A história da seleção brasileira tricampeã do mundo perdeu mais um de seus protagonistas. Morreu nesta quinta-feira (11), aos 86 anos, o ex-zagueiro Hércules Brito Ruas, o Brito, titular absoluto da equipe que conquistou a Copa do Mundo de 1970, no México. Internado há cerca de um mês em um hospital da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, ele tratava uma pneumonia que agravou seu estado de saúde. Saiba mais na TVT News.
A morte foi comunicada pela família por meio das redes sociais do ex-jogador. “É com imensa tristeza que comunicamos o falecimento do nosso campeão do mundo. Agradecemos a todos pelas orações e mensagens de apoio”, informou a nota.
Brito deixa dois filhos, Leonídio e Patrícia, além de cinco netos. O velório está marcado para sábado (13), na Capela C do Cemitério da Ilha do Governador, com sepultamento previsto para a tarde.
Brito: pilar defensivo do tricampeonato
Embora a seleção de 1970 seja lembrada principalmente pelo talento ofensivo de Pelé, Jairzinho, Rivellino, Gérson e Tostão, Brito foi peça fundamental no equilíbrio da equipe comandada por Zagallo.
Aos 30 anos, era um dos jogadores mais experientes do elenco. Formou a zaga ao lado de Wilson Piazza, originalmente volante e improvisado na defesa. A dupla participou de todos os jogos da campanha que culminou na vitória por 4 a 1 sobre a Itália na final disputada no Estádio Azteca, na Cidade do México.
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A formação que entrou para a história tinha Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Everaldo e Piazza; Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Pelé e Tostão.
Conhecido pela força física e pela resistência atlética, Brito foi apontado por integrantes da comissão técnica como o jogador mais bem preparado fisicamente daquela Copa. Sua imposição na marcação contrastava com a qualidade técnica do time e ajudou o Brasil a sofrer apenas sete gols em seis partidas.
Antes do tricampeonato, o defensor já havia disputado a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Ao longo de sua trajetória com a camisa da seleção brasileira, atuou por oito anos e participou de dezenas de partidas internacionais, conquistando também a Copa Roca de 1971 e a Taça Independência de 1972.
Vasco, o clube do coração
Nascido e criado na Ilha do Governador, Brito iniciou a carreira no Vasco da Gama, clube pelo qual nutria profunda identificação. Revelado em São Januário, assumiu protagonismo ainda jovem ao substituir Bellini, capitão das seleções campeãs mundiais de 1958 e 1962.
Com a camisa cruz-maltina, disputou 405 partidas e marcou 11 gols em duas passagens. Conquistou o Torneio Internacional de Paris de 1957 e o Torneio Rio-São Paulo de 1966, além de outros títulos importantes para a história do clube.
Em nota oficial, o Vasco lamentou a morte do ex-jogador.
“Com o mais profundo pesar, recebemos a notícia do falecimento de Brito, um dos maiores zagueiros da história do Vasco da Gama”, afirmou o clube.
A homenagem destacou ainda que o ex-defensor era “vascaíno de berço” e lembrou que suas atuações o levaram à seleção brasileira, onde conquistou o tricampeonato mundial.
Passagens por grandes clubes
Após deixar o Vasco, Brito construiu uma carreira extensa. Defendeu Flamengo, Cruzeiro, Internacional, Botafogo, Corinthians e Athletico Paranaense, além de equipes da Venezuela, Canadá e Minas Gerais.
No Botafogo, conquistou títulos estaduais e consolidou sua reputação como um dos defensores mais respeitados do futebol brasileiro nos anos 1970. Também foi eleito Bola de Prata da revista Placar em 1970.
Encerraria a carreira profissional em 1979, após mais de duas décadas dedicadas ao futebol.
Homenagens de clubes e entidades
A morte de Brito provocou manifestações de pesar em todo o país. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nota assinada pelo presidente Samir Xaud.
“Brito nos deixou como um dos grandes zagueiros da história do futebol brasileiro. Sua contribuição para o tricampeonato mundial na Copa de 70 será eternamente lembrada por todos nós. Presto minha reverência a este ídolo do nosso país”, afirmou.
Vasco, Botafogo, Flamengo e Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro também prestaram homenagens ao ex-jogador.
O clube alvinegro lembrou que a morte ocorreu às vésperas da estreia brasileira na Copa do Mundo de 2026. “Perdemos um dos gigantes do tricampeonato mundial”, registrou a equipe carioca.
Às vésperas da estreia do Brasil na Copa, perdemos um dos gigantes do tricampeonato mundial: Hércules Brito Ruas.
— Botafogo F.R. (@Botafogo) June 12, 2026
A Família Botafogo lamenta profundamente o falecimento do ex-zagueiro, que defendeu de forma histórica a nossa Seleção e honrou as cores do Glorioso na década de… pic.twitter.com/xH58NRyz3Z
O Clube de Regatas do Flamengo lamenta profundamente o falecimento de Hércules Brito Ruas, o Brito, aos 86 anos.
— Flamengo (@Flamengo) June 12, 2026
Rubro-negro no histórico esquadrão do Tri em 1970, foi eleito o jogador mais bem preparado fisicamente daquela Copa. Em sua passagem pela Gávea, Brito honrou e… pic.twitter.com/RW8enLyjYQ
Com a partida de Brito, a seleção campeã de 1970 perde mais um de seus integrantes. Já haviam falecido Pelé, Carlos Alberto Torres, Félix, Everaldo, Fontana e Joel Camargo.
Mortes que marcaram as Copas
A morte de Brito ocorreu justamente na abertura da Copa do Mundo de 2026, reforçando uma coincidência que, ao longo das décadas, ligou momentos de luto à maior competição do futebol.
O caso mais emblemático foi o de Pelé. O Rei do Futebol morreu em 29 de dezembro de 2022, poucos dias após o encerramento da Copa do Catar. A despedida mobilizou chefes de Estado, atletas e torcedores em todo o planeta.
Outra perda marcante foi a do jornalista e ex-treinador João Saldanha, responsável por montar a base da seleção tricampeã de 1970. Ele morreu em julho de 1990, poucas semanas depois da Copa da Itália, da qual participou como comentarista esportivo.
Em 2006, durante a Copa do Mundo da Alemanha, o humorista Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda, morreu aos 43 anos após sofrer um infarto. Integrante do grupo Casseta & Planeta, ele estava no país cobrindo o torneio e tornou-se um dos casos mais lembrados de falecimento ocorrido durante um Mundial.
Agora, no início da Copa de 2026, o futebol brasileiro se despede de mais um personagem de sua galeria histórica. Brito ajudou a construir uma das equipes mais admiradas de todos os tempos e deixa um legado que ultrapassa estatísticas e títulos. Seu nome permanecerá associado para sempre ao tricampeonato de 1970, conquista que transformou a seleção brasileira em referência mundial e consolidou uma geração que marcou definitivamente a história do esporte.

