Trabalhadores cobram redução de poeira e barulho em obras no Hospital do Servidor Municipal 

Vídeos e fotos mostram excesso de barulho em área de recuperação do centro cirúrgico e vazamentos de água
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Em obras, Hospital do Servidor Público Municipal funciona em meio a barulho, poeira e vazamentos. / Foto: Cecília Figueiredo

O Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo) denuncia que as obras que ocorrem no HSPM (Hospital do Servidor Público Municipal) acontecem em meio a poeira, sujeira e vazamentos.

Vídeo obtido com exclusividade pela reportagem da TVT News mostra barulho alto advindo da obra que chega até a área de recuperação do pós-anestésico, localizada no centro cirúrgico. Os vídeos – que estão em uma playlist no YouTube da TVT – e as fotos foram feitos por usuários e trabalhadores que não quiseram se identificar e a identidade de todos que aparecem nas gravações foram preservadas.

A TVT News procurou a prefeitura para explicar as denúncias, mas a admnistração municipal respondeu com uma nota protocolar (veja ao final desta reportagem), afirmando que as obras são “constantemente acompanhados pelas equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar do HSPM“.

Confira o vídeo com barulho de obra escutado a partir do centro cirúrgico

O vídeo do barulho na ala é deste mês de julho, mas a situação não é um caso isolado. Em outra gravação, de abril deste ano, é possível ver um procedimento cirúrgico acontecendo, ao mesmo tempo, em que, a metros do local, trabalhadores tentam conter vazamento de água vindo do teto.

Ainda, em outro vídeo, também no episódio do vazamento em abril, um paciente é transportado numa maca, enquanto funcionários tentam puxar uma grande quantidade de água.

O que diz a denúncia do Sindsep

Segundo a diretora do Sindsep, Flávia Anunciação, as imagens mostram um descaso com a vida das pessoas. “A paciente que estava dentro do centro cirúrgico, o filho de alguém que está dentro da UTI, a pessoa, o pai de alguém que está dentro da UTI, ele não tem como se defender”, afirmou.

Recentemente, em junho deste ano, vídeos, também obtidos pela reportagem, mostram poeira e barulho enquanto pacientes aguardam próximo ao local em que ocorrem as obras. Paciente do hospital, a servidora Roseclea Aparecida 54, relatam que os barulhos vêm desde o início das obras.

“Minha filha fez dez sessões de fisioterapia e ficava o barulho o tempo todo da obra. Imagina a dificuldade de quem precisa trabalhar com o baraulho, que não acaba nunca. Você está ali sentado para ser atendido e passam com escada, com andaime, é tudo junto”, contou.

Anunciação afirma que, o que está sendo utilizando para segurar a poeira é fita crepe e plástico e, por isso, a maior preocupação é a Aspergilose. A doença é causada pelo fungo Aspergillus, que entra no organismo humano pela inalação de esporos por indivíduos com imunidade baixa. “Você encontra muito a contaminação dos trabalhadores na construção civil, justamente por conta do uso inadequado ou falta de uso de EPI”, ponderou.

Plano de contigência

O Sindsep reconhece a importância das reformas, mas defende que toda reforma ou construção precisa mitigar as possibilidades de intercorrência com foco em proteger a saúde dos usuários e trabalhadores.

Existe uma norma da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) 50/2022, que dispõe sobre o regulamento técnico e o planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.

De acordo com Anunciação, em qualquer hospital, principalmente nos privados, existe um plano de contingência para trabalhar com ruído, pó e entulho. “[No HSPM] tem um documento que afirma que estão alinhados com a RDC 50, só que na hora da execução, os responsáveis abandonam esse fluxo e fazem um mesmo plano para todas as áreas do hospital. Não é aceitável que você tenha o mesmo tipo de contenção, de resíduo, de poeira, de barulho dentro de um centro cirúrgico e na recepção”, criticou.

Problema recorrente

Em torno do hospital, existem seis placas sobre obras e contratação. No dia 7 de julho, às 8h, uma das placas indicava que as obras no Hospital do Servidor — que começaram em outubro do ano passado — seriam finalizadas em junho de 2026. Minutos depois, um funcionário colou um adesivo e a placa teve a data alterada por uma tarjeta para 20/08/2026.

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Primeira foto tirada, às 8h (07/07) mostra um prazo de entrega, alterado por funcionário com uso de tarja minutos depois./ Fotos: : Cecilia Figueiredo

Entre as fotos e vídeo obtidos pela reportagem com datas que variam entre abril e julho deste ano, constam escadas interditadas, vazamentos no telhado, elevadores interditados e uma pessoa sendo transportada em uma maca, enquanto funcionários tentam secar piso tomado por água. Os elevadores parados e obras nas escadas preocupam por dificultar a acessibilidade.

Aparecida relata que já ficou em fila para conseguir pegar o elevador dos fundos com o filho que tem mobilidade reduzida. “Os dois elevadores principais estavam interdidatados. Eu falei, “eu não vou subir com ele [de escada]. O elevador é bem pequeninho, então, se entra uma cadeira de rodas, o máximo que cabe, duas pessoas”, disse.

Para tratar de temas com a reforma, o hospital possuia um Conselho Gestor tripartite, formado por usuários, representantes dos funcionários e da administração, mas o conselho foi extinto e substituído por um conselho deliberativo, com indicados pela prefeitura.

A usuária do hospital disse considerar a demora na obra uma falta de respeito. “Como que essas obras, um prédio de 19 andares, eles terminam em menos de um ano e uma obra num hospital demora?”, questionou.

Outro lado

A reportagem solicitou nota para a prefeitura, questionando se a administração municipal está ciente dos problemas que envolvem poeira, barulho, vazamentos, interdição de elevadores e escadas e, questionou o que tem feito para mitigar os impactos.

Além disso, perguntou se existe um plano de contigência e quais os motivos levaram a modificação do prazo de finalização da obra e obteve a seguinte resposta:

“A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que o Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM) mantém o funcionamento regular de seus serviços, garantindo a assistência aos pacientes. De janeiro a junho de 2026, a unidade realizou 187.024 atendimentos ambulatoriais e 50.405 nos Prontos-Socorros. 

Atualmente, o HSPM passa por um amplo conjunto de obras para a modernização de suas antigas instalações, previstas para serem concluídas até o final deste ano. Os serviços são constantemente acompanhados pelas equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar do HSPM. 

O hospital possui um plano de contingência que é acionado sempre que necessário, elaborado pela Diretoria de Atenção à Saúde, Departamento de Engenharia e Manutenção, Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e Segurança do Trabalho, assegurando a adoção de medidas técnicas e operacionais para reduzir impactos e preservar a segurança de pacientes e profissionais”. 

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