Thiago Ávila é deportado por Israel após prisão ilegal

Ativista passou 10 dias detido após interceptação da Flotilha Global Sumud em águas internacionais; governo Lula classificou prisão como “injustificável”
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Thiago Ávila e o ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek foram levados ilegalmente para Israel para interrogatórios. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ativista brasileiro Thiago Ávila foi deportado por Israel na madrugada do domingo (10), após passar dez dias detido por autoridades israelenses em meio à interceptação da Flotilha Global Sumud, missão humanitária que tentava romper o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza desde 2007. Saiba os detalhes na TVT News.

Interceptação em águas internacionais

Ávila havia sido preso em 30 de abril, quando forças navais israelenses abordaram a embarcação em águas internacionais próximas à ilha de Creta, na Grécia. A flotilha reunia 175 ativistas de diferentes nacionalidades e partiu de portos na França, Espanha e Itália com carregamentos de ajuda humanitária destinados à população palestina em Gaza.

Enquanto a maior parte dos integrantes da missão foi liberada ainda em território grego, Thiago Ávila e o ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek foram levados para Israel para interrogatórios.

Acusações de Israel

O governo ilegítimo de Israel alegou que ambos teriam cometido crimes relacionados à violação do bloqueio naval e os classificou como “provocadores profissionais”.

Israel afirmou que Ávila foi investigado por suposta “atividade ilegal” e por “auxílio ao inimigo”. Já Keshek teria ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização que os Estados Unidos alegam atuar em favor do Hamas.

A defesa dos ativistas negou qualquer relação com grupos armados, já que a missão tinha caráter exclusivamente civil e humanitário.

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Denúncias de maus-tratos

A ONG Adalah, responsável pela defesa jurídica dos ativistas, denunciou que os dois sofreram maus-tratos durante o período de detenção em Ashkelon.

Entre as acusações estão isolamento em celas, exposição contínua à luz intensa durante 24 horas por dia, interrogatórios de até oito horas e uso de vendas nos olhos durante deslocamentos e exames médicos.

Repercussão diplomática

A prisão de Thiago Ávila provocou reações diplomáticas internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a detenção como “injustificável” e afirmou que o caso causava uma “grande preocupação” ao governo brasileiro.

A Organização das Nações Unidas e o governo da Espanha também cobraram a libertação imediata dos ativistas e questionaram a legalidade da operação israelense em águas internacionais.

Retorno ao Brasil

Após a conclusão das investigações, Israel anunciou a deportação dos dois ativistas. Thiago Ávila foi levado inicialmente ao Cairo, no Egito, antes de seguir para Atenas, na Grécia, de onde embarcou para retornar ao Brasil.

O Itamaraty informou que acompanhou o caso por meio da embaixada brasileira em Tel Aviv até a libertação do ativista.

Além de Ávila, outros brasileiros participaram da missão humanitária, entre eles Amanda Coelho Marzall, Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogério, que também chegaram a ser detidos durante a interceptação da flotilha.

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