Aprovada licença-paternidade de 20 dias; veja regras e quando começa a valer

Projeto amplia afastamento de forma gradual, cria salário-paternidade e estabelece estabilidade no emprego após retorno do trabalhador
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O texto prevê que o afastamento passe a chegar a até 20 dias de forma progressiva nos próximos anos. Foto: nappy/Pexels

O Senado aprovou na quarta-feira (4) o projeto de lei que amplia a licença-paternidade no Brasil e estabelece novas regras para o benefício. O texto prevê que o afastamento, atualmente de cinco dias, passe a chegar a até 20 dias de forma progressiva nos próximos anos. A proposta segue agora para sanção do presidente Lula. Saiba os detalhes na TVT News.

O projeto regulamenta um direito previsto na Constituição de 1988, que até hoje era aplicado de forma provisória. A mudança também responde a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2023 apontou omissão do Congresso Nacional na regulamentação da licença-paternidade.

Ampliação será gradual até 2030

O texto aprovado estabelece um cronograma para a ampliação do período de afastamento. A ideia é implementar a mudança gradualmente para reduzir o impacto financeiro imediato.

O calendário previsto é o seguinte:

  • 2027 e 2028: licença de 10 dias
  • 2029: licença de 15 dias
  • 2030 em diante: licença de 20 dias

A última etapa, porém, dependerá do cumprimento da meta fiscal do governo federal em 2028. Caso o objetivo não seja atingido, o aumento final poderá ser adiado por um ano.

Criação do salário-paternidade

A proposta também cria oficialmente o salário-paternidade, um benefício previdenciário semelhante ao salário-maternidade.

Na prática, o trabalhador continuará recebendo a remuneração normalmente durante o período de afastamento. A empresa fará o pagamento ao funcionário e depois poderá solicitar reembolso à Previdência Social por meio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Micro e pequenas empresas também terão direito ao ressarcimento.

Segundo estimativas do governo, o custo do benefício deve chegar a cerca de R$ 3,3 bilhões em 2027, podendo atingir R$ 5,44 bilhões por ano quando a licença de 20 dias estiver totalmente implementada.

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Estabilidade e regras especiais

O projeto amplia a proteção aos trabalhadores e estabelece regras para situações específicas.

Entre os principais pontos estão:

  • Estabilidade no emprego: o trabalhador não poderá ser demitido sem justa causa durante a licença e até 30 dias após o retorno;
  • Adoção: pais adotantes ou responsáveis com guarda judicial também terão direito ao benefício;
  • Falecimento da mãe: o pai poderá ter até 120 dias de licença, equivalente ao período da licença-maternidade;
  • Filhos com deficiência: o período de afastamento será ampliado em um terço;
  • Violência doméstica: o benefício poderá ser suspenso ou negado por decisão judicial caso haja provas de violência familiar ou abandono material.

Impacto social e no mercado de trabalho

Segundo os parlamentares favoráveis ao projeto, a medida ajuda a reduzir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho e fortalece o vínculo familiar nos primeiros dias de vida da criança.

O texto mantém ainda o programa Empresa Cidadã, que permite às empresas oferecer 15 dias adicionais de licença para pais que trabalham em companhias participantes da iniciativa.

Após sanção pelo governo, a nova lei começará a valer a partir de 1º de janeiro de 2027.

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