A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciou uma nova etapa do processo de privatização do transporte sobre trilhos em São Paulo com a transferência da operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Expresso Aeroporto, para a concessionária Trivia Trens. A mudança integra o programa de concessões do Governo de São Paulo da Tarcísio de Freitas e prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões ao longo de 25 anos, com promessas de “modernização” da infraestrutura, ampliação da rede e melhorias operacionais. Leia em TVT News.
Com a mudança, a Trivia passa a ser responsável pela circulação dos trens, manutenção das composições, conservação das estações e da infraestrutura ferroviária. A transferência, porém, não será imediata. O processo ocorrerá de forma gradual até julho de 2027, período em que a concessionária atuará sob supervisão da CPTM durante cerca de um ano, permitindo uma transição entre as equipes e os sistemas de operação.
- Leia também: Nova regra sobre trabalho em feriados no comércio é oficializada; conheça setores afetados
Apesar da alteração na administração dos ramais, o valor da tarifa permanece sob responsabilidade do Governo de São Paulo. A passagem continua custando R$ 5,40, e o contrato de concessão impede que a empresa privada faça reajustes por iniciativa própria. Também foi estabelecido que parte da remuneração da concessionária dependerá da qualidade do serviço prestado, com metas de desempenho relacionadas à operação.
As linhas concedidas atendem parte significativa da Região Metropolitana de São Paulo. A Linha 11-Coral da CPTM liga Palmeiras-Barra Funda à estação Estudantes, em Mogi das Cruzes. A Linha 12-Safira conecta o Brás a Calmon Viana, em Poá. Já a Linha 13-Jade faz a ligação entre Engenheiro Goulart e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, além do serviço Expresso Aeroporto.
1 milhão de embarques ocorrem nessas linhas da CPTM em dias úteis

Juntos, os ramais concentram aproximadamente 1 milhão de embarques em dias úteis. Dados utilizados no contrato apontam que a Linha 11 responde pela maior demanda, com cerca de 622 mil passageiros por dia. A Linha 12 registra aproximadamente 360 mil embarques diários, enquanto a Linha 13 transporta pouco mais de 24 mil usuários em seu serviço regular. O Expresso Aeroporto também integra a concessão e complementa a ligação ferroviária com o terminal aeroportuário.
Entre os principais compromissos previstos no contrato estão investimentos na renovação da infraestrutura ferroviária. As intervenções incluem modernização dos trilhos, da rede elétrica, dos sistemas de sinalização, comunicação operacional e fornecimento de energia para as composições. A expectativa é aumentar a confiabilidade do sistema e reduzir falhas ao longo dos próximos anos.
A concessionária receberá inicialmente uma frota de 107 trens. O contrato também prevê a aquisição de novas composições para acompanhar o crescimento da demanda e as expansões planejadas para os ramais. A ampliação da frota faz parte das metas de aumento da capacidade operacional da rede.
Outro objetivo estabelecido é reduzir o intervalo entre os trens da Linha 11-Coral. Segundo o cronograma da concessão, a circulação poderá chegar a intervalos de até três minutos. Essa meta, no entanto, deverá ser alcançada apenas a partir do nono ano de vigência do contrato, após a conclusão das obras estruturais previstas.
Além da modernização, a concessão inclui projetos de expansão da malha ferroviária. A Linha 11 poderá ser prolongada até o distrito de Cezar de Souza, em Mogi das Cruzes. A Linha 12 deverá avançar até Suzano, enquanto a Linha 13 tem previsão de extensão até Bonsucesso, em Guarulhos.
Nem todas as obras, entretanto, possuem execução garantida. A implantação das futuras estações Pari, na Linha 11; União Vila Nova, na Linha 12; e Parque da Mooca-São Carlos, na Linha 13, dependerá de decisão posterior do Governo de São Paulo e da disponibilidade de recursos para execução dos projetos.
A concessão representa mais um passo na transferência da operação ferroviária paulista para empresas privadas. Com a mudança, a Linha 10-Turquesa passa a ser o único ramal da CPTM ainda administrado diretamente pela companhia estadual. As demais linhas metropolitanas já operam sob contratos de concessão firmados pelo governo paulista.
Sindicatos criticam privatização de linhas
O processo de privatização da CPTM tem sido alvo de debates entre especialistas, trabalhadores e entidades representativas dos usuários do transporte público. Defensores do modelo afirmam que a participação da iniciativa privada pode acelerar investimentos, modernizar a infraestrutura e ampliar a capacidade de atendimento.
Já sindicatos e movimentos ligados à mobilidade urbana questionam a transferência de um serviço público para empresas privadas e defendem que os investimentos poderiam ser realizados diretamente pelo Estado, mantendo a gestão pública do sistema.
Relembre problemas envolvendo a privatização do transporte público
>> Privatizações e mudanças na CPTM prejudicam passageiros de longa distância

