O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investiguem possíveis ações de agentes estrangeiros destinadas a influenciar as eleições brasileiras de 2026. As representações citam a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) e levantam suspeitas sobre eventual financiamento, publicidade e articulações políticas realizadas a partir dos Estados Unidos. Leia em TVT News.
No STF, o partido solicitou ao ministro Flávio Dino a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar a origem de recursos e identificar possíveis operações realizadas no exterior em benefício da campanha de Flávio. O pedido foi apresentado em um processo que já está sob relatoria de Dino e discute a eficácia, no Brasil, de medidas adotadas por autoridades estrangeiras.
Entre os pontos apresentados pelo PT está a atuação da Rockbridge Network, organização norte-americana que, segundo a representação, poderia ter estabelecido conexões com pessoas ligadas à campanha. O partido também pede esclarecimentos sobre contatos envolvendo os empresários Tallis Gomes, Pedro Sang e André Marinho.
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A legenda afirma que é necessário verificar se houve repasse de dinheiro, prestação de serviços ou outro tipo de suporte material à candidatura.
Outro elemento citado é a existência de anúncios pagos no exterior em perfis da rede social X com conteúdo favorável a Flávio Bolsonaro. Segundo a representação, as publicações foram feitas entre os dias 18 e 21 de setembro e não tinham, até então, autoria ou financiamento identificados. A campanha do senador afirmou não ter conhecimento dos anúncios.
O PT também quer apurar possíveis relações financeiras e empresariais entre estruturas brasileiras e organizações sediadas fora do país. A solicitação inclui acesso a contratos, registros de pagamentos e informações de plataformas digitais que possam ajudar a identificar eventuais financiadores, intermediários e beneficiários.
Ação no TSE
Paralelamente ao pedido apresentado ao STF, o PT ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no TSE contra Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e Eduardo Bolsonaro.
A representação sustenta que os episódios relatados poderiam caracterizar abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação. Entre os fatos mencionados estão contatos com autoridades norte-americanas, a atuação de Eduardo Bolsonaro nas negociações com o governo dos Estados Unidos e medidas adotadas por Washington contra o Brasil.
O documento também cita o chamado tarifaço e sanções impostas pelos Estados Unidos como parte do contexto em que, segundo o PT, teria ocorrido uma articulação para favorecer eleitoralmente Flávio Bolsonaro. A legenda pede que o TSE investigue a atuação dos envolvidos e avalie as consequências eleitorais caso as suspeitas sejam confirmadas.
AIJE também foi o instrumento jurídico utilizado que culminou com a determinação da inelegibilidade do pai de Flávio, Jair Bolsonaro.
Entre as providências solicitadas estão a obtenção de documentos, informações financeiras e registros que possam esclarecer a origem de recursos e a eventual participação de agentes estrangeiros.
A ação eleitoral foi distribuída ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Se houver comprovação das irregularidades alegadas e eventual condenação, a legislação eleitoral prevê consequências como a cassação da chapa e inelegibilidade, conforme o caso.
O caso também ocorre em meio a discussões sobre possíveis ameaças externas ao processo eleitoral de 2026. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), revelado pela imprensa, incluiu a possibilidade de influência ou interferência dos Estados Unidos entre os riscos analisados para o pleito deste ano.