Marcha dos Trabalhadores entrega carta para Lula

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Centrais Sindicais se reúnem com o presidente Lula no dia da Marcha da Classe Trabalhadora. Foto: Guilherme Kardel

As ruas da capital federal foram tomadas nesta quarta-feira (15) pela Marcha da Classe Trabalhadora. Milhares de manifestantes, vindos de diversas regiões do país, concentraram-se na Esplanada dos Ministérios para pressionar os Três Poderes por reformas trabalhistas, com foco no fim da escala 6×1 e na redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Ao fim da Marcha, Lula e presidentes do Congresso e Câmara receberam carta com propostas. Leia em TVT News.

Centrais sindicais entregam carta para Lula

Luiz Marinho, ministro do Trabalho, abriu o evento com o presidente Lula, saudando as lidrenças sindicais presentes, Ministro Boulos, vice presidente Geraldo Ackmin e ministro José Guimarães. O a carta reúne 68 reivindicações de trabalhadores para 2026-2030.

“Eles [os trabalhadores] apresentam pautas importantes (…) o projeto de redução da jornada de trabalho sem redução de salário com duas folgas na semana. Portanto, fim da escala 6×1, a mais cruel das escalas de trabalho principalmente para as mulheres”, disse Marinho.

A primeira fala da noite de entrega da carta ao presidente Lula foi a do coordenador do fórum das centrais, Clemente Ganz, que destacou que objetivo com a entrega da carta é olhar para o mundo do passado pensando que é um mundo em profunda transformação.

“Essa pauta olha para o futuro e nós partimos do pressuposto de que não podemos continuar olhando o futuro pelo retrovisor. Nós temos que continuar olhando para o mundo do trabalho em profunda transformação tecnológica”, disse o coordenador.

Ao entregar os documentos que detalham as propostas a longo prazo e a agenda legislativa no Senado, Clemente destacou que o objetivo é consolidar um processo de construção coletiva iniciado no governo atual, celebrando o fato de que o país conseguiu “sair da página policial e voltar para a página da política, economia e trabalho”.

Em seguida, Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) foi quem recebeu a palavra. Patah destacou sua preocupação com a questão dos motoristas de aplicativo, que para ele deve ser um esforço e uma preocupação central do governo.

“Enquanto eu estou falando, está morrendo um motoboy. Quem é que está se preocupando com a saúde dessas pessoas? O ministro Marinho tem essa preocupação; é fundamental se preocupar com a vida, com a juventude, que representa o futuro do nosso país. E viva os trabalhadores!”, disse.

Miguel Torres, presidente da força sindical, relembrou a importância do movimento sindical e destacou a importância da redução da jornada, já que a última foi há 38 anos.

Presidenta da nova central sindical de trabalhadores (NCST), Sonia Zerino, destacou a luta do combate ao feminicídio.

“Hoje a gente sabe que o Brasil tem um número muito expressivo de feminicídio. A cada dia morrem 6 mulheres em nosso país vítimas de feminicídio (…) Nós precisamos fazer esse combate por meio das centrais sindicais…”, disse Sonia em evento da entr

A presidenta também pediu ao Lula que ajudasse nesse trabvalho com acordos coletivos para que se tenha o combate da violência contra mulher, já que o feminicídio se potencializou nos últimos anos.

Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, saudou líderes do governo a agradeceu pelo trabalho realizado.

“Só um governo com sensibilidade poderia ter esse compromisso com o nosso povo”, disse o líder

Em sua fala, Adilson também ressaltou as dificuldades na vida das famílias que devem ser destacadas, como o encarecimento dos preços. “Não foi fácil a gente estar aqui, mas eu sei do compromisso do presidente Lula”, disse.

Adilson lamentou pelo fato do Banco Central não ter escutado o povo e manter taxas de juros tão altas que prejudicam o trabalhador e pediu que algo fosse feito. “A gente quer um Brasil preparado para os desafios que não são pequenos…”, completou.

Nós vamos lutar pelo fim da escala 6×1, mas vamos precisar de juros moderados para que possamos enfrentar essas batalhas”, completou.

Já José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor, falou da importância de um projeto de mesa de negociação com os estados.

Presidente da Central dos Sindicatos brasileiros (CSB), Antonio Neto, saudou todos presentes na entrega da carta ao Lula antes de ressaltar um tema, que para ele é central: a pejotização. Para ele, a dignidade do trabalho e o direito do povo brasileiro não podem ser negociados.

Neto alertou para os riscos da “pejotização irrestrita”, classificando o fenômeno como o “enterro dos direitos laborais” e uma “radicalização mais profunda da reforma trabalhista”, realizada não pelo debate democrático, mas por “via interpretativa”.

Ao definir a transformação de funcionários em pessoas jurídicas como uma “fraude com ‘sabor de modernidade'”, o discurso enfatizou que tal prática é uma “afronta ao Estado Democrático” que “institucionaliza a barbárie”, gerando impactos que vão além do campo trabalhista para se tornar uma “bomba fiscal” que desorganiza o FGTS e a Previdência.

“Se esse entendimento avançar no STF, todo o esforço do seu governo corre o risco de ser completamente esvaziado; não haverá política pública capaz de segurar direitos se a base do vínculo de trabalho for destruída”, alertou o presidente da CSB.

A Nilza Almeida, Secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, deu continuidade ao debate sobre a pejotização. Para ela, foi a reforma trabalhista de 2017 que abriu um cardápio de possibilidade de contratação inclusive a pejotização.

“Eu tenho um menino em casa que é MEI e eu falei para ele: ‘Vamos viajar e emendar o feriado de segunda-feira’ e ele disse ‘Não posso se não eles me descontam 4 dias de férias’ e eu falei ‘como assim? Tu é MEI, cara…”, disse a Secretária.

Quem seguiu foi Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), falou da reorganização do modelo sindical que nasceu para representar os trabalhadores que tem carteira assinada, mas que metade dos trabalhadores hoje não possuem carteira assinada e fogem desse modelo de negociação.

“Nós queremos revereter, queremos sindicatos mais amplos e mais fortes e não sindicatos que estão se fragmentando como nos últimos anos… Nós apresentamos uma pauta que pensa o futuro, mas nós temos muito claro que essa pauta só vai ser conquistada se o senhor continuar a nos governar nesse período…“, disse.

Depis de Nobre, Boulos recebeu a palavra e ressaltou que está vivendo um dia histórico para os trabalhadores brasileiros e parabenizou as centrais e os sindicatos por mostrarem a força da Classe Trabalhadora. Além disso, parabenizou o presidente Lula pela atitude corajosa de enviar o projeto de lei com regime de urgência sobre a redução da jornada 6×1.

“Hoje foi publicado no Diário Oficial a atitude corajosa de Lula, com regime de urgência para acabar com a jornada 6×1 nesse país. Às vezes, quando a gente não olha na perspectiva histórica, a gente pode não valorizar a grandeza desse gesto: há 38 anos, desde a Constituição, que não se muda a jornada de trabalho”, disse Boulos

Com organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, a Marcha da Classe Trabalhadora 2026 reuniu diversas caravanas pelo país. A concentração começou por volta das 8 horas no estacionamento do Teatro Nacional e a plenária, que estava prevista para às 9h, começou com um pouco de atraso, por volta das 10h e a marcha começo 11h.

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Marcha Trabalhadores entrega carta com demandas ao presidente Lula. Foto: Emilly Gondim
Marcha dos Trabalhadores em Brasília pede fim da escala 6×1 em carta para presidente Lula nesta quarta (15) – Foto: Ricardo Weber/TVT
Marcha dos Trabalhadores nesta quarta defende direitos das mulheres (15) – Foto: Ricardo Weber/TVT

Goiás, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro… o Brasil inteiro: essas foram as respostas dos trabalhadores quando questionados sobre seus estados. Com cartazes pelo fim da escala 6×1 e direito da vida das mulheres, todos marcharam rumo à Esplanada dos Ministérios. A caminhada é de 1km e o sol é intenso.

TVT News entrevista trabalhadores durante a marcha

“Os servidores nao fazem guerra porque querem, a greve é um instrumento de lutra, por isso a negociação é importante”, disse servidora a repórter Emilly Gondim

“Nós não queremos mais essa escala que escraviza não. Nós queremos ter uma vida com nossos filhos e nossa família”, disse trabalhadora ao repórter Ricardo Weber

A plenária

A TVT News entrevistou algumas lideranças políticas e sindicais durante a plenária. Em conversa com o repórter Ricardo Weber, Maria do Rosário, deputada pelo PT, destacou a impostância da marcha: “Eu acredito que quando a gente tem toda a jornada aqui, fortalece aquele lado que o presidente Lula respresenta”, disse.

Além da defesa pelo fim da escala 6×1, PL enviada nesta terça ao Congresso pelo presidente Lula, muitas falas durante a plenária também destacaram o recorte de gênero nesse debate. Durante seu discuso, Guilherme Boulos ressaltou que as mulheres são as que mais sofrem com escala.

“Para a trabalhadora, o fim da 6 por 1 é ainda mais importante porque, infelizmente, a gente ainda tem uma cultura muito machista, que na cabeça das pessoas é a mulher que tem que fazer o serviço de casa, e o único dia de descanso que a trabalhadora tem é para arrumar a casa, lavar a louça e fazer a comida. Agora a gente vai tirar essa trabalhadora do sufoco e dar mais um dia de descanso para ela”, disse o ministro

Para a TVT, Ricardo Patah defendeu que a importância da marcha reside em mostrar a unidade dos trabalhadores. Dayvid Bacelar também acredita que a marcha serve para pressionar o Congresso nacional “para que ele deixe de ser inimigo do povo e se torne amigo do povo”.

“Vamos ver que deputado e que senador vão querer votar contra a classe operária e trabalhadora”, disse Antonio Neto presidente da CSB ao jornal da TVT.

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