste momento, é de direito dos trabalhadores e trabalhadoras, em especial para a redução da carga horária de trabalho sem redução de salário, com duas folgas na semana, ou seja, enterrar a escala seis por um, porque essa é a jornada mais cruel, especialmente para as mulheres”.
Além do bem-estar social, o ministro relacionou a mudança na escala de trabalho ao desempenho econômico. Para ele, um ambiente laboral equilibrado previne doenças profissionais e acidentes, o que reflete diretamente na eficiência das empresas.
“Pensar em um ambiente de trabalho que seja positivo, que ajude os trabalhadores, que evite acidente, evite a doença profissional, que melhora a produtividade, que a economia precisa melhorar a sua produtividade”, afirmou.
Balanço do emprego e valorização do salário mínimo
Durante a entrevista, Luiz Marinho apresentou indicadores sobre o mercado de trabalho formal sob a gestão do presidente Lula. O ministro informou que, em três anos e três meses de governo, foram gerados aproximadamente 7,2 milhões de empregos. Desse total, os registros exatos apontam para 7.183.000 postos, sendo que 5.021.000 correspondem a contratações pelo regime CLT, monitoradas pelo CAGED. O restante abrange o serviço público e concursos liderados pela esfera federal e outros entes.
O ministro enfatizou que o país vive um período com taxas de desemprego historicamente baixas. Outro indicador detalhado por Luiz Marinho foi o impacto da política de valorização do salário mínimo, atualmente fixado em R$ 1.621. O ministro explicou que, embora o valor ainda seja considerado baixo por ele, a ausência de uma política de recuperação real teria mantido o piso nacional em torno de R$ 800.
“Hoje, o salário mínimo é R$ 1.621, baixo, porém, não fosse a política de valorização do salário mínimo, ele valeria a ordem de R$ 800, ou seja, a metade, um pouco mais, um pouco menos da metade, esse é o que seria se tivesse mantido a lógica que veio até chegado no presidente Lula ao governo”, explicou o ministro.
Políticas de inclusão e igualdade salarial
A agenda de Luiz Marinho também destacou os avanços em legislações voltadas à equidade. O ministro citou a lei da igualdade salarial entre homens e mulheres como um marco para o setor, além de políticas públicas transversais que visam a emancipação de diversos grupos sociais.
Para o ministro, os resultados positivos são fruto de um acúmulo de conquistas voltadas para “mulheres, povo negro, juventude, povo indígena, quilombolas”. Luiz Marinho ressaltou que esses processos de inclusão e o combate a crimes como o feminicídio fazem parte de um desenvolvimento estrutural necessário para o país.
Ao concluir sua fala no ABC, o ministro reforçou que a trajetória histórica do 1º de Maio no Brasil está conectada ao fim da ditadura militar e ao fortalecimento das instituições democráticas, servindo como espaço permanente para a organização dos trabalhadores em busca de melhores condições de vida.
