Nesta manhã de segunda (20), o presidente Lula cumpre sua agenda presidencial na Alemanhã ao lado do primeiro-Ministro Friedrich Merz e realiza uma declaração à imprensa alemã, destacando a parceria entre ambos os países. Em sua fala, Lula abordou o compromisso com a paz e com políticas de preservação do meio ambiente. Leia em TVT News.
VEJA: declaração completa do presidente Lula
A Alemanha ocupa hoje o posto de quarta maior parceira comercial do Brasil, com um intercâmbio que atinge a marca de 21 bilhões de dólares. Além disso, o país europeu é um dos principais investidores diretos em solo brasileiro, mantendo um estoque de 40 bilhões de dólares investidos.
Durante o encontro, os principais temas abordados incluíram a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, a renovação energética, preservação de florestas, a cooperação em saúde digital para o SUS e a urgência da paz mundial. Lula contou que a sua presença na Alemanha ocorreu por três motivos: “Primeiro, a Feira de Hannover; segundo, a reunião de consultas intergovernamentais de alto nível e, terceiro, o Encontro Econômico Brasil-Alemanha”.
Acompanhe aqui os principais tópicos da declaração à imprensa de Lula na Alemanha

“Essa tem que ser a vez do Brasil ganhar, porque teve uma vez que a Alemanha ganhou de 7×1 do Brasil”, disse Lula
Após agradecer a imprensa alemã, Lula iniciou sua fala com tom desoncontraído abordando a Copa do Mundo. Lula convidou o primeiro-ministro Friedrich Merz, sugerindo que, caso as duas seleções cheguem à decisão, o encontro conte com a presença do líder norte-americano, Donald Trump:
“Fazendo um convite ao primeiro-ministro Merz, que se a Alemanha e o Brasil forem finalistas na Copa do Mundo, a gente convida o Trump para ver a disputa Brasil e Alemanha. E essa tem que ser a vez do Brasil ganhar, porque teve uma vez que a Alemanha ganhou de 7×1 do Brasil”, brincou o presidente.
“Queremos pão e não bomba”
Ao tratar do cenário geopolítico, o presidente brasileiro enfatizou que sua visita ao país europeu ocorre em um momento em que “a humanidade está um pouco assustada com a quantidade de guerras”. Para Lula, a aliança entre Brasília e Berlim deve servir de exemplo para o mundo.
“Muito mais do que uma guerra, o povo quer paz, o povo quer tranquilidade; não quer a incerteza do futuro, mas a certeza de um futuro promissor. Queremos vida e não morte, queremos pão e não bomba, queremos educação e não flagelo”, declarou o presidente, reafirmando que ambos os países “querem o desenvolvimento e não a destruição”.
Lula manifestou preocupação com os conflitos no Irã, Líbano, Ucrânia e na Palestina, criticando a falta de eficácia de órgãos internacionais. “De nada adianta estar com a casa em ordem com um mundo em desordem. (…) Não é só a ONU que padece de eficácia”, afirmou.
Citando o falecido filósofo alemão Jürgen Habermas, o presidente defendeu o diálogo como ferramenta essencial para o consenso:
“No mês passado, faleceu o filósofo alemão Jürgen Habermas. Habermas foi uma das vozes mais influentes sobre a defesa do diálogo como instrumento para a construção de consensos. O significado de sua obra se renova no atual contexto de extremismos nas redes digitais e de guerra no mundo real. A humanidade precisa resgatar a ideia de que a paz é moralmente necessária e politicamente possível. Esse é um projeto e um compromisso que a Alemanha e o Brasil compartilham”,. disse Lula.
Biocombustíveis

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Um dos pontos altos da agenda foi o teste de biodiesel brasileiro em um caminhão alemão. Lula destacou a necessidade de “desmistificar o preconceito que se tenta colocar no combustível renovável produzido pelo Brasil” e citou os resultados técnicos que apontam uma redução de 50% na emissão de CO2 em relação aos fósseis.
“Aqueles que têm medo de discutir a baixa utilização do combustível fóssil têm que parar de ter medo. Nós somos exportadores de petróleo, mas estamos trabalhando com muita vontade para mostrar que o mundo não ficará órfão se a gente ficar sem combustível fóssil”, afirmou. Ele ainda acrescentou que, se a imprensa alemã “publicar direitinho, nós vamos acabar com o preconceito”.
Transição ecológica
O presidente enfatizou que os resultados das reuniões com o chanceler Friedrich Merz mostram uma parceria que “se mantém sólida e se expande para novas frentes”. Foram firmados acordos em áreas que vão desde tecnologias quânticas até pesquisa climática. Segundo Lula, programas como o PAC e o Plano de Transformação Ecológica oferecem oportunidades para investidores alemães interessados em levar “inovações tecnológicas e sustentáveis para o Brasil”.
Sobre a questão ambiental, Lula reafirmou a meta de zerar o desmatamento até 2030, destacando que já houve uma redução de “50% do desmatamento na Amazônia e 32% no Cerrado”. Ele também cobrou que a Europa supere a “resistência ideológica aos biocombustíveis”, classificando-os como uma solução barata e eficiente que o Brasil produz sem comprometer áreas de florestas ou alimentos.
Lula garantiu a proteção da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, ligando a preservação à própria existência da população brasileira.
“Não vai invadir a Amazônia porque nós já derrubamos o desmatamento em 50%, e nós temos a meta de que até 2030 vamos chegar a desmatamento zero. É interesse do Brasil dar uma contribuição ao mundo com aquilo de mais rico que a gente tem. Não queremos destruí-la porque destruí-la significa destruir parte de nossas vidas”, disse.
O acordo Mercosul-UE

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Um dos pontos centrais da fala do presidente foi a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, marcada para o dia 1º de maio. Lula alertou, no entanto, para medidas unilaterais da UE, que podem desequilibrar a parceria:
“Um acordo só se sustenta se há equilíbrio. Uma série de medidas tomadas pela UE ameaça desnivelar os pratos dessa balança. (…) Não há como vencer o unilateralismo com mais unilateralismo.”, disse Lula
Para o presidente brasileiro, o acordo deve ser um modelo de cooperação que “valorize e proteja os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”, indo muito além do livre comércio.
Soberania digital e avnaços tecnológicos
Na área tecnológica, o presidente defendeu a soberania digital para evitar a dependência de empresas estrangeiras que “enriquecem com os dados dos nossos cidadãos e não oferecem nenhuma segurança”.
Ele mencionou também o desejo de replicar o modelo alemão de hospitais inteligentes no Brasil para “minimizar o tempo de espera de consultas e exames especializados no Sistema Único de Saúde (SUS)”.

