Estreito de Ormuz fechado ou aberto? Impasse diplomático trava rota do petróleo novamente

Trégua entre EUA e Irã entra na reta final sob risco de colapso, enquanto ataques, bloqueios e incertezas afetam o fluxo global de petróleo
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Fechamento promovido pelo Irã é arma econômica contra monarquias do golfo aliadas dos EUA. Foto: Bergadder/Pixabay

O status do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, permanece incerto nesta segunda-feira (20), em meio à tensão entre Estados Unidos e Irã. Embora não haja um fechamento formal total da via, o tráfego marítimo foi drasticamente reduzido no sábado (18), configurando uma paralisação parcial que já voltou a impactar os mercados globais. Entenda a situação com a TVT News.

A abertura da rota na sexta-feira (17) pelo Irã, que chegou a declarar que o Estreito estaria “completamente aberto” para embarcações comerciais durante o período de cessar-fogo duas semanas, foi rápida: no outro dia, o país iraniano anunciou o fechamento a via novamente, alegando “quebras de confiança” pela parte dos EUA.

O agravamento da crise foi desencadeado pela apreensão do navio iraniano Touska pela Marinha americana no Golfo de Omã no domingo (19). Segundo Washington, a embarcação tentou furar um bloqueio naval e ignorou repetidos avisos. O presidente Donald Trump afirmou que a operação “desativou” o navio ao atingir sua sala de máquinas. Teerã reagiu com dureza, classificando a ação como “pirataria marítima” e argumentou que houve violação direta do cessar-fogo vigente.

De acordo com a agência Tasnim, mídia estatal iraniana, a resposta do Irã incluiu ataques com drones contra embarcações estadunidenses no Golfo de Omã, ainda sem danos confirmados. O episódio elevou o risco de fechamento total do estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Impasse trava negociações

A crise naval também comprometeu a diplomacia. Uma nova rodada de negociações prevista para ocorrer na noite desta segunda em Islamabad corre o risco de fracassar.

Os EUA enviaram uma delegação liderada pelo vice-presidente JD Vance, mas o governo iraniano já indicou que não pretende participar enquanto o bloqueio naval persistir. O porta-voz Esmaeil Baghaei afirmou que o país não aceitará “ultimatos” e que a confiança entre as partes está rompida.

Enquanto isso, o Paquistão mobilizou cerca de 20 mil agentes de segurança para garantir um encontro que pode nem acontecer.

Petróleo sobe e rota fica quase paralisada

A instabilidade no Estreito de Ormuz teve impacto imediato na economia global. O barril do petróleo Brent subiu cerca de 5%, aproximando-se de US$ 95. O fluxo de navios caiu drasticamente, com poucas travessias registradas em um período de 12 horas.

Especialistas consultados pela BBC Internacional apontam que, mesmo sem bloqueio oficial, a insegurança já é suficiente para afetar cadeias de abastecimento e elevar custos energéticos em escala mundial.

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Guerra paralela entre Israel e Líbano segue frágil

Em paralelo, um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano permanece em vigor, mas sob forte tensão.

O presidente libanês Joseph Aoun tenta dissociar seu país da crise entre EUA e Irã, enquanto negociações próprias avançam. Ainda assim, o Al Jazeera relata destruição em dezenas de vilas no sul libanês e danos graves à infraestrutura, incluindo cinco das seis pontes principais sobre o Rio Litani, utilizadas para transporte de ajuda e retorno de civis.

Um soldado israelense destruiu uma estátua de Jesus Cristo com uma marreta no sul do Líbano. A ação foi considerada pelo primeiro-ministro de Israel, o genocida Benjamin Netanyahu, um ato “vergonhoso”.

Cenário em aberto

Com o cessar-fogo entre EUA e Irã previsto para expirar na quarta-feira, 22 de abril, o cenário é de máxima incerteza.

Na prática, o Estreito de Ormuz não está totalmente fechado, mas tampouco opera normalmente. A região vive um bloqueio indireto, marcado por risco militar elevado, retração do tráfego marítimo e ausência de garantias de segurança.

Se não houver avanço diplomático nos próximos dias, o estreito pode, de fato, ser fechado, o que seria um novo choque imediato na economia global e um novo patamar de escalada no conflito.

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