Petrobras divulga balanço trimestral com 3º melhor resultado desde 2023

Lucro líquido de R$ 32,7 bil no 1º trimestre de 2026 cresce 110% ante o trimestre anterior; Ineep atribui resultado à alta do petróleo no mercado internacional
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Elevação dos preços internacionais em função da guerra no Oriente Médio ampliou receitas da Petrobras. Foto: Divulgação/Agência Petrobras

A Petrobras divulgou nesta terça-feira seu balanço referente ao primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,7 bilhões, desempenho que representa alta de 110% em relação ao quarto trimestre de 2025. Segundo avaliação do Ineep, o resultado configura o terceiro melhor da estatal desde 2023, consolidando a recuperação operacional da companhia e a relevância estratégica da empresa para a economia brasileira. Saiba mais na TVT News.

Além do lucro expressivo, a companhia registrou EBITDA ajustado de R$ 59,6 bilhões e fluxo de caixa operacional de R$ 44 bilhões no período. A estatal destacou que os resultados foram sustentados pelo crescimento da produção própria de petróleo e gás, que avançou 16% em relação ao mesmo trimestre de 2025, e pelo aumento da produção e venda de derivados.

Outro fator decisivo para o desempenho foi o cenário externo. A valorização de 27% do barril do tipo Brent no comparativo com o trimestre anterior e a apreciação do real frente ao dólar contribuíram positivamente para os números da empresa. Para o Ineep, a elevação dos preços internacionais nas primeiras semanas da guerra no Oriente Médio ampliou as receitas da Petrobras no mercado externo, especialmente nas exportações de óleo cru.

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Em nota técnica, o instituto afirma que a receita externa da estatal cresceu 28,3% no trimestre. Segundo a entidade, esse desempenho compensou a queda de 9,8% nos preços dos derivados no mercado interno na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Ainda de acordo com o Ineep, a estratégia de preservar investimentos em exploração e produção e ampliar o uso do parque de refino foi central para a manutenção da robustez financeira da companhia.

“No 1T26, a alta nos preços internacionais do petróleo impulsionada pelo conflito no Oriente Médio ampliou em 28,3% as receitas da Petrobras no mercado externo, em especial com comercialização de óleo cru, o que garantiu lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no trimestre, terceiro melhor resultado desde 2023. A manutenção de investimento médio trimestral de R$ 28,2 bilhões nos últimos sete (07) trimestres produziu resultado operacional robusto, com incremento de 16,4% na produção de óleo e gás, ampliação do fator de utilização de seu parque de refino e crescimento de 2,9% das vendas de derivados, quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior (1T25). A companhia reduziu em 23% o montante de dividendos pagos, em comparação ao 1T25, e remunerou em R$ 9 bilhões seus acionistas, dos quais cerca de R$ 3,3 bilhões têm como destino o grupo de controle (União e BNDES)”, explica a direção técnica do Ineep.

Investimentos da Petrobras

No trimestre, a Petrobras investiu R$ 26,8 bilhões, aumento de 25,6% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa reiterou que segue como a maior investidora do país e associou esses recursos à geração de empregos, renda e desenvolvimento industrial. Para o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da companhia, Fernando Melgarejo, os investimentos vêm se convertendo em crescimento da produção e ganhos de eficiência operacional.

A Petrobras também informou recordes históricos de produção. A produção total operada chegou a 4,65 milhões de barris de óleo equivalente por dia, enquanto a produção total própria alcançou 3,23 milhões de barris diários. No pré-sal, a produção própria atingiu 2,66 milhões de barris equivalentes por dia, novo recorde para a companhia.

No segmento de refino, o fator de utilização das refinarias ficou em 95% no trimestre, chegando a 97,4% em março, maior índice mensal desde dezembro de 2014. A produção de derivados somou 1,81 milhão de barris por dia, com destaque para diesel, gasolina e querosene de aviação. Em março, a estatal registrou recorde mensal na produção de diesel S-10, com 512 mil barris por dia.

Para o Ineep, esses indicadores mostram que a política de retomada da capacidade industrial da empresa tem impacto direto sobre a segurança energética nacional e sobre a redução da dependência externa de combustíveis. O instituto também citou a redução das importações de GLP como reflexo da maior produção doméstica e da entrada em operação do Complexo de Energias Boaventura.

No campo da distribuição de riqueza, a Petrobras informou ter retornado R$ 72,4 bilhões à sociedade no trimestre, por meio de tributos, royalties e participações especiais pagos à União, estados e municípios. A empresa destaca que responde por cerca de 7% da arrecadação nacional. Também foram aprovados R$ 9 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.

O Ineep observou ainda que houve redução de 23% no volume de dividendos distribuídos em relação ao primeiro trimestre de 2025, sinalizando maior equilíbrio entre remuneração aos acionistas e manutenção de investimentos produtivos. Parte desses recursos, cerca de R$ 3,3 bilhões, terá como destino o grupo de controle formado pela União e pelo BNDES.

Com dívida bruta de US$ 71,2 bilhões, abaixo do teto previsto no Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras sustenta posição financeira sólida enquanto amplia produção, reforça o refino e mantém presença estratégica no desenvolvimento nacional.

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