Trump confirma que pediu à Fifa para revisar cartão vermelho de Balogun

Liberação do atacante Balogun lembra a "passada de pano" para Garrincha jogar a final da Copa de 62
trump-confirma-que-pediu-a-fifa-para-revisar-cartao-vermelho-de-balogun-garrincha-1962-tvt-news
Esta composição de imagens, criada em 5 de julho de 2026, mostra o atacante dos EUA, Folarin Balogun (camisa 20), no estádio de Los Angeles, em Inglewood, em 12 de junho de 2026, e o jogador da Bélgica Leandro Trossard (camisa 10) dominando a bola no estádio de Seattle, em Seattle, Washington, em 1º de julho de 2026, durante a Copa do Mundo da FIFA de 2026. Os EUA enfrentam a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, no dia 6 de julho de 2026, em Seattle. (Fotos de Frederic J. BROWN e ALEX GRIMM / várias fontes / AFP)

Da AFP em Washington, Estados Unidos – O presidente americano, Donald Trump, confirmou, nesta segunda-feira (6), que pediu ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que revisasse a decisão “horrível” de aplicar um cartão vermelho ao atacante dos EUA, Folarin Balogun, mas disse que não solicitou a anulação da punição. Entenda o caso com a TVT News e informações da AFP nos EUA.

“Pedi uma revisão porque não achei que tivesse sido falta”, disse Trump a repórteres na Casa Branca. “Tudo o que fiz foi pedir uma revisão; não disse que eles tinham que fazer isso”.

“Aquilo sequer foi uma infração. Eram dois jogadores correndo em velocidade máxima que acabaram se chocando”, disse Trump.

O presidente republicano também criticou o árbrito brasileiro Raphael Claus, que tomou a decisão, descrevendo-o como “um pouco suspeito, se você analisar o passado dele“.

Balogun ficaria de fora do confronto das oitavas de final contra a Bélgica, nesta segunda-feira, após receber um cartão vermelho direto, confirmado pelo VAR, por pisar no pé de um defensor bósnio em uma partida da fase anterior, vencida pelos EUA por 2 a 0.

Parece o Brasileirão: Trump também criticou Raphael Claus, o árbitro brasileiro que tomou a decisão de expulsar Balogun, descrevendo-o como “um pouco suspeito, se você analisar o passado dele”

Segundo as regras da Fifa, um cartão vermelho direto acarreta automaticamente uma suspensão de um jogo, decisão que não pode ser contestada pela equipe do jogador.

No entanto, a entidade máxima do futebol mundial informou no domingo que a suspensão seria adiada por um ano, após um contato pessoal de Trump.

“Teremos um time completo e a Bélgica terá um time completo. E quer saber? Se eles nos vencerem, poderão realmente se orgulhar”, disse o presidente americano nesta segunda-feira.

“Por outro lado, se eles nos vencerem… eu direi que foi manipulado, assim como a eleição de 2020 foi manipulada”, afirmou Trump, referindo-se às suas alegações falsas de fraude generalizada na eleição em que foi derrotado pelo democrata Joe Biden.

Federação Belga protesta contra retirada do cartão de Balogun

Confira a nota da Federação Belga:

A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) está perplexa com a decisão da FIFA de declarar o jogador americano Folarin Balogun, suspenso, apto a jogar na partida entre Estados Unidos e Bélgica na segunda-feira, 6 de julho, às 17h (horário de Seattle).

A FIFA baseia sua decisão no Artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA. Esta disposição estabelece que o Comitê Disciplinar da FIFA pode decidir suspender a execução de uma sanção disciplinar previamente imposta.

No entanto, o Artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar da FIFA prevê claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a próxima partida da equipe, como ocorreu com todos os cartões vermelhos emitidos durante esta Copa do Mundo da FIFA.

Entenda: Fifa retira suspensão de Balogun, que poderá jogar pelos EUA nas oitavas da Copa

O atacante Folarin Balogun, destaque da seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo, poderá jogar as oitavas de final contra a Bélgica depois que a Fifa retirou neste domingo (5) sua suspensão pelo cartão vermelho recebido na rodada anterior, decisão aplaudida pelo presidente Donald Trump.

“Obrigado à Fifa por fazer o certo e reverter uma grande injustiça”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social pouco depois do anúncio da decisão do Comitê Disciplinar da entidade máxima do futebol.

Pouco depois, a federação belga (RBFA) expressou sua “surpresa” com a decisão, que “contradiz diretamente as disposições do regulamento da competição”.

A RBFA, que pode recorrer da decisão, ressaltou que o “Código Disciplinar da Fifa afirma expressamente que um cartão vermelho implica automaticamente uma suspensão para o próximo jogo da equipe, tal como aconteceu com todos os cartões vermelhos mostrados anteriormente durante esta Copa do Mundo”.

sorteio-copa-do-mundo-2026-brasil-copa-do-mundo-tvt-news-trump-FIFA-balogun
FIFA de joelhos? Donald Trump recebe prêmio de Paz da FIFA durante sorteio dos grupos da Copa do Mundo. O presidente da FIFA não reagiu aos excessos da polícia migratória durante a Copa e agora libera Balogun para jogar as oitavas. Imagem: Reprodução / FIFA

Balogun, artilheiro da seleção americana com três gols, foi expulso durante a vitória sobre a Bósnia e Herzegovina por 2 a 0 na fase de 16-avos de final, na última quarta-feira.

O atacante do Monaco estava sendo o destaque da partida em Santa Clara, na Califórnia, após abrir o placar aos 45 minutos.

No entanto, Balogun recebeu um cartão vermelho direto no segundo tempo (64′), após pisar no tornozelo do zagueiro bósnio Tarik Muharemovic em uma disputa de bola.

A expulsão deixou o ‘Team USA’ sem seu principal jogador na tentativa de chegar às quartas de final, melhor resultado da equipe na era moderna da Copa do Mundo.

No entanto, a situação de Balogun tomou outro rumo inesperado neste domingo com o relatório disciplinar da Fifa, que começou confirmando que o jogador seria suspenso por um jogo pelo cartão vermelho.

A punição, porém, foi retirada “por um período probatório de um ano”, nos termos do Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, explicou o comunicado.

“Se Folarin Balogun cometer outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante o período probatório, a retirada da suspensão será revogada e a punição aplicada, sem prejuízo de qualquer sanção adicional imposta pela nova infração”, acrescenta o texto.

Foi um “acidente”

Desde o apito final da partida contra a Bósnia, os Estados Unidos consideraram injusta a expulsão de Balogun, e suas consequências.

Perder o atacante de 25 anos seria um duro golpe para uma seleção que havia começado a Copa do Mundo melhor do que jamais poderia ter sonhado.

A equipe comandada pelo técnico argentino Mauricio Pochettino chegou ao Mundial cercada de dúvidas quanto ao seu nível competitivo, agravadas por várias derrotas recentes, incluindo uma goleada por 5 a 2 para a Bélgica em um amistoso disputado em Atlanta, em março deste ano.

“Para mim, nunca é lance para cartão vermelho”, disse Pochettino logo após a partida contra a Bósnia. “Não houve, em momento algum, a intenção de pisar no jogador. Foi uma jogada normal de futebol que foi um acidente”.

O próprio Balogun também contestou a expulsão.

“Se você já jogou este jogo, entende que há situações que simplesmente não podem ser evitadas e que precisam ser analisadas dentro do contexto quando são revisadas”, disse Balogun.

As críticas logo chegaram à esfera política. Um dia depois do jogo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu que a suspensão fosse reconsiderada.

“Tem de haver um processo de recurso para isso. Provavelmente já é tarde demais para isso, não é?”, declarou Rubio.

Neste domingo, a federação de futebol dos Estados Unidos expressou satisfação com a decisão sobre seu atacante.

“Aceitamos a decisão do Comitê Disciplinar e estamos satisfeitos por Folarin Balogun estar apto a competir amanhã”, afirmou a US Soccer em comunicado.

“Todas as nossa atenções estão voltadas para o jogo das oitavas de final contra a Bélgica, em Seattle, e esperamos continuar contando com o apoio da nossa torcida incrível”, acrescenta a nota.

© Agence France-Presse

Retirada do cartão vermelho de Balogun lembra o caso de Garrincha em 62

A inédita decisão da FIFA de anular a suspensão do atacante estadunidense Folarin Balogun, expulso contra a Bósnia e Herzegovina na Copa do Mundo de 2026, resgatou na memória dos fãs de futebol um dos episódios mais célebres dos bastidores dos mundiais. Com a intervenção direta de figuras políticas de peso (incluindo o presidente dos EUA) para reverter o gancho automático e permitir que o atleta atue nas oitavas de final contra a Bélgica, a manobra nos leva diretamente de volta aos corredores da Copa de 1962, no Chile.

O que aconteceu com o Garrincha na final de 62

Na Copa do Mundo de 1962, o Brasil já havia perdido Pelé por lesão e dependia quase exclusivamente do talento de Mané Garrincha para conquistar o bicampeonato.

Na semifinal contra o Chile, os donos da casa, o craque brasileiro foi caçado em campo do início ao fim. Exausto das pancadas, na reta final do jogo, Garrincha revidou uma falta do chileno Eladio Rojas com um chute e foi expulso pelo árbitro peruano Arturo Yamasaki, após indicação do bandeirinha uruguaio Esteban Marino.

Pela regra da época, a expulsão tiraria Garrincha da grande final contra a Tchecoslováquia. No entanto, o que se viu nos dias seguintes foi uma aula de articulação política agressiva, liderada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), então comandada por João Havelange. O alto escalão do governo brasileiro entrou em ação, e o então primeiro-ministro, Tancredo Neves, enviou um telegrama apelando para a liberação do jogador.

trump-confirma-que-pediu-a-fifa-para-revisar-cartao-vermelho-de-balogun-garrincha-1962-tvt-news
Garrincha, na Copa de 1962, era o grande craque brasileiro, principalmente com a lesão de Pelé. Interferência política foi decisiva no julgamento que liberou o atacante para jogar a final. Foto: Wikimedia Commons

O auge da malandragem, porém, foi o “sumiço” da principal testemunha. O bandeirinha Esteban Marino, que deveria depor no comitê disciplinar da FIFA, misteriosamente viajou para Montevidéu e nunca compareceu ao julgamento.

Sem o relato do assistente e com intensa pressão diplomática, a FIFA arquivou a suspensão e decidiu aplicar apenas uma advertência ao craque. Com caminho livre, o camisa 7 foi a campo, o Brasil derrotou a Tchecoslováquia por 3 a 1 e levantou a taça.

Quais as diferenças entre os dois acontecimentos?

Embora os dois episódios envolvam cartões vermelhos sendo anulados por intensa pressão institucional para beneficiar astros de países-sede, as nuances entre o século passado e o atual são marcantes — especialmente no que diz respeito às justificativas legais e à tecnologia.

Abaixo, um comparativo das principais diferenças estruturais entre as duas decisões:

CaracterísticaCaso Garrincha (Copa de 1962)Caso Balogun (Copa de 2026)
Tecnologia de ArbitragemNenhuma. A expulsão dependeu exclusivamente da visão do árbitro e da palavra do bandeirinha.VAR em alta definição. O cartão foi aplicado pelo árbitro Raphael Claus após revisão minuciosa de vídeo.
Manobra de BastidorObstrução de testemunha: o bandeirinha foi removido do país para não relatar a agressão à comissão.Lobby político de Estado: telefonemas diretos de Donald Trump a Gianni Infantino pedindo a anulação.
Justificativa Legal da FIFAFalta de provas conclusivas no tribunal disciplinar pela ausência do assistente.Uso do Artigo 27 do Código Disciplinar, revertendo a punição para uma “liberdade condicional” de um ano.
Impacto no TorneioO jogador foi liberado para disputar a Final e garantiu o título.O jogador foi liberado para disputar as Oitavas de Final do torneio.
Reação ExternaOcorrido na obscuridade dos corredores; o público e a imprensa souberam do desfecho como fato consumado.Protesto global e imediato. A Real Associação Belga de Futebol ameaçou ação legal e a UEFA acusou a FIFA de cruzar uma “linha vermelha”.

O episódio de 2026 reafirma que, mesmo com a hiper-modernização das regras e dezenas de câmeras em campo, a cartolagem e as engrenagens de poder continuam encontrando formas de escrever as histórias decisivas do esporte.

Você também pode se interessar:

Assuntos Relacionados