Vox: Lula amplia vantagem após escândalo de Flávio Bolsonaro com Vorcaro

Pesquisa nacional aponta presidente com 46,8% no segundo turno contra 38,1% de Flávio Bolsonaro
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Divulgação de nova pesquisa ocorre em meio ao agravamento da crise política envolvendo o núcleo bolsonarista e o ex-controlador do Banco Master. Foto: Ricardo Stuckert/PR/Pedro França/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (20) pelo instituto Vox Brasil. O levantamento é o segundo de alcance nacional a apontar desgaste político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro após a divulgação de áudios e mensagens que o ligam ao banqueiro Daniel Vorcaro. Saiba mais na TVT News.

De acordo com os dados, Lula aparece com 46,8% das intenções de voto no cenário estimulado de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro soma 38,1%. Brancos e nulos representam 8,7%, e 6,4% dos entrevistados disseram não saber ou preferiram não responder.

O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 19 de maio, poucos dias após a publicação da série “VAZA FLÁVIO”, do The Intercept Brasil, que revelou conversas entre o senador e Vorcaro envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

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Segundo a Vox Brasil, Flávio perdeu 5,7 pontos percentuais desde o início da repercussão do caso, enquanto Lula avançou 6,6 pontos no mesmo período.

A pesquisa ouviu 2.100 pessoas em todo o país. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02416/2026.

Escândalo amplia desgaste do senador

A divulgação dos dados ocorre em meio ao agravamento da crise política envolvendo o núcleo bolsonarista e o ex-controlador do Banco Master.

As reportagens do Intercept revelaram que Flávio Bolsonaro teria negociado junto a Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para viabilizar “Dark Horse”. Até o momento, documentos divulgados indicariam transferências de aproximadamente R$ 61 milhões para estruturas ligadas à produção do filme.

Além disso, vieram à tona mensagens, contratos e áudios mostrando a participação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do deputado Mario Frias (PL-SP) nas articulações financeiras da produção cinematográfica.

As revelações desencadearam investigações no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal sobre possíveis irregularidades envolvendo financiamento privado, uso de fundos internacionais e destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme.

Na terça-feira (19), outro levantamento, divulgado pela AtlasIntel, já havia apontado deterioração da imagem do senador entre eleitores moderados e de centro. Segundo a pesquisa, mais de 45% dos entrevistados consideram a pré-candidatura de Flávio “muito enfraquecida” após as denúncias.

Lula também lidera no primeiro turno

Além da vantagem no segundo turno, a pesquisa Vox Brasil também mostra Lula à frente na simulação estimulada de primeiro turno.

Nesse cenário, o presidente aparece com 41,5% das intenções de voto, contra 32,1% de Flávio Bolsonaro.

Na sequência aparecem:

  • Ronaldo Caiado (PSD) — 5,9%;
  • Romeu Zema (Novo) — 4,1%;
  • Renan Santos — 1,5%;
  • Augusto Cury — 0,3%;
  • Cabo Daciolo — 0,2%;
  • Aldo Rebelo — 0,1%.

Outros 4,9% afirmaram votar branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados, enquanto 9,4% disseram não saber ou preferiram não responder.

Cenários alternativos favorecem Lula

A Vox Brasil também simulou disputas de segundo turno entre Lula e outros nomes cotados pela direita para a eleição presidencial.

Contra Romeu Zema (Novo), Lula aparece com 48,5%, enquanto o ex-governador mineiro registra 36,3%.

Já em um cenário contra Ronaldo Caiado (PSD), o presidente soma 47,8%, ante 34,1% do ex-governador goiano.

Os dados reforçam a leitura de que, apesar da movimentação da direita em torno da sucessão presidencial, o desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro produziu impacto mais imediato sobre o núcleo bolsonarista do que sobre outros nomes do campo conservador.

Voto consolidado e disputa aberta

Segundo a pesquisa, 56,3% dos entrevistados afirmaram que seu voto já está definido e não deve mudar até a eleição. Outros 32,5% disseram que ainda podem alterar sua escolha dependendo dos acontecimentos políticos até 2026. Já 11,2% não souberam responder.

A divulgação do levantamento ocorre em um momento de crescente pressão sobre o PL. Na terça-feira, o partido ingressou no TSE questionando metodologia de pesquisas recentes e alegando possível indução negativa contra Flávio Bolsonaro nos questionários aplicados aos eleitores.

Mesmo com a ofensiva jurídica da legenda, os primeiros levantamentos realizados após o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro indicam deterioração da competitividade eleitoral do senador e aumento da vantagem de Lula em cenários de segundo turno.

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