O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança da corrida presidencial de 2026, segundo a nova pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta sexta-feira (29). O levantamento aponta Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, cinco pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro, que registra 35% em meio ao desgaste provocado pelo escândalo envolvendo o filme “Dark Horse” e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Saiba mais na TVT News.
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio, o presidente marca 46% contra 42% do parlamentar do PL. Embora o cenário configure empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado consolida uma sequência de levantamentos que mostram recuperação política do petista e dificuldades crescentes para a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A pesquisa ouviu 2.400 pessoas entre os dias 25 e 28 de maio, em 651 municípios brasileiros. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04882/2026.
Além de liderar contra Flávio, Lula também aparece numericamente à frente em todos os cenários testados de segundo turno. Contra o ex-governador Ronaldo Caiado, o presidente tem 45% contra 41%. Diante de Romeu Zema, o placar é o mesmo: 45% a 41%. Já contra o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, Lula registra 43%, contra 41% do adversário. O maior intervalo aparece contra Renan Santos, em cenário de 45% a 36%.
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Segundo o levantamento, a aprovação pessoal de Lula subiu 13 pontos percentuais em relação à pesquisa realizada em março: passou de 31% para 44%. Ao mesmo tempo, a desaprovação caiu de 61% para 49%, a menor taxa registrada pelo instituto desde julho do ano passado.
A aprovação do governo também apresentou melhora. Hoje, 44% afirmam aprovar a gestão federal, contra 50% que desaprovam. Em março, os índices eram de 37% e 57%, respectivamente. Na avaliação qualitativa, 36% classificam o governo como “ótimo” ou “bom”, enquanto 46% o consideram “ruim” ou “péssimo”.
A aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara e medidas voltadas ao emprego e à renda são apontadas por governistas como fatores que ajudaram a recompor parte do apoio popular ao presidente.
Flávio sobre com escândalo
Do outro lado, o entorno de Flávio Bolsonaro tenta conter os danos provocados pelo chamado caso “Dark Horse”. Nas últimas semanas, reportagens do Intercept Brasil revelaram mensagens e áudios em que o senador pede recursos milionários ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O caso passou a ser investigado politicamente e também entrou no radar da Polícia Federal. Há suspeitas de que parte dos recursos ligados ao projeto cinematográfico tenha sido utilizada para bancar a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo já responde a ação no Supremo Tribunal Federal por suposta tentativa de pressionar autoridades brasileiras e articular sanções internacionais contra ministros do STF.
Nos bastidores do PL, o escândalo abriu uma crise interna. A situação se agravou depois que o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio teria ido buscar “o restante do dinheiro” na casa de Vorcaro, declaração que acabou ampliando suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Embora Flávio tenha buscado reagir com uma agenda internacional ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialistas ouvidos por diversos veículos avaliam que a ofensiva ainda não conseguiu neutralizar completamente os efeitos políticos das denúncias.
A própria pesquisa PoderData/Aya mostra um cenário de forte rejeição ao senador bolsonarista. Segundo o levantamento, 49% afirmam que “não votariam de jeito nenhum” em Flávio Bolsonaro — índice praticamente idêntico ao registrado por Lula, com 48%. A diferença, porém, está na capacidade de retenção de base social consolidada. Entre os que dizem que votariam exclusivamente em determinado candidato, Lula aparece com 36%, contra 30% de Flávio.
Regionalmente, o presidente mantém ampla vantagem no Nordeste, onde marca 47% contra 31% do senador. Flávio lidera apenas na região Sul, por 43% a 35%.
O levantamento indica que a eleição segue polarizada, mas aponta um cenário mais confortável para Lula neste momento da disputa. Enquanto o presidente recupera índices de aprovação e mantém liderança nacional, o principal nome do bolsonarismo enfrenta dificuldades para se desvincular das denúncias envolvendo o Banco Master, o filme “Dark Horse” e as suspeitas sobre financiamento político e internacionalização da ofensiva contra instituições brasileiras.

