O Sindicato dos Metroviários de São Paulo anunciou greve de 24 horas para a próxima quarta-feira, dia 13 de maio. A decisão, que afeta as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata, é uma resposta à falta de negociações por parte da Companhia do Metrô e à deterioração das condições de trabalho e segurança no sistema estatal. Leia em TVT News.
Em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição, o presidente do sindicato, Dagnaldo Gonçalves Pereira, denunciou o descaso da gestão estadual com as cláusulas fundamentais do acordo coletivo e alertou para o risco que a redução drástica no quadro de funcionários impõe aos passageiros e trabalhadores.
Fazer greve é “último recurso”, diz presidente do sindicato
Segundo o dirigente, a categoria buscou o diálogo para revisar pontos sensíveis do contrato, mas encontrou as portas fechadas.
“A gente chamou o Metrô para fazer uma negociação dessas cláusulas que a gente está questionando. E em nenhum momento ele quis nos receber. A gente sabe que trabalhador não gosta de fazer greve; a gente faz greve quando esse é o último recurso que a gente tem”, desabafou Dagnaldo à TVT News.

Entre os pontos críticos está o déficit de 33 milhões de reais no plano de saúde da categoria. O presidente explica que a dívida foi gerada pela própria política do governo Tarcísio de Freitas, que reduziu o quadro de pessoal em 40%.
“O Metrô alega que essa dívida é nossa. E a gente sabe que essa dívida foi criada por causa da redução de quadros (…) e por isso a arrecadação caiu”, afirmou.
Sobrecarga e redução de metroviários
Dagnaldo reforçou que o número de funcionários caiu na última década, chegando ao atual contingente de 5.663 trabalhadores para dar conta de toda a operação, manutenção e segurança:
“O pessoal está se matando aqui dentro. Você imagine: nós tínhamos um quadro, há quatro anos, de 8.500 pessoas. Hoje nós temos 5.600 pessoas. Imagine o que as pessoas estão fazendo para poder fazer o Metrô rodar.”

O sindicato exige a abertura imediata de concurso público para repor essas vagas, argumentando que os resultados positivos nas pesquisas de satisfação dos usuários, que chegaram a 76,3% de aprovação em 2025, são fruto exclusivo da sobrecarga e do sacrifício da saúde dos metroviários.
Privatiza que melhor? O risco dos descarrilamentos
Durante a entrevista, o presidente rebateu a narrativa de eficiência do setor privado, citando os recentes problemas nas linhas geridas por concessionárias, como a Linha 4-Amarela e as linhas da CPTM que foram privatizadas. Dagnaldo enfatizou que, nas linhas estatais operadas desde 1974, nunca houve descarrilamentos em operação comercial graças à manutenção preventiva rigorosa, algo que ele vê como ameaçado.
“As linhas que foram privatizadas não fazem isso. As linhas da CPTM que foram privatizadas tiveram mais de 10 descarrilamentos. Isso está acontecendo porque, quando você privatiza, a pessoa só está visando o lucro, então ela não faz manutenção preventiva”, criticou o dirigente.
Segundo ele, há uma estratégia em curso para sucatear o serviço público: “O que eles estão querendo fazer é deteriorar o sistema para falar que tem que privatizar. Isso não aconteceu ainda por esforço dos metroviários.”
Defesa da Tarifa Zero
O sindicato também questiona o modelo financeiro imposto pelo Estado. Dagnaldo defende que o Metrô não deve ser visto apenas sob a lógica do lucro, mas pelo benefício social e econômico que gera, como a redução de poluição e de acidentes de trânsito.
“O Metrô alega que tem que ser autossustentável, que a tarifa pague, e isso nunca vai existir em nenhum lugar do mundo. E nós somos defensores da Tarifa Zero.”
Uma assembleia geral está marcada para a véspera da paralisação, na sede do sindicato no Belém, para organizar os detalhes da greve. Caso a mobilização se confirme, apenas as linhas operadas por concessionárias privadas (4-Amarela, 5-Lilás e 17-Ouro) deverão funcionar normalmente.
