Uma decisão recente da Procuradoria de Proteção Ambiental do Estado do México, no México, desencadeou uma disputa inusitada e bem-humorada nas redes sociais latino-americanas. O órgão anunciou o reconhecimento do chamado “perrito amarillo”, o tão conhecido cachorro vira-lata caramelo no Brasil, como uma raça nacional, colocando o animal ao lado de ícones tradicionais como o Xoloitzcuintli e o Chihuahua. Entenda na TVT News.
Medida vira debate cultural
A iniciativa mexicana não tem caráter estritamente científico. Segundo autoridades locais, o objetivo principal é combater o preconceito contra cães sem pedigree e incentivar a adoção em um país que enfrenta uma grave crise de abandono animal. Estima-se que o México tenha cerca de 29,7 milhões de cães e gatos em situação de rua, com aproximadamente 70% dos cães vivendo sem tutor.
A estratégia busca transformar a percepção social desses animais, frequentemente negligenciados, em símbolos de identidade e responsabilidade coletiva.
Brasileiros reagem: “símbolo nacional”
A repercussão no Brasil foi imediata. Internautas passaram a reivindicar o “vira-lata caramelo” como patrimônio cultural brasileiro, gerando uma onda de comentários irônicos e nacionalistas nas redes.
Expressões como “roubaram nosso símbolo” e “isso é papo de guerra” viralizaram, ainda que em tom de humor. O animal, que já é protagonista de memes, blocos de Carnaval e produções audiovisuais, é reconhecido como um ícone popular no país.
Curiosamente, a decisão mexicana teria sido inspirada por uma campanha brasileira de 2025 que buscava justamente valorizar o caramelo como símbolo cultural e aumentar sua adoção.
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Reconhecimento esbarra na ciência
Apesar do anúncio oficial, especialistas destacam que o “cachorro caramelo” não atende aos critérios técnicos exigidos pela Fédération Cynologique Internationale para o reconhecimento de uma raça.
Entre as exigências estão estabilidade genética comprovada, linhagens definidas e acompanhamento por várias gerações, requisitos que não se aplicam ao caramelo, cuja principal característica é justamente a miscigenação.
Esses cães possuem traços genéticos de centenas de raças diferentes, sendo sua aparência padronizada resultado de adaptação ao ambiente, especialmente ao clima quente.
Fama contrasta com abandono
Apesar da popularidade nas redes, a realidade desses animais segue preocupante. Tanto no México quanto no Brasil, cães de pelagem amarelada estão entre os mais abandonados e menos adotados.
Dados apontam que, enquanto raças consideradas “puras” recebem grande procura, os caramelos podem passar anos em abrigos sem interessados. No México, mais de 1.300 animais são abandonados diariamente, e políticas públicas ainda incluem medidas controversas, como o sacrifício em massa para controle populacional.
Veja alguns memes:


