A Guarda Revolucionária do Irã apreendeu dois navios mercantes estrangeiros no Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (22). A ação ocorreu poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a extensão de um cessar-fogo com Teerã, mantendo, no entanto, o bloqueio naval aos portos iranianos. Entenda a situação na TVT News.
Segundo autoridades iranianas, as duas embarcações — o MSC Francesca, de bandeira panamenha, e o Epaminondas, grego — foram apreendidas por supostas violações marítimas, como operar sem autorização e adulterar sistemas de navegação. Um terceiro navio, o Euphoria, foi alvo de disparos, mas conseguiu se deslocar até águas próximas aos Emirados Árabes Unidos.
Confrontos no estreito e risco à navegação
O ministro das Relações Exteriores da Grécia, Giorgos Gerapetritis, indicou à CNN Internacional que a embarcação Epaminondas sofreu danos extensos após ser atingido por disparos de uma lancha Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), mas não confirmou a apreensão iraniana. Já o MSC Francesca teria sido danificado próximo à costa iraniana. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo global.
A crise também afeta diretamente trabalhadores do setor marítimo. De acordo com o chefe da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, cerca de 20 mil marinheiros permanecem retidos na região, enfrentando escassez de suprimentos e pressão psicológica diante da insegurança crescente.
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Impasse diplomático e acusações mútuas
Enquanto os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval como instrumento de pressão, o Irã afirma que não reabrirá o estreito sob essas condições. O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf classificou a ação estadunidense como uma violação do cessar-fogo e acusou o país de “fazer a economia mundial refém”.
O repórter Ali Hashem, da Al Jazeera, afirma diretamente que a apreensão dos navios pode ser uma retaliação direta à captura de uma embarcação iraniana por forças americanas dias antes, intensificando o ciclo respostas entre os dois países.
Impactos econômicos imediatos
A instabilidade no Golfo Pérsico já provoca efeitos globais. O preço do barril do petróleo tipo Brent subiu e ultrapassou os US$ 102, refletindo o temor de interrupções no fornecimento. No setor aéreo, companhias como Lufthansa e United Airlines enfrentam aumento expressivo nos custos de combustível, resultando em cancelamentos de voos e passagens mais caras.

