Lula amplia vantagem sobre Flávio após escândalo “Dark Horse”, aponta pesquisa Meio/Ideia

Levantamento mostra crescimento de Lula no 2º turno e queda acentuada de Flávio após revelações sobre repasses de Daniel Vorcaro para filme sobre Bolsonaro
No 1º turno, Lula também lidera com folga. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28). O levantamento indica deterioração do desempenho eleitoral do filho de Jair Bolsonaro após a revelação de áudios e mensagens ligados ao escândalo do filme “Dark Horse”, financiado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Saiba mais na TVT News.

De acordo com a sondagem, Lula aparece com 46,5% das intenções de voto contra 41,4% de Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno. Há menos de um mês, o cenário era inverso: Flávio tinha 45,3% contra 44,7% do atual presidente. O movimento representa uma virada significativa no quadro eleitoral e reforça o impacto político das denúncias envolvendo o clã Bolsonaro.

No primeiro turno, Lula também lidera com folga. O petista registra 38,5%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 31,5%. Na rodada anterior da pesquisa, o senador marcava 36%, indicando perda de quase quatro pontos percentuais em poucas semanas.

O levantamento ouviu 1.500 pessoas entre os dias 23 e 27 de maio. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-02918/2026.

Flávio, Vorcardo e o escÂndalo “Dark Horse”

A queda de Flávio coincide diretamente com a repercussão do caso “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro produzida nos Estados Unidos. Reportagens do Intercept Brasil revelaram mensagens nas quais o senador solicita R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o projeto. Segundo os documentos divulgados, cerca de R$ 61 milhões teriam sido repassados.

As revelações abriram uma crise política e jurídica para Flávio Bolsonaro. A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e eventual desvio de recursos ligados ao filme para financiar operações políticas da família Bolsonaro nos Estados Unidos. O caso também levou o ministro Alexandre de Moraes a pedir parecer da Procuradoria-Geral da República sobre a inclusão de Jair e Flávio Bolsonaro em investigação que já tem Eduardo Bolsonaro como réu.

Segundo a pesquisa Meio/Ideia, 60,4% dos entrevistados afirmaram ter tido contato com o caso “Dark Horse”. Entre eles, 44% disseram que passaram a ter opinião pior sobre Flávio Bolsonaro após as denúncias. Apenas 14,5% afirmaram ter melhorado a percepção sobre o senador.

O desgaste aparece também na avaliação sobre os impactos eleitorais do escândalo. Para 57% dos entrevistados, o episódio deve prejudicar muito ou um pouco a campanha do senador bolsonarista. Apenas 6% acreditam que Flávio poderá se beneficiar de eventual discurso de vitimização.

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A maioria da população também defende aprofundamento das investigações. Quase metade dos entrevistados, 48%, afirmou considerar necessário que Polícia Federal e Ministério Público investiguem o caso. Outros 57% disseram apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as relações do Banco Master com a produção do filme.

A erosão eleitoral do senador aparece com força em segmentos onde o bolsonarismo vinha demonstrando desempenho robusto. Segundo o instituto, Flávio perdeu apoio especialmente entre eleitores de centro-direita, jovens e setores de maior renda.

Entre eleitores de 16 a 24 anos, por exemplo, Lula passou a liderar com 49,6%, enquanto Flávio caiu para 39,5%. Na rodada anterior, o senador estava numericamente à frente nesse grupo. Movimento semelhante ocorreu entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos, faixa em que Lula agora vence por 48,6% a 41,5%.

O fundador do instituto Ideia, Maurício Moura, avaliou que o caso agravou o desgaste do bolsonarismo. Segundo ele, “a desorganização da oposição e a insistência no bolsonarismo ajudam Lula”. Moura destacou ainda que o episódio envolvendo Vorcaro ampliou a rejeição do senador.

Enquanto Flávio enfrenta desgaste, o governo Lula apresentou melhora nos indicadores de avaliação. A taxa de ótimo ou bom subiu de 31,5% para 35,6%, enquanto o índice de ruim ou péssimo caiu de 46,3% para 40,7%.

A aprovação do presidente também avançou. Hoje, 46,6% aprovam o governo, contra 44% na pesquisa anterior. Já a desaprovação recuou de 53% para 51,4%.

A CEO do instituto Ideia, Cila Schulman, destacou no relatório que Lula entra em 2026 em posição competitiva. Segundo ela, historicamente presidentes candidatos à reeleição tendem a melhorar seus índices ao longo do ano eleitoral.

A pesquisa também testou outros nomes da direita. Em todos os cenários de segundo turno, Lula aparece à frente. Contra Michelle Bolsonaro, o presidente venceria por 46% a 40%. Contra Ronaldo Caiado, a vantagem seria de seis pontos percentuais.

O levantamento reforça a percepção de que o escândalo “Dark Horse” atingiu em cheio a tentativa do bolsonarismo de consolidar Flávio Bolsonaro como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez de projetar uma candidatura competitiva, o caso passou a simbolizar, para parte do eleitorado, suspeitas de promiscuidade entre negócios privados, financiamento político e operações internacionais da família Bolsonaro.

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