Ex-vereador Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de SP

Investigação aponta possível controle do PCC sobre 12 empresas de ônibus e cita articulações políticas e empresariais
milton-leite-operacao-policia-civil-pcc
Ex-vereador nega que esteja foragido, diz que está viajando e que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas. Foto: CMSP

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo, contratos públicos e estruturas políticas.

Entre os alvos está o ex-vereador da capital Milton Leite, que teve a prisão temporária decretada pela Justiça. Ao todo, foram 9 prisões até o momento. Entenda a operação contra o ex-vereador com a TVT News.

Milton Leite foi homenageado na Alesp. – Foto: Alesp

A operação é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo. São cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes cidades do estado.

Segundo a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, a investigação é um desdobramento da Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024. O trabalho reúne diálogos extraídos de aparelhos eletrônicos, documentos e informações financeiras que, segundo a investigação, apontariam vínculos entre os suspeitos e integrantes ou colaboradores da organização criminosa.

PCC no transporte

Um dos principais focos da investigação é o setor de transporte público. De acordo com os autos, 12 das 22 empresas que operam o sistema de transporte coletivo da capital seriam, em tese, controladas pelo PCC. A apuração aponta ainda possíveis relações da organização criminosa com empresas que atuam no interior e na Baixada Santista.

Os investigadores identificaram conversas que tratariam de contratos públicos, licitações, compra e venda de ônibus e supostos pagamentos a pessoas que atuariam como intermediárias. A Justiça também menciona indícios de que empresas teriam sido utilizadas para operacionalizar negócios ligados ao grupo criminoso.

Milton Leite

Na decisão judicial, Milton Leite é citado nominalmente como suposto responsável direto pela operação de algumas empresas apontadas na investigação como controladas pelo PCC. O documento também registra declarações de policiais militares, prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o “dono de fato” da Transwolff.

Em nota, Milton Leite afirmou que está em viagem, disse que não está foragido e declarou que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. O ex-vereador também afirmou que pretende provar sua inocência.

Investigações também alcançam política

Além do setor de transportes, a apuração encontrou referências a financiamento de campanhas eleitorais e articulações políticas. A decisão cita conversas relacionadas ao apoio e ao financiamento de candidaturas, além de possíveis interlocuções entre integrantes da organização criminosa, empresários e agentes políticos.

Entre os investigados está Danilo Marco Morgado Silva, candidato derrotado à Prefeitura de Praia Grande em 2024 e atualmente candidato a deputado estadual. Segundo a decisão, os investigadores identificaram indícios de financiamento de sua candidatura à prefeitura pela organização criminosa.

A investigação também aponta possíveis interferências em licitações de municípios, incluindo tratativas para direcionamento de certames e pagamentos de vantagens indevidas.

Prisões e buscas

A Justiça autorizou a prisão temporária, por 30 dias, de 13 investigados, entre eles Milton Leite, além de três advogados, empresários, um ex-presidente da SPTrans e outros suspeitos.

Também foram autorizadas buscas em endereços ligados aos investigados e acesso aos dados armazenados em celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos, desde que haja relação com os fatos investigados.

As diligências ocorrem em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Prefeitura diz que já havia adotado medidas

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção na Transwolff, em abril de 2024, foi adotada para proteger o sistema municipal de transporte. A administração também informou ter determinado, na mesma época, intervenção na UPBus, além de instaurar procedimentos pela Controladoria Geral do Município.

Segundo a prefeitura, o município vem colaborando com o Ministério Público e a Polícia Civil, fornecendo documentos e informações para a investigação.

A decisão do TJ-SP destaca que as medidas cautelares têm como objetivo preservar a investigação e evitar interferências na produção de provas. O próprio tribunal ressalta que a análise realizada é preliminar e que a responsabilidade penal dos investigados ainda deverá ser definida no curso do processo.

Leia também

Assuntos Relacionados