O aquecimento global provocado pela atividade humana atingiu 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025, aproximando o planeta de um dos principais limites estabelecidos pela comunidade internacional para conter os efeitos mais graves das mudanças climáticas. A conclusão é do relatório Indicadores Globais de Mudança Climática elaborado por mais de 70 pesquisadores de 17 países, que alerta para a possibilidade de a meta de 1,5°C do Acordo de Paris ser ultrapassada de forma duradoura já por volta de 2030. Saiba os detalhes na TVT News.
Segundo o estudo, o ritmo atual de aquecimento é de aproximadamente 0,27°C por década, o mais elevado já registrado. A análise indica que quase todo o aumento da temperatura observado nos últimos anos está diretamente relacionado às atividades humanas, sobretudo à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural.
Os pesquisadores destacam que o chamado “orçamento de carbono”, quantidade máxima de dióxido de carbono que ainda pode ser emitida para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C, está se esgotando rapidamente. No início de 2026, restavam cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂ disponíveis. Mantido o atual nível de emissões, esse volume poderá ser consumido em apenas três anos.
Emissões seguem em alta
O relatório aponta que as emissões globais de gases de efeito estufa atingiram um recorde histórico em 2024, alcançando 56,8 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente. Paralelamente, as concentrações atmosféricas dos principais gases responsáveis pelo aquecimento continuam aumentando.
A concentração de dióxido de carbono chegou a 425,6 partes por milhão (ppm), enquanto os níveis de metano e óxido nitroso também registraram crescimento. Para os cientistas, esses indicadores mostram que as ações globais de mitigação ainda são insuficientes para alterar a trajetória atual do clima.
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Oceanos revelam sinais de alerta
Os oceanos, que absorvem grande parte do calor gerado pelo efeito estufa, apresentam sinais cada vez mais evidentes do desequilíbrio climático.
O número de dias com ondas de calor marinhas triplicou desde 1991. Em 2025, foram registrados 65 dias desse tipo de evento extremo em escala global. Além de afetar ecossistemas marinhos, o fenômeno prejudica atividades econômicas costeiras e pode intensificar tempestades e ciclones.
Outro indicador preocupante é a elevação do nível do mar. Desde 1901, o aumento acumulado já alcançou 23 centímetros. Atualmente, o ritmo de crescimento está em 3,84 milímetros por ano, impulsionado pelo derretimento de geleiras e pela expansão térmica da água aquecida.
Terra acumula calor em ritmo recorde
O estudo também destaca o avanço do chamado desequilíbrio energético da Terra, situação em que o planeta absorve mais energia solar do que consegue devolver ao espaço. Esse fenômeno mais que dobrou desde a década de 1970 e atingiu níveis sem precedentes nos últimos anos.
Especialistas afirmam que, sem a influência humana, esse desequilíbrio deveria permanecer próximo de zero. O aumento contínuo indica que o sistema climático está acumulando calor em velocidade crescente.
Ciência alerta para riscos no monitoramento climático
Além da crise climática, os pesquisadores chamam atenção para uma ameaça adicional: a redução da capacidade global de monitorar as mudanças no clima.
Programas de observação por satélite, redes de boias oceânicas, estações meteorológicas e sistemas de pesquisa enfrentam cortes orçamentários e incertezas políticas. Instituições internacionais responsáveis pelo acompanhamento dos indicadores climáticos também sofreram redução de recursos.
Segundo os autores, o enfraquecimento desses sistemas pode comprometer a qualidade dos dados utilizados para prever impactos futuros e orientar políticas públicas.
Contradições nas políticas energéticas
Apesar dos alertas científicos, o relatório aponta que alguns países continuam planejando a expansão de projetos ligados aos combustíveis fósseis. Entre eles estão Brasil e Canadá, que mantêm investimentos em infraestrutura voltada à exploração e produção de petróleo e gás.
Para os especialistas, a única forma de limitar o avanço do aquecimento global passa pela aceleração dos investimentos em energias renováveis, eletrificação de setores da economia e redução rápida das emissões de gases de efeito estufa.
Os autores do estudo afirmam que a janela para evitar consequências climáticas mais severas está se fechando rapidamente. Embora ainda seja possível reduzir os impactos futuros, as decisões tomadas nesta década serão determinantes para definir a intensidade das mudanças climáticas nas próximas gerações.

