O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (11) uma redução expressiva nos índices de desmatamento da Amazônia e do Cerrado e aproveitou a divulgação dos números para rebater as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para impor novas tarifas a produtos brasileiros. Saiba mais na TVT News.
Os dados foram apresentados pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e apontam uma queda histórica de 61,4% nos alertas de desmatamento da Amazônia em maio deste ano na comparação com o mesmo mês de 2025. A área sob alerta passou para 370 quilômetros quadrados, o menor patamar já registrado para o período na série histórica do sistema.
No Cerrado, os alertas também recuaram. Em maio, a redução foi de 12,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, totalizando 777 quilômetros quadrados.
A divulgação ocorreu em meio ao embate comercial entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) incluiu o desmatamento entre os argumentos utilizados para justificar a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. O documento, porém, ignonorou a queda do desmatamento sob Lula, destacando recordes ambientais negativos do governo Bolsonaro.
Durante cerimônia realizada no Observatório Regional Amazônico, em Brasília, Lula afirmou que os números desmontam a narrativa utilizada pelos norte-americanos.
“Vamos ter que pegar esses dados, mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior e vamos comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos Estados Unidos”, declarou o presidente.
Sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump em parte do discurso, Lula elevou o tom ao afirmar que o Brasil responderá às acusações com dados concretos.
“A minha guerra é provar que nós estamos certos e vocês estão errados. É provar que você não foi eleito para ser imperador do mundo, que você pode dizer tudo que você quer e as pessoas ficarem quietas”, afirmou.
Em outro momento, Lula acusou os Estados Unidos de utilizarem informações desatualizadas para embasar a política tarifária.
“Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50% e agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento. Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, disse.
Queda histórica na Amazônia
Segundo o Inpe, a redução de 61,4% registrada em maio representa a maior queda mensal já observada pelo Deter desde o início da série histórica.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, classificou o resultado como uma conquista inédita. “É uma redução histórica dos alertas de desmatamento para o bioma Amazônia”, afirmou.
Os números também mostram avanço no acumulado mais recente. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, o desmatamento na Amazônia somou 2.189 quilômetros quadrados, uma redução de 37,5% em comparação ao mesmo período anterior.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, trata-se do menor valor da série histórica para esse intervalo.
O secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, destacou que o resultado ganha ainda mais relevância por ter sido registrado em um período do ano tradicionalmente marcado pelo aumento da devastação.
“É algo realmente histórico em um mês em que sempre, historicamente, o desmatamento aumentava”, afirmou.
Cerrado também apresenta redução
O Cerrado, segundo maior bioma do país e fundamental para a produção agrícola brasileira, também apresentou melhora nos indicadores.
Além da queda de 12,2% registrada em maio, os dados mostram redução de 8,2% no acumulado dos últimos dez meses em comparação com o período entre agosto de 2024 e maio de 2025. Em outro recorte apresentado pelo governo, a retração chega a 25,3%.
O sistema Deter monitora diariamente áreas sob pressão de desmatamento e gera alertas utilizados pelos órgãos de fiscalização ambiental. Embora não represente a taxa oficial anual de desmatamento — calculada posteriormente pelo sistema Prodes —, os dados são considerados um importante indicador da tendência de devastação nos biomas brasileiros.
Governo vê resposta às acusações dos EUA
Para o Ministério do Meio Ambiente, os resultados apresentados desmontam o argumento utilizado pelo governo norte-americano para justificar as barreiras comerciais.
Capobianco afirmou que os números são públicos e podem ser verificados por qualquer instituição internacional.
“Põe por terra, definitivamente, a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos, que incluíram o desmatamento da Amazônia como uma causa para justificar medidas de imposição de tarifas. Os números são claros, transparentes e auditáveis”, declarou.
Segundo o ministro, os dados serão encaminhados ao Itamaraty e incorporados às negociações com Washington.
A estratégia do governo brasileiro é demonstrar que os indicadores ambientais vêm apresentando melhora consistente desde o início do terceiro mandato de Lula. Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) já haviam mostrado anteriormente uma redução de quase 70% do desmatamento na Amazônia entre 2022 e 2025.
Ao comentar os resultados desta quinta-feira, Lula reiterou que a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030 é uma decisão soberana do país e não consequência de pressões externas.
“O desmatamento pode ajudar uma pessoa a ficar rica, até duas, mas o não desmatamento ajuda o Brasil, a Amazônia e o mundo”, afirmou.

