Trump visita a China pela primeira vez no atual mandato

Encontro oficial entre os líderes das duas maiores economias ocorre entre os dias 13 e 15 de maio, sob tensão causada pela guerra no Oriente Médio e sanções econômicas
O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento com líderes empresariais no Grande Salão do Povo, em Pequim, em 9 de novembro de 2017. | Crédito: Nicolas Asfouri / AF

O governo da China confirmou a realização de uma visita de Estado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país entre os dias 13 e 15 de maio de 2026. Leia em TVT News.

O anúncio, feito pela agência estatal Xinhua, marca o primeiro encontro presencial entre os líderes das duas maiores economias do mundo desde o retorno de Trump à Casa Branca. A agenda oficial inclui cerimônias protocolares, reuniões bilaterais e um banquete de Estado em Pequim.

A confirmação por parte das autoridades chinesas ajusta o cronograma anteriormente divulgado pela Casa Branca, que previa o início da viagem apenas para o dia 14 de maio. Além do compromisso em solo asiático, existe a previsão de que o presidente chinês, Xi Jinping, realize uma visita oficial a Washington em data futura, ainda sob negociação entre as chancelarias.

Pauta bilateral: Irã e relações comerciais

A visita ocorre em um momento de guerra. Estados Unidos e Irã ainda negociam os termos para o encerramento do conflito no Oriente Médio. De acordo com informações obtidas pela agência AFP junto a funcionários do governo norte-americano, Trump pretende exercer pressão sobre Xi Jinping em relação ao suporte econômico que a China oferece ao regime iraniano.

Os tópicos centrais da pressão estadunidense envolvem:

  • As receitas geradas pela venda de petróleo iraniano e russo para o mercado chinês.
  • A comercialização de produtos de “dupla utilização”, que possuem aplicação tanto no setor civil quanto no militar.
  • As recentes sanções impostas pelos Estados Unidos contra empresas chinesas relacionadas à guerra no Oriente Médio.

Segundo autoridades de Washington, Trump já discutiu em diversas oportunidades com o líder chinês as implicações financeiras desse intercâmbio comercial para a segurança global. Pequim, por sua vez, mantém-se como um dos principais aliados do Irã, o que estabelece um ponto de atrito direto nas negociações.

Estratégia diplomática e estabilidade global

O Ministério das Relações Exteriores da China manifestou, nesta segunda-feira (11), que o país está preparado para o diálogo e que os chefes de Estado realizarão “discussões aprofundadas sobre questões importantes relacionadas às relações sino-americanas e à paz e ao desenvolvimento globais”.

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Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria chinesa, destacou a importância estratégica do encontro para a orientação das políticas entre as duas nações. O representante afirmou que o governo chinês busca trabalhar com base na igualdade e no respeito mútuo para gerenciar as diferenças existentes. A meta declarada por Pequim é injetar previsibilidade em um cenário internacional marcado por turbulências.

Apesar das declarações diplomáticas de amizade feitas por Trump em relação a Xi Jinping, o contexto político é de rivalidade. Um documento oficial divulgado pelo governo dos Estados Unidos em janeiro deste ano classifica a China como o maior adversário sistêmico do país para os próximos anos.

Soberania e parcerias econômicas

A visita também levanta questões sobre o equilíbrio de poder e a soberania nas relações comerciais. Em comunicações anteriores, o governo brasileiro, por meio do presidente Lula, já havia pontuado que o desinteresse dos Estados Unidos pela América Latina nos últimos anos permitiu que a China avançasse em licitações de infraestrutura e parcerias estratégicas, como na área de ferrovias e minerais críticos.

A administração Trump tem adotado uma postura de defesa do unilateralismo por meio de taxações, enquanto Pequim defende a expansão da cooperação dentro do espírito de benefício mútuo. Esse embate de modelos econômicos servirá de pano de fundo para as discussões sobre terras raras e a exploração de riquezas minerais, temas que interessam a ambas as potências.

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