Múcio se reunirá com oficial dos EUA sobre classificação de PCC e CV como terroristas

Encontro com emissário dos EUA ocorrerá em Cusco durante Conferência de Ministros da Defesa das Américas
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Mucio se reúne com emissário dos EUA sobre classificação de PCC e CV como organizações terroristas. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ministro da Defesa do Brasil José Múcio irá se reunir nesta semana com o vice-ministro de Guerra dos Estados Unidos Elbridge Colby. Leia mais na TVT News.

O tema do encontro está relacionado à classificação dos grupos criminosos PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

A classificação foi determinada por Donald Trump, presidente dos EUA, no início de junho, e ensejou protestos governo brasileiro.

O encontro deve ocorrer em Cusco, no Peru, durante a Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA).

Múcio deve se reunir com o presidente Lula para alinhar os principais tópicos a serem abordados na reunião. A maior preocupação do governo brasileiro é a existência de eventuais planos de Trump para invadir o Brasil, a exemplo do que ocorreu na Venezuela.

Encontro com emissário dos EUA deve ter como tema a soberania nacional

A conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, José Múcio, deve abordar a posição do Brasil diante de iniciativas estrangeiras relacionadas à segurança pública, pautando a conversa com os EUA.

A orientação do Palácio do Planalto é enfatizar que decisões sobre o enfrentamento às facções criminosas devem permanecer sob responsabilidade das autoridades brasileiras.

Múcio deve apresentar os resultados das políticas adotadas pelo país para enfrentar essas organizações e reforçar que qualquer cooperação internacional precisa respeitar a autonomia do Estado brasileiro e suas instituições.

Conforme apuração de Igor Gadelha no Metrópoles, o governo brasileiro admitiu em documento enviado ao Congresso Nacional que teme ação militar no Brasil seguindo a nomeação das facções como terroristas por Trump.

No documento, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira afirma que “a referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.

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Conversa quer abordar pontos de receio do Brasil após decisão dos EUA sobre PCC e CV. Foto: Reprodução/Casa Branca

Presidente dos EUA compartilhou texto sobre eleições do Brasil direita da América Latina

No fim do último mês, o presidente dos EUA Donald Trump compartilhou texto falando da importância das eleições no Brasil para o avanço da direita na América Latina.

O artigo, publicado pela emissora de direita Newsmax, que é aliada do governo de Trump, usa o gancho das eleições de Abelardo de la Espriella na Colômbia e de Keiko Fujimori, que agora atingiu uma vantagem insuperável no Peru. Keiko é filha do ditador Alberto Fujimori.

O texto se chama “Trump tem 8 vitórias em 7 anos na América Latina” (tradução livre), e a Colômbia como o oitavo país latinoamericano em 7 anos a ir de uma liderança de esquerda para um governo “amigo de Trump, de centro-direita”.

Esse movimento para a direita aponta, de acordo com a matéria, que os países adotaram as prioridades do governo norteamericano: “lei e ordem, nacionalismo econômico, segurança de fronteiras, antissocialismo e resistência ao ‘establisment’ político”, enumerando os novos líderes em El Salvador (Nayib Bukele), Argentina (Javier Milei), Equador (Daniel Noboa), Honduras (Nasry Asfura), Bolívia (Rodrigo Paz) e Chile (José Antonio Kast).

Nomeado como o “próximo grande desafio”, o Brasil é listado como o “peso pesado” político da região. O artigo cita as eleições presidenciais, afirma que já há “intensos debates sobre a integridade do sistema eleitoral do Brasil e se a disputa será conduzida de forma considerada livre e justa por todos os lados”.

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Lula e Trump: de “química” a alfinetadas. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasil e EUA: alfinetadas no G7

Recentemente, na cúpula de líderes do G7, Trump afirmou nesta que o Brasil “se tornou um país um pouco duro, um pouco politicamente perigoso”.

O republicano declarou apoio a candidatos de direita em outros países latino-americanos, como Argentina, Colômbia e Honduras.

Durante coletiva de imprensa no final da reunião de cúpula do G7, o presidente Lula subiu o tom contra a interferência dos EUA na política brasileira. “Trump tem direito de ter as preferências eleitorais dele, mas as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse Lula.

Lula afirmou que Trump não deveria “interferir nas eleições brasileiras” de outubro.

Em entrevista ao site Axios neste mês de junho, Trump também chamou Lula de “volátil” e disse que “não pensa sobre” ele. Perguntado se era “fã” de Lula, o presidente norteamericano respondeu: “Não sou fã ou não-fã. Eu não penso sobre ele, pra ser sincero com você. Eu não penso nele, eu não poderia me importar menos. Mas ele está uma pessoa diferente agora, muito volátil. Eu observei o seu discurso [no G7], era muito volátil, e está tudo bem. Cada um é de um tipo difere te [de líder]”. 

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