Parte dos superintendentes regionais da Polícia Federal passou a discutir a possibilidade de entregar os cargos em solidariedade ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A informação é da colunista Bela Megale, de O Globo. Leia em TVT News.
Segundo a apuração, a iniciativa é defendida por integrantes das 27 superintendências da PF como forma de demonstrar insatisfação com o afastamento de Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A eventual saída coletiva ainda não foi decidida. A proposta está sendo debatida internamente e tem como objetivo também sinalizar oposição ao que integrantes da corporação consideram uma interferência do ministro na estrutura da Polícia Federal.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Clima de tensão na cúpula da Polícia Federal
De acordo com Bela Megale, o ambiente entre integrantes da cúpula da PF é marcado por “indignação e revolta” após a decisão que retirou Rodrigues temporariamente do comando da instituição.
O afastamento foi determinado por Mendonça sob o argumento de que o diretor-geral teria sido alvo de um suposto monitoramento ilegal e sistemático conduzido pela área de inteligência da própria Polícia Federal.
A decisão foi tomada a partir de um pedido apresentado pelo partido Novo. Além de Rodrigues, Mendonça também determinou o afastamento do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa.
Peritos defendem análise do caso pelo plenário do STF
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) classificou como de “excepcional gravidade” o afastamento de Andrei Rodrigues e defendeu que a decisão de André Mendonça seja analisada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Para a entidade, uma medida que atinge diretamente o comando da Polícia Federal precisa estar amparada em indícios concretos e verificáveis e respeitar o contraditório e a ampla defesa.
A associação também afirmou que a avaliação pelo colegiado daria maior legitimidade à decisão, diante dos impactos sobre a condução da segurança pública e o equilíbrio entre os Poderes. No mesmo posicionamento, a APCF defendeu uma PF “forte, técnica e independente”.
Ministro questiona relatórios de inteligência
Na decisão, Mendonça citou seis relatórios elaborados pela área de inteligência da PF entre 3 e 31 de agosto. Os documentos continham análises sobre a atuação do ministro e sobre uma suposta relação entre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Para Mendonça, o conjunto dos documentos indicaria que ele teria sido acompanhado de maneira irregular durante mais de um mês. O ministro também questionou a forma como informações sobre sua atuação e seus contatos foram reunidas pela inteligência da corporação.