Fuvest 2027: confira a lista de livros obrigatórios

Vestibular da USP mantém nove obras obrigatórias em 2027, todas escritas por mulheres de língua portuguesa
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Predominância de mulheres não significa excluir autores homens, mas corrigir desigualdade histórica. Foto: Reprodução

Quem pretende disputar uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) pelo vestibular da Fuvest em 2027 já pode organizar o cronograma de estudos. A fundação responsável pelo exame manteve uma lista de nove livros obrigatórios, todos escritos por mulheres de língua portuguesa, em uma iniciativa que busca ampliar a visibilidade de autoras historicamente pouco valorizadas no cânone literário. Saiba mais na TVT News.

A mudança faz parte da renovação das leituras obrigatórias para os vestibulares entre 2026 e 2029. Segundo a Fuvest, a proposta pretende reconhecer a contribuição das escritoras para a literatura em língua portuguesa e incentivar uma leitura mais diversa entre os candidatos.

A presidente do Conselho Curador da Fuvest e vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda, afirmou que muitas dessas escritoras “foram alvo de décadas de invisibilidade pelo fato de serem mulheres”. Já o pró-reitor de Graduação da USP, Aluísio Cotrim Segurado, classificou a reformulação como “uma mudança corajosa, necessária, mas que não se afasta da qualidade que a lista da Fuvest sempre teve”.

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Em 2027, duas obras substituem os títulos presentes na lista de 2026: entram A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector, e Geografia, de Sophia de Mello Breyner Andresen, enquanto deixam a relação O Cristo Cigano e As meninas.

O diretor executivo da Fuvest, Gustavo Ferraz de Campos Monaco, destacou que a predominância de mulheres não significa excluir autores homens, mas corrigir uma desigualdade histórica. Segundo ele, a nova seleção busca “trazer a público e valorizar o que, muitas vezes, ainda não se conhece”, reforçando o papel da literatura como instrumento de reflexão e transformação social.

Lista de livros obrigatórios da Fuvest 2027

Os candidatos ao vestibular deverão ler as seguintes obras:

  • Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

A Fuvest ressalta que iniciar a leitura com antecedência facilita a preparação para o vestibular. Além da leitura integral das obras, a recomendação é complementar os estudos com resumos, análises literárias e resolução de questões de provas anteriores.

Confira também as listas da Fuvest para 2028 e 2029

Fuvest 2028

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

As principais mudanças em relação ao ano anterior são a substituição de Opúsculo Humanitário por Conselhos à minha filha, ambos de Nísia Floresta, e de Caminho de pedras por João Miguel, de Rachel de Queiroz.

Fuvest 2029

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Dom Casmurro (1899) – Machado de Assis
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) – Luís Bernardo Honwana
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Incidente em Antares (1970) – Érico Veríssimo
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

A edição de 2029 marca uma nova renovação da lista, com o retorno de autores homens de língua portuguesa, entre eles Machado de Assis, Érico Veríssimo e Luís Bernardo Honwana. Segundo a Fuvest, será também o primeiro ano em que a relação contará com quatro obras de autores e autoras negros, além da inclusão de Incidente em Antares, representante da literatura fantástica — gênero que passa a integrar, pela primeira vez, a lista obrigatória do vestibular.

A fundação afirma que a renovação periódica das obras busca manter a qualidade da seleção literária e ampliar o repertório cultural dos estudantes, oferecendo contato com diferentes períodos históricos, estilos narrativos e perspectivas da literatura em língua portuguesa.

Saiba mais sobre as autoras escolhidas pela Fuvest:

Nísia Floresta (1810-1885)
Nísia Floresta Brasileira Augusta foi o pseudônimo escolhido por Dionísia Gonçalves Pinto, considerada a primeira educadora e jornalista feminista do Brasil. Nascida no Rio Grande do Norte, essa escritora em prosa e verso denunciou também as injustiças cometidas contra os negros escravizados e os indígenas brasileiros.

Narcisa Amália (1852-1924)
Narcisa Amália de Campos foi uma educadora, poetisa e jornalista brasileira – primeira mulher a trabalhar profissionalmente como jornalista no Brasil. Dona de uma das poucas vozes femininas de sua época a trabalhar a ideia de identidade nacional, foi também antiescravista e republicana. Sua obra mereceu comentários elogiosos de Machado de Assis e de Pedro II.

Julia Lopes de Almeida (1862-1934)
Escritora, cronista e teatróloga, Júlia Lopes de Almeida foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, de cuja lista de fundadores foi posteriormente excluída para manter a Academia exclusivamente masculina. Em seu lugar, foi incluído o nome do poeta português Filinto de Almeida, seu marido, popularmente conhecido como o “acadêmico consorte”. Também foi uma das precursoras da literatura infantil no Brasil.

Rachel de Queiroz (1910-2003)
Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e a receber o Prêmio Camões, Rachel de Queiroz é uma autora de destaque da literatura social nordestina. Extremamente hábil na análise psicológica de seus personagens, a autora estreou na literatura aos 19 anos.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
Poetisa, contista e escritora de literatura infantil, Sophia de Mello Breyner Andresen foi proveniente de uma família de origem aristocrática portuguesa. Acreditava que a poesia representava um valor transformador fundamental e que era algo que lhe acontecia, como afirmara antes dela Fernando Pessoa. Foi agraciada com o Prêmio Camões, tendo sido a segunda mulher a recebê-lo.

Clarice Lispector (1920-1977)
De origem ucraniana, Chaya Pinkhasivna Lispector emigrou para o Brasil em 1922 com seus familiares em razão da perseguição sofrida pelos judeus ucranianos em sua terra natal. A romancista e contista apresenta, em sua obra, traços bastante específicos como a ruptura com a narrativa factual, o uso intenso de um fluxo de consciência na escrita e o uso intenso de metáforas insólitas, como sublinhou Alfredo Bosi.

Lygia Fagundes Telles (1918-2022)
Lygia Fagundes Telles destacou-se como contista, embora tenha sido, também, uma importante romancista. Membro da Academia Brasileira de Letras, foi a segunda brasileira laureada com o Prêmio Camões e foi reconhecida, ainda em vida, como uma escritora primorosa por seus pares nacionais e internacionais, que a alcunharam “a grande dama da literatura brasileira”.

Conceição Evaristo (1946- )
Poeta, contista e romancista brasileira, Maria da Conceição Evaristo de Brito aborda em suas obras temas de grande relevo social, como a discriminação racial, de gênero e social, sendo considerada uma importante representante do movimento Pós-Modernista no Brasil. Professora universitária, Conceição Evaristo tomou posse, em 2022, como responsável pela Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados da USP. Cunhou a expressão escrevivência para descrever o processo criativo de sua obra.

Paulina Chiziane (1955- )
Moçambicana, nascida no subúrbio de Maputo, Paulina Chiziane iniciou, mas não concluiu, o curso universitário de Letras (linguística). Com uma atuação política destacada em seu país durante o período da independência, a autora se afastou da política e passou a se dedicar à literatura, passando a viver na província de Zambézia, para onde se retirou ao se afastar da política. Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, foi também a primeira mulher africana agraciada com o Prêmio Camões.

Djaimilia Pereira de Almeida (1982- )
Ana Djaimilia dos Santos Pereira de Almeida Brito é a pessoa mais jovem a figurar na lista de leitura obrigatória da Fuvest. Nascida em Angola, a autora passou boa parte de sua vida em Portugal, onde se licenciou em Estudos Portugueses e obteve o título de Doutora em Teoria da Literatura. Atualmente, é Professora da New York University. Foi vencedora do Prêmio Oceanos, tendo sido finalista em outras oportunidades.

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