O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (23) que o Brasil precisa aproveitar melhor seu potencial agrícola, especialmente na produção de frutas, ao visitar o Pomar da Ciência, na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). Durante a agenda, realizada no âmbito da feira Brasil na Mesa, Lula combinou defesa da pesquisa pública, incentivo ao consumo interno e até uma pitada de diplomacia informal ao comentar que pretende levar frutas brasileiras a líderes internacionais. Saiba mais na TVT News.
“Agora, quando eu viajar, eu vou tentar levar um pé de jabuticaba para o Xi Jinping, vou tentar levar um para o Trump para acalmar ele. Dizer para ele que jabuticaba é calmante. Levar maracujá. Por que sabe o que acontece? O Brasil tem um potencial extraordinário, mas, muitas vezes, nós não sabemos aproveitar”, afirmou o presidente, em meio à visita ao espaço experimental que reúne espécies de diferentes regiões do país.
A declaração ocorre em um contexto de tensões recentes nas relações entre Brasil e Estados Unidos, mas também reforça a estratégia do governo de promover produtos nacionais no exterior, sem abrir mão do fortalecimento do mercado interno. Lula tem insistido que o país precisa “nacionalizar” o consumo de alimentos típicos, ampliando sua presença na mesa dos brasileiros.
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No Pomar da Ciência, o presidente percorreu áreas de cultivo de pitaya, maracujá, açaí e baunilha — culturas que, graças ao trabalho da Embrapa, vêm sendo adaptadas ao Cerrado. A iniciativa demonstra como a pesquisa agropecuária pode expandir fronteiras produtivas, diversificar a agricultura e gerar novas oportunidades de renda, especialmente para pequenos produtores.
Pesquisadores apresentaram ao presidente variedades desenvolvidas pela instituição, como maracujás mais adaptados ao clima da região e cultivares de pitaya com maior valor nutricional. Também foram destacados estudos com baunilhas nativas brasileiras, produto de alto valor agregado, e experiências com o cultivo de açaí fora da Amazônia, utilizando técnicas de irrigação e manejo específicas.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, ressaltou que a feira Brasil na Mesa tem como objetivo aproximar a ciência da sociedade. “A ideia é mostrar a diversidade da fruticultura brasileira e como conseguimos adaptar culturas de diferentes regiões para ampliar a produção”, explicou.
Ciência e desenvolvimento
Ao longo da visita, Lula reforçou que o investimento em ciência é fundamental para ampliar mercados e garantir competitividade ao agronegócio brasileiro. Ele lembrou que tecnologias desenvolvidas pela Embrapa foram decisivas para superar barreiras sanitárias e abrir mercados internacionais, como no caso da exportação de frutas para a China.
O presidente defendeu a ampliação do financiamento público e privado para pesquisa, destacando que o retorno desses investimentos beneficia toda a sociedade. “Se der certo, todo mundo ganha. Se não der certo, foi feito o investimento”, afirmou.
A feira Brasil na Mesa, que segue até sábado (25), reúne tecnologias, produtos e experiências desenvolvidas pela pesquisa agropecuária brasileira. Entre as inovações apresentadas estão novas cultivares de feijão, soja e sorgo, além de ferramentas digitais voltadas ao manejo agrícola, como aplicativos que funcionam mesmo sem acesso à internet — recurso essencial para agricultores familiares em regiões com baixa conectividade.
Outro destaque é o uso de inteligência artificial no monitoramento florestal, com soluções que aumentam a precisão e reduzem custos na gestão de áreas na Amazônia.
A agenda também evidenciou o papel da agricultura familiar, considerada estratégica pelo governo no combate à fome e na promoção do desenvolvimento sustentável. Lula visitou o Pavilhão Brasil na Mesa, onde conversou com produtores de diferentes regiões e conheceu produtos orgânicos, alimentos processados e itens de origem tradicional.
Relatos de expositores indicam que o presidente demonstrou interesse não apenas pelos produtos, mas também pelas condições de produção, renda e organização das famílias. A presença de comunidades indígenas e produtores apoiados por políticas públicas reforça o caráter inclusivo da iniciativa.
A programação da feira inclui ainda oficinas, seminários técnicos e atividades culturais. Entre elas, o projeto Cozinha Show valoriza receitas ancestrais de povos e comunidades tradicionais, conectando gastronomia, cultura e biodiversidade.
Os visitantes também podem participar de tours guiados pelas “vitrines vivas” de tecnologias, que apresentam sistemas produtivos sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além de cultivos experimentais de diversas espécies.
Para o vice-presidente Geraldo Alckmin, a feira demonstra a transformação do Brasil em potência agrícola. “Há 50 anos éramos importadores de alimentos. Hoje somos um celeiro do mundo”, afirmou.
A visita de Lula ao Pomar da Ciência reforça o papel da Embrapa como um dos pilares do desenvolvimento nacional. Ao integrar ciência, produção e políticas públicas, iniciativas como a Brasil na Mesa apontam caminhos para ampliar a soberania alimentar, fortalecer a agricultura familiar e garantir que a diversidade agrícola brasileira seja, cada vez mais, aproveitada dentro e fora do país.
