Pela primeira vez na série histórica da Pnad Contínua Educação, a taxa de analfabetismo no país ficou abaixo de 5%. Em 2025, o número de pessoas com 15 anos ou mais não alfabetizadas no Brasil ficou em 8,4 milhões de pessoas, o que equivale à taxa de 4,9% menor desde o início da pesquisa, em 2016. Em 2024, ela era de 5,3%.
Conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nessa sexta (19) referentes à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação de 2025, o Nordeste continua concentrando mais da metade das pessoas que não sabem ler e escrever – um total de 4,9 milhões de pessoas.
A pesquisa registrou também um aumento no tempo médio que adultos com mais de 25 anos passam matriculados em instituições de ensino, que foi de 9,1 anos em 2016 para 10,2 anos em 2025. Os dados mostram também um total de 21,4% com ensino superior completo.
A taxa para brasileiros acima de 25 anos que pararam de estudar antes do 5º ano do ensino fundamental era de 25,6%. A diferença entre as taxas, no entanto, diminuiu muito: em 2016, eram 33,3% dos brasileiros sem ensino fundamental, e 15,4% com graduação.
Pnad 2025 mostra analfabetismo de mais de metade da população com 60 anos ou mais
De acordo com a pesquisa, 58% das pessoas acima de 60 anos não sabem ler e escrever um um bilhete simples.
Pela primeira vez nessa população, no entanto, a taxa de analfabetismo das mulheres ficou abaixo da dos homens, com 13,7% e 14,1%, respectivamente.
Nessa faixa etária, a Pnad registrou uma taxa de analfabetismo quase três vezes maior entre pretos ou pardos (20,6%) do que a entre brancos (7,3%).
Entre pessoas de 15 a 59 anos, foi registrada queda da taxa de analfabetismo, que marcou 2,6%.
Pesquisa mostra mais da metade de pretos ou pardos com ensino médio completo
Pela primeira vez na série histórica, a pesquisa mostrou mais da metade de pretos ou pardos com 25 anos ou mais com o ensino médio completo (51,3%).
Também ficou registrado que mulheres passam mais tempo estudando do que homens (10,4 anos contra 10 anos). Entre pretos e pardos, o número ficou em 9,5 anos, enquanto pessoas brancas têm acesso a instituições de ensino por 11,1 anos.
O Sudeste também registrou a maior taxa de tempo de estudo entre as regiões (10,9 anos), e o Nordeste com a menor (9 anos).
Outros destaques da Pnad
A taxa de crianças de 0 a 3 anos que frequentavam escola ou creche em 2025 ficou em 41,7%. O número, no entanto, é menor do que a meta do Plano Nacional de Educação, que mirava em alcançar 50% até 2024.
A meta do PNE foi alcançada entre as crianças de 6 a 14 anos na etapa ideal do ensino fundamental, chegando em 96,1%. A taxa, no entanto, continua abaixo do patamar anterior à pandemia da Covid-19.
Outro dado mostrado pela Pnad foi que, no Norte do país, a taxa de crianças que estavam fora da creche por falta de unidade, falta de vaga ou porque a matrícula não foi aceita por causa da idade era de 35,2% entre bebês de 0 a 1 ano, e de 44,5% entre crianças de 2 a 3 anos.
Em relação à frequência líquida no ensino médio, a taxa foi menor entre homens de 15 a 17 anos (77,4%) do que entre mulheres (84%), e menor entre pretos ou pardos (77,8%) do que brancos (84,9%).
A Pnad mostrou que a evasão escolar está concentrada especialmente a partir dos 16 anos, com 18,5% abandonando os estudos nessa idade, 20% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos.
Entre as mulheres, a principal razão para deixar os estudos de lado foi o trabalho, com 26,2%, e gravidez, com 24,7%.

