7 de julho é dia do chocolate

Chocolate suiço, belga, equatoriano ou brasileiro. Qual seu preferido?
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Brasileiro ama chocolate, e consumo deve aumentar no país. Foto: Eva Bronzini / Pexels

Nesta terça-feira, 7 de julho, é o Dia Mundial do Chocolate. Por coincidência, no dia do jogo da Suiça e logo após a vitória dos belgas, dois grandes produtores de choolates apreciados no mundo todo. Os países produtores de cacau, como Brasil e Equador, querem ganhar também essa disputa. Leia mais sobre o dia do chocolate com a TVT News, com informações da Agência Brasil.

Antes consumido na forma de bebida amarga pelos povos originários das Américas, como os maias e os astecas, o cacau atravessou o oceano e transformou a economia global. Tanto que a data de 7 de julho teria sido, segundo registros históricos, quando o cacau teria chegado oficialmente à Europa, no ano de 1550.

Por que 7 de julho é o Dia Mundial do Chocolate?

Comemorado em 7 de julho, o Dia Mundial do Chocolate é uma data dedicada a um dos alimentos mais consumidos e apreciados do planeta. Embora não tenha reconhecimento oficial por organismos internacionais, a comemoração ganhou força em diversos países por marcar, segundo uma tradição amplamente difundida, a chegada do chocolate à Europa no século XVI, após as expedições espanholas ao continente americano.

A origem exata da data é motivo de debate entre historiadores. Uma das versões mais conhecidas afirma que o chocolate teria sido introduzido na Europa em 7 de julho de 1550. Apesar de não haver documentos históricos que confirmem esse dia específico, a celebração foi adotada pela indústria e por consumidores em vários países e acabou se consolidando no calendário.

Produzido a partir das sementes do cacaueiro (Theobroma cacao), o chocolate tem origem nas civilizações pré-colombianas da Mesoamérica. Povos como maias e astecas consumiam uma bebida amarga preparada com cacau muito antes da chegada dos europeus às Américas.

Com o passar dos séculos, a receita foi adaptada com açúcar e leite, dando origem aos diferentes tipos de chocolate conhecidos atualmente. Hoje, além de ser um símbolo da confeitaria, o alimento movimenta uma indústria bilionária que envolve produtores de cacau, fabricantes, exportadores e consumidores em todos os continentes.

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O principal ponto da nova legislação brasileira é a exigência de maior teor de cacau nos produtos feitos de chocolate. Foto: alleksana/Pexels

Quais os países produtores de chocolate?

Embora o cacau seja cultivado principalmente em regiões tropicais, a fabricação de chocolate de alta qualidade está concentrada em países que desenvolveram tradição na torra, moagem e mistura das amêndoas.

Os maiores produtores de chocolate incluem:

  • Alemanha;
  • Bélgica;
  • Suíça;
  • Itália;
  • França;
  • Estados Unidos;
  • Reino Unido.

Esses países importam a maior parte do cacau utilizado na fabricação. Já a produção da matéria-prima está concentrada principalmente na África Ocidental.

Os maiores produtores de cacau do mundo são:

  1. Costa do Marfim;
  2. Gana;
  3. Equador;
  4. Nigéria;
  5. Camarões.

O Brasil também figura entre os principais produtores mundiais, com destaque para os estados da Bahia e do Pará. Nos últimos anos, o país também ampliou a produção de chocolates “bean to bar”, fabricados a partir de amêndoas selecionadas e com maior controle de todo o processo produtivo.

Por que o chocolate suíço é famoso?

A Suíça construiu sua reputação como uma das maiores referências mundiais em chocolate graças à combinação de inovação, qualidade das matérias-primas e tradição centenária.

Foi no país que surgiram importantes avanços tecnológicos para a fabricação do produto. Em 1875, o chocolatier Daniel Peter desenvolveu o primeiro chocolate ao leite utilizando leite condensado criado por Henri Nestlé. Poucos anos depois, Rodolphe Lindt aperfeiçoou o processo de conchagem, técnica que torna o chocolate mais homogêneo, cremoso e com textura mais delicada.

Além das inovações, a Suíça estabeleceu padrões rigorosos de qualidade e passou a associar suas marcas ao segmento premium.

Outro fator importante é o consumo interno. Os suíços estão entre os maiores consumidores de chocolate per capita do mundo, o que contribui para manter uma indústria altamente especializada.

Qual chocolate é mais famoso, o suíço ou o belga?

A resposta depende do critério utilizado.

O chocolate suíço costuma ser associado à cremosidade, ao chocolate ao leite e às grandes marcas internacionais. Sua produção é marcada por processos industriais altamente padronizados, que garantem qualidade constante.

Já o chocolate belga ganhou fama pela elevada proporção de cacau, pelo uso de manteiga de cacau de alta qualidade e pela tradição artesanal. A Bélgica também é reconhecida mundialmente pelos bombons recheados, conhecidos como pralinés, criados no início do século XX.

Em linhas gerais:

  • Chocolate suíço: conhecido pela textura cremosa, suavidade e tradição no chocolate ao leite.
  • Chocolate belga: valorizado pelo sabor intenso, maior teor de cacau e produção artesanal de bombons.

Ambos são considerados referências mundiais e frequentemente aparecem entre os melhores chocolates do planeta em rankings internacionais.

Equador, maior produtor de cacau fino, quer também ser conhecido como produtor de chocolate

Embora seja o maior produtor mundial de cacau fino de aroma — variedade considerada a mais nobre para chocolates premium —, o Equador busca agora fortalecer sua imagem como fabricante de chocolate, e não apenas como exportador de matéria-prima.

O país responde por cerca de dois terços da produção mundial de cacau fino, especialmente das variedades Nacional e Arriba, muito valorizadas por aromas florais e frutados.

Nos últimos anos, produtores equatorianos passaram a investir na industrialização local, incentivando marcas nacionais de chocolate e ampliando a exportação de produtos com maior valor agregado.

A estratégia segue uma tendência observada em outros países produtores de cacau: aumentar a participação na etapa mais lucrativa da cadeia produtiva, tradicionalmente concentrada na Europa.

Hoje, chocolates fabricados no Equador já acumulam prêmios em concursos internacionais, reforçando a tentativa do país de ser reconhecido não apenas pela excelência do cacau, mas também pela qualidade do chocolate produzido dentro de suas fronteiras.

Mania nacional, consumo de chocolate tende a crescer no país

Da reportagem da Agência Brasil – O chocolate está presente na casa dos brasileiros há muitas décadas. O país é um mercado importante e um dos poucos no mundo que reúne toda a cadeia produtiva, passando pelos produtores de cacau, a indústria moageira, até chegar à indústria do chocolate.  

“Chocolate faz parte do nosso dia a dia. Todo mundo tem o seu preferido mas, a cada ano, a indústria, sempre atenta à inovação e ao mercado, disponibiliza muitas novidades para atender um pouco da expectativa dos consumidores”, disse à Agência Brasil o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Jaime Recena, no Dia Mundial do Chocolate, comemorado nesta terça-feira (7).

Em 2024, foram produzidas 805 mil toneladas de chocolates no país. O número subiu para 814 mil toneladas no ano passado. A produção de 2026 só será fechada no final deste exercício, mas Recena estimou que a produção continua crescendo.

Consumo per capita de chocolate

O consumo per capita é de quase 4 quilos (kg) por ano no Brasil. Quando comparado com outros mercados, Recena afirmou que há um potencial de expansão muito grande, levando-se em considerado que os mercados norte-americano e europeu têm consumo per capita de 9 kg a 10 kg/ano. “O Brasil tem totais condições de aumentar esse consumo”.

O presidente da Abicab disse ainda que apesar de todos os problemas de logística, pelo fato de o Brasil ser um país de dimensões continentais, o chocolate está presente em todos os municípios, para atender o consumidor. “Mesmo nas menores cidades brasileiras, há sempre um mercadinho vendendo o chocolate nacional”.

“A maior parte da produção hoje é para atender o mercado local”, disse Recena. De acordo com dados da Kantar/Ibope, o setor alcançou movimento financeiro de R$ 42,5 bilhões em 2025, impulsionado pelo segmento de chocolates finos, inovação e demanda dos consumidores fora do período da Páscoa.

Exportação

De acordo com dados do ComexStat, portal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para acesso gratuito às estatísticas de comércio exterior do Brasil, as exportações de chocolate somaram 37,8 mil toneladas, em 2025, gerando US$ 210,2 milhões. As vendas no comércio exterior são dirigidas a aproximadamente 168 países. A importação correspondeu a 19,8 mil toneladas, com receita de US$ 227 milhões.

No primeiro trimestre de 2026, o total exportado de chocolates atingiu 7,7 mil toneladas, o que correspondeu a US$ 47 milhões. A importação somou US$ 57 milhões, correspondendo a 4,7 mil toneladas. A balança comercial ficou em 3 mil toneladas.

Já a exportação brasileira de cacau resultou em US$ 603,1 milhões, com 53,5 mil toneladas no ano passado. Em termos de importação, o sistema CamexStat informa que foram adquiridas 93,7 mil toneladas, totalizando US$ 699,2 milhões.

Os dados mostram ainda que no primeiro trimestre de 2026, o total exportado de cacau chegou a 12,7 mil toneladas, correspondendo a US$ 108,4 milhões. A importação foi de US$ 209,1 milhões, correspondendo a 32,9 mil toneladas.

Jaime Recena informou que o Brasil exporta boa quantidade de chocolate para os vizinhos da América Latina, em especial Argentina, Chile, Paraguai, mas está olhando com mais atenção para o mercado europeu, principalmente após a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. As vendas têm crescido também para o mercado árabe.

Ele destacou a exportação de chocolates com percentual mais intenso de massa de cacau e de frutos característicos do país, por meio do programa que a associação tem há mais de 20 anos com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com a finalidade de abrir mercado para os pequenos fabricantes.

Emprego

As indústrias associadas à Abicab geram em torno de 450 mil postos de trabalho. A Páscoa funciona sempre como porta de entrada dos trabalhadores para o setor, com taxa de empregabilidade de 30%, informou o presidente da entidade. Na Páscoa de 2026, o número de empregos temporários subiu de 9.946 vagas, registrado no mesmo período do ano anterior, para 14.558 vagas.

O dado mostra que o setor está aquecido, tem desempenho positivo junto aos consumidores e à população.

“A Páscoa é um momento de oportunidade e nossa principal ocasião de consumo. É uma ocasião não só de empregos temporários, mas de lançamento de novidades pelo setor”, avaliou Jaime Recena. Mais de 130 produtos novos foram lançados no período da Páscoa de 2026. “Essa é uma agenda importante que o setor consegue trazer”, afirmou.

Segundo Recena, a indústria de chocolate está sempre atenta e procurando trazer coisas novas que possam agregar, “deixando o dia a dia dos consumidores mais feliz”. É um produto acessível e disponível para todas as faixas de renda.

Para o presidente da associação, o chocolate não é mais um produto de sazonalidade; ele ocupa espaço no dia a dia dos brasileiros ao longo do ano e constitui item presenteável. “Quem não gosta de ganhar um chocolate de presente?”, indagou. O Dia Mundial do Chocolate é também uma data importante para o setor, concluiu.

Abicab

A Abicab representa atualmente 96% dos principais fabricantes de chocolates, além de 62% dos fabricantes de amendoim e 68% das indústrias de balas. “Quase 100% das marcas de chocolate que a gente observa à disposição dos consumidores são associadas à Abicab”.

Mercado flutuante

O diretor financeiro da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), Osaná Crisóstomo, informou que a safra 2024/2025 foi muito boa na região, totalizando 80 mil toneladas de cacau vendidas por R$ 1.100 a arroba.

Os agricultores associados à cooperativa aguardam o início da próxima safra, em setembro, para terem ampliado o preço do produto pago pela indústria, atualmente na casa de R$ 330 a arroba.

“O mercado está flutuante”, explicou Osaná Crisóstomo para justificar o preço baixo pago hoje pelos fabricantes de chocolate. Ele acredita que o período de chuvas pode manter o preço elevado. “Depende do tempo”, afirmou.

Bahia Cacau

A Coopfesba criou, em 2010, a Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil. Localizada no município de Ibicaraí, no sul do estado, a unidade oferece ao consumidor um produto de qualidade, com alto teor de massa de cacau variável entre 35% e 70%.

O produto agrega valor a agricultores familiares de assentamentos e zonas rurais da região e oferece ao público sabores diferenciados, usando produtos como cupuaçu e cacau, como resultado de boas práticas e mudança cultural. O empreendimento agrega valor à cadeia produtiva do cacau até o chocolate produzido, além de contribuir na preservação da Mata Atlântica no sul da Bahia.

O diretor financeiro da Coopfesba informou que o chocolate da Bahia Cacau já está sendo vendido em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Goiás e, no estado do Rio de Janeiro, na cidade de Maricá. A expansão das vendas para o exterior foi iniciada no ano passado com a primeira remessa para Portugal.

Proteção

Osaná Crisóstomo disse que agricultores familiares produtores de chocolate e cacau se sentem agora protegidos com a nova Lei 15.404/2026, sancionada em maio deste ano, que dispõe sobre as definições e características dos produtos derivados de cacau, o percentual mínimo de cacau nos chocolates e a informação do índice total nos rótulos desses produtos.

A lei abrange produtos nacionais e importados, comercializados no território nacional, e entrará em vigor no dia 7 de maio de 2027. A legislação é aplicável aos diversos agentes envolvidos na cadeia produtiva e de comercialização.

Com reportagem de Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

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