A corrida pelo Palácio Guanabara ganhou novos contornos nesta segunda-feira (20) com a oficialização de duas das principais candidaturas ao governo do Estado do Rio de Janeiro nas eleições de outubro. O ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) teve seu nome confirmado durante convenção partidária realizada em Botafogo, enquanto o Republicanos anunciou a escolha do ex-governador Anthony Garotinho como candidato da legenda, decisão que ainda será ratificada na convenção estadual marcada para o próximo sábado (25). Saiba mais na TVT News.
Os movimentos consolidam o desenho inicial da disputa pelo comando do estado, que já ocorre em meio às convenções partidárias previstas pelo calendário eleitoral. Até 5 de agosto, os partidos devem oficializar suas chapas, enquanto o prazo final para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto. A propaganda eleitoral terá início em 16 de agosto.
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Paes aposta em frente ampla e discurso de reconstrução
Na convenção do PSD, Eduardo Paes foi oficializado como candidato ao governo pela terceira vez. Depois de disputar o Palácio Guanabara em 2006 e 2018, o ex-prefeito tenta chegar ao comando do estado embalado pelo capital político acumulado após quatro mandatos à frente da Prefeitura do Rio de Janeiro.
A chapa será composta pela advogada Jane Reis (MDB) como candidata a vice-governadora. Irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, ela representa a entrada da Baixada Fluminense na aliança construída pelo PSD.
Também foram oficializadas as candidaturas do deputado federal Pedro Paulo (PSD) e da deputada federal Benedita da Silva (PT) ao Senado.
Durante seu discurso, Paes afirmou que sua candidatura representa uma ampla coalizão política e disse que pretende governar acima das divisões ideológicas.
Segundo ele, a decisão de disputar o governo foi resultado de um processo de reflexão e do entendimento de que o estado necessita de uma mudança na condução administrativa.
O ex-prefeito também apresentou parte das prioridades de um eventual governo, com destaque para investimentos em mobilidade urbana, segurança pública e fortalecimento da relação entre o governo estadual e os municípios.
Linha 3 do metrô e recuperação da SuperVia
Entre as principais promessas anunciadas está a implantação da Linha 3 do metrô, projeto debatido há décadas e que prevê a ligação entre Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Paes afirmou que pretende transformar a proposta em realidade, apesar dos desafios financeiros e técnicos envolvidos.
Outra prioridade será a recuperação do sistema ferroviário metropolitano. O candidato afirmou que pretende aplicar na SuperVia um modelo semelhante ao adotado para recuperar o sistema BRT da capital durante sua última gestão na Prefeitura do Rio.
Na área de segurança pública, Paes defendeu uma política baseada em inteligência, tecnologia e produção de dados, afirmando que os comandos das forças policiais deverão seguir critérios técnicos, sem interferência política.
Também declarou que buscará apoio do governo federal nas operações de combate às organizações criminosas, mas ressaltou que a coordenação da política de segurança permanecerá sob responsabilidade do governo estadual.
Críticas aos governos anteriores
Grande parte do discurso de Eduardo Paes foi dedicada às críticas aos últimos governos estaduais.
O candidato afirmou que o Rio enfrenta uma grave crise política, institucional e moral e atribuiu esse cenário ao grupo político que administrou o estado nos últimos anos.
Em uma das declarações mais contundentes da convenção, Paes afirmou que o grupo responsável pelas gestões recentes “talvez nem devesse ser chamado de grupo político, mas de organização criminosa”, fazendo referência às investigações e operações policiais que atingiram integrantes da administração estadual e parlamentares ligados à base governista.
O ex-prefeito também criticou a influência política sobre a segurança pública e afirmou que pretende impedir indicações políticas para cargos técnicos nas polícias.
Republicanos aposta na volta de Garotinho

Horas depois da convenção do PSD, o Republicanos anunciou que escolheu Anthony Garotinho como seu candidato ao governo estadual.
A decisão foi aprovada por unanimidade pela Comissão Executiva Estadual após uma disputa interna com o ex-prefeito de Miguel Pereira André Português, que também buscava representar a legenda na eleição.
A definição ainda será formalizada na convenção partidária do próximo sábado, mas encerra meses de indefinição dentro do Republicanos.
Segundo o partido, a escolha levou em consideração pesquisas qualitativas e quantitativas encomendadas pela legenda.
Retorno após recuperação dos direitos políticos
A candidatura marca o retorno eleitoral de Garotinho depois da decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou, em março deste ano, sua condenação relacionada à Operação Chequinho.
Com isso, o ex-governador recuperou seus direitos políticos e voltou a ficar apto para disputar eleições.
Garotinho governou o Rio de Janeiro entre 1999 e 2002, período em que deixou o cargo para disputar a Presidência da República pelo PSB. Naquela eleição, terminou em terceiro lugar, com cerca de 15 milhões de votos.
Antes disso, havia sido prefeito de Campos dos Goytacazes por dois mandatos e também exerceu os cargos de secretário estadual de Governo, secretário de Segurança Pública e deputado federal.
Após deixar o Palácio Guanabara, voltou a disputar o governo em outras oportunidades. Em 2014 terminou em terceiro lugar e, em 2018, teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral.
Cenário eleitoral começa a ganhar forma
As duas definições ampliam o quadro da sucessão estadual e consolidam os primeiros movimentos das principais forças políticas fluminenses.
Enquanto Eduardo Paes chega à disputa apoiado por uma ampla aliança que reúne partidos do centro e da esquerda, incluindo PT, MDB, PSB, PDT, Podemos, Solidariedade, PSDB, PV e PCdoB, Anthony Garotinho reaparece como representante do Republicanos após recuperar sua elegibilidade.
O cenário também reflete a reorganização do campo conservador. O principal nome apoiado pelo PL, o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, ainda enfrenta dificuldades na composição de sua chapa após a desistência do ex-prefeito Rogério Lisboa de ocupar a vaga de vice.
Com as convenções avançando ao longo das próximas semanas, a disputa pelo governo fluminense entra oficialmente em sua fase decisiva, definindo alianças, chapas proporcionais e estratégias para uma campanha que deve ter como temas centrais segurança pública, mobilidade urbana, crise fiscal, combate ao crime organizado e recuperação econômica do estado.

