Nikolas Ferreira chama Vorcaro de “lindão” em áudio, segundo ICL

Mensagem foi enviada ao dono do Banco Master em 2025 e envolvia Thiago Faria, posteriormente citado em investigação da Polícia Federal sobre mineração
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Deputado federal Nikolas Ferreira. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Um áudio atribuído ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) revela uma conversa do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na qual o deputado pede ajuda para seu advogado e ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria em relação à liberação de um ativo minerário. A informação foi revelada pelo ICL Notícias, que teve acesso exclusivo ao conteúdo. Leia em TVT News.

A mensagem foi enviada por Nikolas a Vorcaro em 30 de março de 2025. No áudio, o deputado chama o banqueiro de “Dani” e “lindão” e afirma que gostaria de ter mais proximidade com ele.

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Nikolas diz que Faria havia mencionado o nome de Vorcaro e relata que o ex-assessor tinha um ativo de mineração que, segundo ele, já havia passado por avaliação técnica e aguardava providências.

“Eu posso dar um toque nele”, afirma Nikolas no áudio, antes de oferecer o contato do ex-assessor para que a negociação pudesse avançar.

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Após receber a mensagem, Vorcaro respondeu com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradeceu e enviou o telefone de Thiago Faria.

O banqueiro respondeu: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. No dia seguinte, Nikolas informou que Faria estaria em Brasília e poderia se encontrar com Vorcaro. O banqueiro respondeu posteriormente: “Deixa comigo”.

Segundo o ICL Notícias, não é possível afirmar, a partir das mensagens, se Vorcaro efetivamente tomou alguma providência em relação ao pedido feito pelo deputado.

Reprodução ICL
Reprodução ICL

Pedido envolvia ex-assessor de Nikolas

Thiago Rodrigues de Faria, citado na conversa, é advogado e trabalhou como assessor de Nikolas Ferreira. Seu nome apareceu posteriormente em investigações relacionadas à Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025 para apurar um esquema envolvendo extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com informações citadas pelo ICL Notícias, Faria mantinha contrato com a empresa Gmais Ambiental por meio de seu escritório de advocacia. O documento previa remuneração relacionada a uma negociação envolvendo uma lavra de minério.

O inquérito da Polícia Federal aponta que o negócio poderia movimentar entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões. Conforme o documento, havia previsão de pagamento de comissão aos envolvidos caso fossem obtidas autorizações para retomada da atividade de mineração e a lavra fosse vendida.

O contrato também envolvia a mineração Topázio Imperial, empresa que detinha direitos minerários relacionados a uma área onde está localizada a barragem Água Fria, em Ouro Preto. Segundo a investigação, o grupo pretendia viabilizar a negociação da lavra para exploração mineral.

Nikolas também pediu desculpas a Vorcaro

Na mesma mensagem em que tratou do ativo minerário, Nikolas retomou uma controvérsia envolvendo Vorcaro. O deputado pediu desculpas por publicações feitas anteriormente sobre um evento financiado pelo Banco Master em Londres.

O encontro havia reunido autoridades, entre elas ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nikolas afirmou que conversou posteriormente com o pastor André Valadão e disse que não sabia que o banco de Vorcaro estava envolvido na realização do evento.

No áudio, o deputado afirma que, se soubesse, teria conversado com o banqueiro antes de fazer a publicação. Ao finalizar a mensagem, volta a demonstrar interesse em uma aproximação pessoal com Vorcaro e o chama novamente de “lindão”.

Procurados pelo ICL Notícias, Nikolas Ferreira e Thiago Faria foram questionados sobre a conversa. Faria confirmou que trabalhava com um ativo minerário e afirmou que conhece Vorcaro por serem ambos de Belo Horizonte. Também disse que havia enviado informações sobre o ativo a diferentes pessoas.

Faria negou ter relação com irregularidades investigadas pela Polícia Federal e afirmou que não foi chamado para prestar depoimento no âmbito da investigação.

A troca de mensagens ocorreu meses antes da Operação Rejeito. A investigação da PF posteriormente levou à prisão preventiva de 22 pessoas e passou a apurar suspeitas relacionadas à exploração ilegal de minério de ferro.

O conteúdo divulgado pelo ICL Notícias não permite concluir que o pedido feito por Nikolas tenha resultado em alguma intervenção de Vorcaro ou que o deputado tenha participado das irregularidades investigadas.

O áudio, contudo, registra a atuação do parlamentar como intermediário entre seu ex-assessor e o banqueiro em uma questão relacionada à atividade minerária.

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