O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que se reunirá na próxima semana com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir o tarifçao, as tarifas aplicadas pelo governo americano sobre produtos brasileiros.
O encontro, que ocorrerá por videoconferência, foi agendado após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na manhã desta sexta-feira (21). Segundo o ministro, Greer fez contato imediatamente após a conversa entre os dois mandatários para buscar uma agenda com o brasileiro.
Ligação entre presidentes dura mais de uma hora e tem tom cordial
O telefonema entre Lula e Trump teve duração superior a uma hora e foi descrito como “cordial”. Durante a conversa, os dois presidentes trataram das taxas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. De acordo com nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida – como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado – “são infundadas”.

O governo brasileiro tem sustentado essa posição nas mesas de negociação desde o início do processo. Aliados do presidente avaliam que as medidas têm teor político e têm denunciado a atuação de adversários, como Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, para provocar a taxação. Apesar disso, a avaliação no entorno petista é que o processo de reciprocidade não deve avançar neste ano, e defendem cautela para evitar decisões precipitadas.
Brasil notificou EUA sobre reciprocidade na semana passada
Na semana anterior, o governo brasileiro informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país. O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que alcança também outras nações. As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora.

A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA a parte dos produtos brasileiros começou a valer em 22 de julho. De acordo com o MDIC, a medida atinge 15% do volume exportado para os EUA em 2025, o que equivale a US$ 5,8 bilhões. Os setores mais impactados são madeira, móveis, máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.
Entenda o tarifaço dos EUA sobre o Brasil
O novo tarifaço foi adotado após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre supostas práticas “desleais” do Brasil que prejudicariam empresas americanas. A administração Trump citou argumentos como o Pix, o desmatamento e a corrupção – todos rebatidos pelo governo brasileiro.

Além da tarifa específica de 25%, o Brasil foi atingido por uma sobretaxa aplicada sob a alegação de que, junto com outras 59 nações, o país falharia em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado. Desse grupo, 54 países foram tarifados em 12,5% e outros seis com 10%. Os argumentos também são rechaçados pela gestão Lula.
A retomada das negociações é vista pelo ministro como um bom sinal. “Precisávamos, de fato, retomar as negociações, era isso o que o Brasil sempre buscou, trazer ele de volta à mesa”, afirmou. O encontro da próxima semana, ainda sem data definida, deverá restabelecer o diálogo entre as equipes técnicas dos dois países.