A perícia da Polícia Civil de São Paulo identificou falhas na forma como foram lacrados 27 dispositivos eletrônicos apreendidos durante uma operação contra empresas ligadas à produtora do filme Dark Horse. Os equipamentos precisaram ser devolvidos à delegacia responsável pela investigação para que as embalagens fossem corrigidas e novamente lacradas. Leia em TVT News.
O material incluía nove notebooks, cinco celulares e 13 pendrives. Segundo os documentos da perícia, os lacres foram realizados de forma a manter espaços livres que poderiam permitir a retirada dos pendrives e a passagem de cabos para conexão aos celulares e computadores.
Os registros, porém, não esclarecem se os equipamentos chegaram a ser violados ou se a falha na embalagem resultou em alguma alteração nos dados armazenados. Os documentos mostram que, posteriormente, os aparelhos foram novamente lacrados e submetidos aos exames periciais.
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Lacres permitiam passagem de cabos
Em um dos documentos, a perita criminal Viviane Menezes apontou que as guias utilizadas na embalagem dos pendrives tinham abertura suficiente para possibilitar a retirada do dispositivo. Em outro ofício, ela relatou problema semelhante nos invólucros dos notebooks e celulares.
De acordo com a perícia, os espaços existentes nos lacres eram grandes o suficiente para a entrada de cabos de alimentação e de transferência de dados. A situação, segundo o documento, permitiria tecnicamente a manipulação de informações armazenadas nos equipamentos.
Os ofícios foram produzidos em 3 de junho, dois dias depois da operação. Em 8 de junho, os dispositivos retornaram à 2ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração Pública de São Paulo para que os invólucros fossem adequados.
A Polícia Civil justificou a devolução pela necessidade de preservar a cadeia de custódia das provas. Depois da correção, os equipamentos voltaram ao Instituto de Criminalística, onde permaneceram até 23 de julho aguardando a realização dos exames. A demora foi atribuída ao volume de casos e à fila de perícias pendentes.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que os dispositivos foram lacrados pela Polícia Civil nos locais das apreensões, na presença de testemunhas, e posteriormente encaminhados à Superintendência da Polícia Técnico-Científica. Segundo a pasta, não houve acesso, extração ou manipulação dos dados e a cadeia de custódia não foi comprometida.
Apesar disso, os documentos anexados ao processo não informam se os peritos verificaram especificamente a integridade dos aparelhos diante das falhas encontradas nos lacres. Os registros apenas indicam que os dados dos equipamentos foram posteriormente extraídos e encaminhados à delegacia responsável pelo caso.
Equipamentos foram apreendidos em investigação sobre contrato de wi-fi
Os dispositivos foram recolhidos em 1º de junho, durante uma operação realizada em endereços relacionados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. Ela também é responsável pela Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação da Polícia Civil apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões por ano firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi gratuito. O acordo previa 5 mil pontos na periferia da capital até junho de 2025. Até o momento, 3,2 mil haviam sido instalados, e pelo menos três aditivos alteraram o prazo para conclusão do serviço.
A polícia investiga se parte dos recursos do contrato público foi desviada para financiar a produção de Dark Horse. O inquérito paulista foi compartilhado com a Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os documentos referentes aos lacres se tornaram públicos neste domingo (13), depois que Dino determinou o fim do sigilo de parte do material encaminhado pela Justiça de São Paulo.