Lula irá para Encontro do G20 em Miami em dezembro

Presidente reeleito confirmou presença na cúpula marcada para dezembro nos EUA, apesar de Trump questionar resultado das eleições brasileiras
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Presidente reeleito confirmou presença na cúpula marcada para dezembro nos EUA, apesar de Trump questionar resultado das eleições brasileiras. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará da cúpula do G20, nos dias 14 e 15 de dezembro, em Miami, nos Estados Unidos. A presença foi confirmada por interlocutores do governo ao SBT News e ocorrerá em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, colocar em dúvida o resultado das eleições brasileiras de 2026. Leia em TVT News.

O encontro reunirá líderes das principais economias do mundo e poderá ser a primeira oportunidade de reunião presencial entre Lula e Trump desde a reeleição do brasileiro. A cúpula será realizada no Trump National Doral Miami, complexo de golfe pertencente ao presidente dos Estados Unidos.

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Trump chamou eleições brasileiras de “vergonha”

Na segunda-feira (26), Trump afirmou que a eleição brasileira parecia ter sido fraudada, sem apresentar evidências. O republicano também questionou a extensão do horário de votação e reproduziu críticas feitas pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula na disputa presidencial.

O presidente norte-americano ainda não reconheceu oficialmente a vitória do petista nem o parabenizou pelo resultado. Em contrapartida, autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos por razões humanitárias, um dia depois da derrota eleitoral do senador.

Após chegar ao país, Flávio publicou uma mensagem na qual se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, modificou o texto e passou a se descrever como líder do país.

Nesta quinta-feira (29), Trump afirmou que pretende conversar com Lula sobre o processo eleitoral brasileiro, mas voltou a criticar a votação, e chegou a dizer que as eleições foram uma “vergonha”. Apesar das declarações, interlocutores do governo brasileiro avaliam que o resultado expressivo nas urnas e o reconhecimento internacional da eleição dão segurança ao Planalto.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Carter Center reconheceram a integridade do processo eleitoral brasileiro. A chefe da missão do Carter Center, Jennie Lincoln, afirmou que os observadores acompanharam a conclusão da eleição e o compromisso do Brasil com a democracia.

Relação diplomática intercala atritos e momentos positivos

A participação de Lula no G20 acontece após uma série de divergências entre os dois governos. Durante a gestão Trump, o Brasil foi alvo de medidas tarifárias contra produtos nacionais e de sanções a autoridades brasileiras. As relações também foram afetadas por divergências sobre a política externa e pela atuação de integrantes do governo norte-americano em favor de aliados da família Bolsonaro.

Apesar dos conflitos, os dois presidentes mantiveram canais de diálogo. Em setembro de 2025, tiveram um encontro informal durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Na ocasião, Trump elogiou Lula e afirmou sentir que os dois tiveram “química” durante o breve encontro.

O governo brasileiro busca preservar a interlocução diplomática com Washington sem deixar de contestar as medidas que considera prejudiciais ao país.

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