Banco Central liquida braço do Banco Master

Decisão encerra operações do Master Múltiplo após fraudes investigadas pela PF e colapso de instituições ligadas a Daniel Vorcaro
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Banco Pleno integrava, até meados de 2025, o conglomerado financeiro do Banco Master. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A novela envolvendo o escândalo bilionário do Banco Master teve um novo capítulo nesta terça-feira (17), com o anúncio feito pelo Banco Central da liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo, que integra o grupo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Confira mais em TVT News.

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Master Múltiplo era o único braço do banco que ainda estava em operação, sob Regime de Administração Especial Temporária (RAET), uma medida de resolução que não interrompe nem suspende as atividades normais da instituição, mas busca prevenir fraudes e preservar sua saúde financeira. A medida foi adotada pelo Banco Central em novembro do ano passado, com duração de 120 dias.

A adoção do RAET foi justificada pelo alto risco à economia, já que a paralisação da instituição poderia comprometer a estabilidade financeira.

Em nota, o BC afirmou que a instituição “não possuía captação de depósitos do público e foi submetida ao RAET na tentativa de viabilizar a continuidade dos negócios de sua controlada Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento (Will Financeira)”.

O Will Bank, que também integrava o grupo de Daniel Vorcaro, teve sua liquidação anunciada em janeiro deste ano, gerando uma onda de incerteza para cerca de 12 milhões de clientes. A fintech teve suas operações encerradas após o avanço da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro do ano passado, quando foi identificada uma teia de fraudes envolvendo CDBs, tentativas de venda suspeitas e uso indevido de aposentadorias, culminando posteriormente na prisão de Vorcaro.

Com a liquidação do Will Bank em janeiro, o Banco Central concluiu não ser mais necessário manter o funcionamento do Banco Master Múltiplo.

O BC ressaltou que o prazo da intervenção na instituição se encerra em 18 de março e que “o relatório do administrador do regime foi apresentado em 12 de março de 2026, indicando que, com a decretação da liquidação extrajudicial da Will Financeira, por meio do Ato do Presidente nº 1.376, de 21 de janeiro de 2026, não mais subsistem motivos para o prosseguimento do RAET do Banco Master Múltiplo”.

Relembre o caso do Banco Master

No final de 2025, a Polícia Federal deflagrou a primeira etapa da Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro. A partir daí, veio à tona uma série de irregularidades cometidas pela instituição. Outras seis pessoas, além do banqueiro, também foram alvos de mandados de prisão, além do cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão.

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Foto: Reprodução

Vorcaro teve sua prisão revogada pouco tempo depois, mas voltou a ser preso em 4 de março. O caso teve desdobramentos no Supremo Tribunal Federal, quando o então relator, Dias Toffoli, declarou sua suspeição em 11 de março, após a divulgação de que era sócio de uma empresa que vendeu, a fundos ligados a Vorcaro, parte de um resort no interior do Paraná. O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do processo.

Além de Vorcaro, outras figuras surgiram nas investigações como parte de um esquema que inflava o valor de ativos financeiros para atrair mais clientes ao banco por meio de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), um tipo de investimento popular, com rentabilidade pré-definida e garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sendo, em geral, considerado seguro.

Desde que adquiriu o Banco Master (antigo Máxima), em 2019, Vorcaro elevou os ativos do conglomerado de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões em 2024.

Para isso, segundo as investigações, o banco teria maquiado números para manter sua base de clientes — cerca de 1,6 milhão — enquanto comprometia sua liquidez real, ou seja, os recursos disponíveis para ressarcir investidores.

As apurações também indicam a participação de outros fundos de investimento no esquema. A Reag Investimentos, citada em outra investigação da Polícia Federal — a Operação Carbono Oculto —, que apura a relação entre o setor de combustíveis, o PCC e instituições financeiras, recebia recursos de empresas recém-criadas com ativos no Banco Master, retirando esses valores do balanço da instituição, transferindo ao mercado de capitais.

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Foto: Divulgação

Essa manobra permitia a circulação do dinheiro por fundos ligados aos mesmos intermediários, sendo posteriormente utilizado para a compra de ativos de baixo ou nenhum valor real, como letras de crédito já extintas.

Toda essa movimentação mascarava a origem dos recursos provenientes do banco de Vorcaro que, após diversas transações, retornavam ao sistema e eram reinvestidos em CDBs no próprio Banco Master.

Seis fundos da Reag foram considerados suspeitos pelo Banco Central, com patrimônio total de R$ 102,4 bilhões, o que também culminou em sua liquidação em janeiro deste ano.

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