Trump anuncia tarifa de até 200% em medicamentos genéricos importados

Presidente dos Estados Unidos prevê tarifa de 100% em 2028, dobrando no ano seguinte
"Isso é feito para trazer de volta a produção de medicamentos genéricos para os Estados Unidos", disse. Foto: Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova etapa de sua política comercial ao confirmar que pretende impor tarifas de até 200% sobre medicamentos genéricos importados. A medida, divulgada nesta terça-feira (21) em publicação na rede Truth Social, estabelece um período de transição de dois anos com tarifa zero, seguido por uma alíquota de 100% a partir de agosto de 2028 e de 200% a partir de agosto de 2029. Saiba mais na TVT News.

O anúncio amplia a estratégia protecionista adotada pelo governo Trump para estimular a instalação de fábricas em solo norte-americano e reduzir a dependência de cadeias globais de produção. Segundo o presidente, as novas tarifas têm como objetivo “repatriar a produção de medicamentos genéricos para os Estados Unidos”, impondo penalidades às empresas que decidirem manter suas fábricas no exterior.

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“Isso é feito para trazer de volta a produção de medicamentos genéricos para os Estados Unidos, impondo uma penalidade às empresas que decidirem não construir fábricas e instalar equipamentos dentro do prazo estabelecido”, escreveu Trump.

A política estabelece que, a partir de 1º de agosto de 2026, os medicamentos genéricos continuarão entrando no mercado norte-americano sem cobrança adicional durante dois anos. Em agosto de 2028, a tarifa sobe para 100% durante um ano e, em agosto de 2029, passa para 200%.

Medida mira setor responsável por mais de 90% das prescrições

A iniciativa atinge um dos segmentos mais importantes do sistema de saúde dos Estados Unidos. Segundo a Food and Drug Administration (FDA), mais de 90% dos medicamentos vendidos no país são genéricos, responsáveis por grande parte das prescrições médicas devido ao menor custo em comparação aos remédios de marca.

Embora representem a maior parcela do consumo, boa parte desses medicamentos é produzida fora dos Estados Unidos. Estimativas da própria FDA apontam que cerca de 70% dos genéricos consumidos pelos americanos têm origem no exterior, principalmente em países com forte indústria farmacêutica.

Ao elevar progressivamente as tarifas, a Casa Branca pretende pressionar fabricantes multinacionais a transferirem linhas de produção para território americano.

Segundo Trump, empresas que optarem por construir fábricas e ampliar investimentos nos Estados Unidos poderão evitar as penalidades previstas no novo plano.

Medicamentos patenteados permanecem sob política atual

O presidente afirmou que a política para medicamentos patenteados, de marca ou inovadores permanecerá inalterada.

Em abril deste ano, Trump já havia determinado tarifas de até 100% sobre medicamentos de marca importados, oferecendo exceções para empresas que aceitassem reduzir preços por meio da política da chamada “nação mais favorecida” (most-favored nation) ou que ampliassem sua produção dentro dos Estados Unidos.

Essa política busca equiparar os preços pagos pelos consumidores norte-americanos aos valores praticados em outros países desenvolvidos, argumento utilizado pelo governo para pressionar as grandes farmacêuticas.

Além disso, fabricantes que anunciaram investimentos industriais no país passaram a contar com condições diferenciadas, incluindo tarifas reduzidas e prazos de adaptação.

Farmacêuticas negociaram acordos com Washington

Nos últimos meses, algumas das maiores empresas farmacêuticas do mundo negociaram acordos com o governo americano.

Companhias como Pfizer, AstraZeneca e Novo Nordisk anunciaram novos investimentos em instalações industriais nos Estados Unidos e aceitaram discutir reduções de preços para determinados medicamentos em troca da suspensão ou flexibilização das tarifas.

Segundo informações divulgadas anteriormente pela Casa Branca, fabricantes que ampliarem significativamente sua capacidade produtiva em território americano poderão solicitar períodos de adaptação com tarifas reduzidas antes da aplicação integral das novas alíquotas.

O governo também mantém mecanismos de exceção para medicamentos considerados estratégicos ou cuja produção doméstica ainda seja insuficiente para atender à demanda do mercado interno.

Indústria de genéricos reage com cautela

A Association for Accessible Medicines (AAM), entidade que representa fabricantes de medicamentos genéricos nos Estados Unidos, informou que ainda analisa os detalhes da proposta anunciada por Trump.

O diretor-executivo da associação, John Murphy, afirmou que o setor continuará defendendo políticas capazes de preservar tanto a estabilidade da indústria quanto o acesso da população a medicamentos de baixo custo.

Representantes do segmento avaliam que ainda será necessário esclarecer como ocorrerá a implementação das tarifas e quais produtos poderão ser enquadrados em eventuais exceções.

Especialistas também observam que uma transferência em larga escala da produção farmacêutica exige investimentos bilionários, mão de obra especializada e anos para construção e certificação de novas plantas industriais.

Tarifaço amplia estratégia comercial de Trump

O anúncio integra a política econômica baseada no aumento de tarifas de importação adotada por Trump desde o início de seu novo mandato.

Nas últimas semanas, o governo norte-americano anunciou novas barreiras comerciais sobre diferentes produtos importados, utilizando como justificativa a proteção da indústria nacional e a redução da dependência de fornecedores estrangeiros.

No caso dos medicamentos, entretanto, parte dos produtos permaneceu temporariamente isenta por serem considerados essenciais ao abastecimento do mercado americano ou por não haver produção suficiente dentro do país.

Entre as exceções recentes também estão determinados ingredientes farmacêuticos ativos e matérias-primas cuja taxação poderia provocar desabastecimento ou aumento significativo dos custos do sistema de saúde.

Com o novo cronograma anunciado por Trump, a indústria farmacêutica internacional terá pouco menos de dois anos para decidir entre ampliar investimentos nos Estados Unidos ou enfrentar tarifas que poderão dobrar o custo de entrada dos medicamentos genéricos no maior mercado farmacêutico do mundo. A medida também reforça o uso das tarifas como instrumento de política industrial e comercial, uma das principais marcas da estratégia econômica adotada pelo presidente norte-americano desde o retorno à Casa Branca.

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