Vacina da dengue: o que muda após suspensão do imunizante do Butantan?

Ministério da Saúde interrompeu aplicação preventiva da Butantan-DV após registros de eventos adversos graves; Qdenga segue disponível no SUS
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Até o momento, cerca de 501 mil doses da vacina contra a dengue haviam sido aplicadas em profissionais de saúde e em projetos-piloto em municípios selecionados. Foto: shammiknr/Pixabay

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, chamada Butantan-DV, após o registro de eventos adversos graves em pessoas vacinadas. A medida, anunciada na segunda-feira (8), foi tomada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e comitês técnicos de farmacovigilância. Saiba os detalhes na TVT News.

Até o momento, cerca de 501 mil doses haviam sido aplicadas em profissionais de saúde e em projetos-piloto em municípios selecionados. Dois óbitos suspeitos estão sob investigação, mas ainda não há comprovação de relação direta entre a vacina e os casos.

A seguir, confira o que se sabe até agora sobre a suspensão e quais são as orientações para quem recebeu o imunizante.

A vacina contra a dengue foi cancelada?

Não. O Ministério da Saúde determinou apenas uma suspensão temporária e preventiva da aplicação da vacina Butantan-DV enquanto os casos são investigados. A decisão segue o princípio da precaução e não significa que a vacina tenha sido considerada insegura de forma definitiva.

Qual vacina foi suspensa?

A suspensão vale apenas para a Butantan-DV, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda e aplicada no SUS em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua sendo utilizada normalmente em todo o país.

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Por que a vacina do Butantan foi suspensa?

A medida ocorreu após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves entre aproximadamente 501 mil pessoas vacinadas.

Os casos apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue grave, como:

  • dor abdominal intensa;
  • vômitos persistentes;
  • sangramentos;
  • sinais de choque;
  • comprometimento neurológico em uma das ocorrências.

Dois óbitos suspeitos estão sendo investigados para verificar se houve relação com o imunizante.

Quantos casos graves foram registrados?

Segundo os dados do Ministério da Saúde:

  • 3.703 eventos adversos foram notificados, o equivalente a 0,7% dos vacinados;
  • 42 casos foram classificados como graves;
  • três episódios são considerados de alta gravidade e seguem sob investigação detalhada.

Os três casos mais graves ocorreram em profissionais da atenção primária à saúde.

Quem recebeu a vacina precisa se preocupar?

A orientação oficial é manter a calma. O Ministério da Saúde afirma que a eficácia da vacina contra os quatro sorotipos da dengue continua válida e que a suspensão não significa perda da proteção adquirida.

Os estudos clínicos apontaram eficácia geral entre 65% e 79,6%, podendo chegar a até 89% contra casos graves.

Quem deve ficar em alerta?

Pessoas vacinadas nas últimas três semanas devem monitorar o estado de saúde durante 21 dias após a aplicação, período em que ainda pode haver componentes ativos da vacina no organismo.

É recomendado procurar atendimento médico imediato em caso de:

  • febre persistente;
  • dor abdominal intensa;
  • vômitos contínuos;
  • sangramentos;
  • tontura;
  • sonolência excessiva;
  • irritabilidade;
  • sinais de desidratação.

Quem recebeu a vacina continua protegido?

Sim. O governo federal reforça que não há indicação de perda de eficácia do imunizante para quem já recebeu a dose.

A investigação busca entender se há fatores específicos relacionados aos casos graves identificados após o início da vacinação em larga escala.

Onde a vacina estava sendo aplicada?

A Butantan-DV vinha sendo utilizada em dois grupos principais:

  • profissionais da atenção primária à saúde em todo o Brasil;
  • moradores de municípios participantes de projetos-piloto.

As cidades contempladas foram:

  • Botucatu (SP);
  • Nova Lima (MG);
  • Maranguape (CE);
  • região de Araguaína (TO).

Segundo o Ministério da Saúde, não houve registro de eventos adversos graves nos projetos-piloto com a população geral.

O que acontece com as doses já distribuídas?

As vacinas não serão descartadas. O governo determinou que os estados e municípios mantenham as doses armazenadas na rede de frio até a conclusão das investigações conduzidas pela Anvisa, Ministério da Saúde e Instituto Butantan.

Há prazo para a vacinação ser retomada?

Ainda não. As autoridades sanitárias afirmam que a retomada dependerá da conclusão das análises técnicas e da avaliação sobre possível relação entre os casos graves e a vacina.

O cenário da dengue no Brasil continua preocupante?

Apesar da suspensão, o Ministério da Saúde afirma que o país vive um cenário epidemiológico mais favorável em 2026.

Segundo dados oficiais:

  • os casos prováveis de dengue caíram mais de 90% em comparação com 2024;
  • as mortes tiveram redução de 97% no mesmo período.

O governo afirma que a investigação transparente é necessária justamente para garantir segurança nas próximas etapas da vacinação contra a dengue no país.

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