Encontro empresarial Brasil-Coreia destaca expansão das relações comerciais entre países, em São Paulo

Mesa Redonda Empresarial Brasil-Coreia nesta terça (28) teve como foco a expansão das relações comerciais, tecnológicas e de investimentos entre os dois países
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Mesa Redonda Empresarial Brasil-Coreia nesta terça (28) teve como foco a expansão das relações comerciais, tecnológicas e de investimentos entre os dois países. Foto: Ricardo Stuckert

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participou da Mesa Redonda Empresarial Brasil-Coreia, nesta terça-feira, 28 de julho, em São Paulo (SP). O evento teve como foco a expansão das relações comerciais, tecnológicas e de investimentos entre os dois países. A iniciativa integra a programação da visita oficial do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, ao Brasil. Durante a reunião, foram assinados instrumentos de cooperação técnica e comercial entre as duas nações, destinados a impulsionar parcerias em inovação, transferência de tecnologia e atração de investimentos.

O encontro reuniu a delegação empresarial sul-coreana e lideranças brasileiras dos setores automotivo, de tecnologia, saúde, cosméticos e higiene, alimentos e indústria pesada. A programação dá continuidade às
tratativas bilaterais iniciadas durante a missão governamental brasileira a Seul, em fevereiro de 2026. Durante a mesa-redonda, foi destacado que a presença do presidente Lee no Brasil, cinco meses após a missão brasileira à Coreia do Sul, demonstra o ritmo que os dois países pretendem imprimir à relação bilateral.

Na segunda-feira, 27 de julho, em Brasília, Brasil e Coreia do Sul assinaram sete memorandos de cooperação nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes. Além disso, foi assinado um Comunicado Conjunto sobre minerais críticos.

COMÉRCIO BILATERAL — Durante o evento, foi destacado que o Brasil foi o primeiro país da América Latina a estabelecer relações diplomáticas com a Coreia do Sul, em 1959. Atualmente, o País abriga a maior comunidade coreana da América Latina, com cerca de 50 mil pessoas, concentradas na cidade de São Paulo.

Em 2025, o comércio bilateral entre os dois países atingiu US$ 10,8 bilhões. O estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) sul-coreano no Brasil soma US$ 8,9 bilhões. Considerando o total de investimentos, o
estoque de capital sul-coreano no País alcança cerca de US$ 11 bilhões, com mais de 120 empresas instaladas e quase 80% desse montante concentrado na indústria de transformação.

EIXOS — O Foro Empresarial foi organizado em torno de três eixos. O primeiro foi o de manufatura e infraestrutura. O Novo PAC e o programa de concessões ampliam as oportunidades nos setores de transportes,
energia, saneamento e portos. No setor naval e offshore, estaleiros sul-coreanos já constroem plataformas do pré-sal para a Petrobras. Durante o evento, foi destacada a intenção de ampliar essa relação para uma cooperação com conteúdo local, transferência de tecnologia e engenharia compartilhada.

O segundo eixo tratou das indústrias avançadas. A Coreia do Sul é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e líder na produção de memórias e baterias, enquanto o Brasil dispõe de reservas expressivas de minerais críticos. Durante o encontro, foi ressaltada a importância de ampliar a cooperação ao longo de toda a cadeia produtiva, incluindo processamento, industrialização e investimentos conjuntos. Nesse eixo, também foram debatidos temas como inteligência artificial e centros de dados. O Brasil conta com 88% de sua matriz
elétrica limpa e renovável, além de disponibilidade hídrica e estabilidade regulatória, fatores considerados estratégicos para a expansão da infraestrutura digital intensiva em energia.

Também foram destacadas oportunidades nos setores aeroespacial e de defesa. A Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro C-390, da Embraer, e, em setembro, está previsto o lançamento de um
foguete sul-coreano a partir do Centro Espacial de Alcântara.

O terceiro eixo abordou bens de consumo e distribuição. Durante o evento, foi destacado que a cultura coreana vem ampliando sua presença no Brasil, da estética ao entretenimento e à gastronomia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negocia com a autoridade reguladora sul-coreana a inclusão de cosméticos no memorando bilateral de regulação. Do lado brasileiro, a ApexBrasil identificou 280 oportunidades concretas para produtos nacionais no mercado sul-coreano.

No comércio agrícola, foi ressaltado que as economias dos dois países são complementares. O Brasil é o principal fornecedor de frango desossado, café em grão e celulose para a Coreia do Sul. Entre as prioridades brasileiras está a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina, além do avanço da cooperação em biocombustíveis. Também foi destacada a missão de inspeção sanitária da agência sul-coreana prevista para agosto. Além disso, o Brasil conta atualmente com mistura de 15% de biodiesel e 32% de etanol na gasolina.

MERCOSUL — Brasil e Coreia do Sul concordaram em anunciar, na próxima Cúpula do Mercosul, após a anuência dos demais Estados Partes, a retomada das negociações do Acordo Comercial Coreia do Sul-Mercosul. O anúncio será seguido da criação de um grupo de trabalho bilateral para examinar oportunidades comerciais e facilitar o
avanço das negociações.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou o vice-presidente Geraldo Alckmin para atuar, em conjunto com o Diretor de Política Nacional da República da Coreia, na identificação de formas práticas de ampliar a cooperação bilateral.

Durante o evento, o presidente da Coreia do Sul afirmou que há espaço para ampliar as possibilidades de cooperação entre os dois países, diante do potencial existente nas relações econômicas bilaterais. Lee Jae Myung destacou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Coreia do Sul na América do Sul e ressaltou o potencial brasileiro na produção de aeronaves cargueiras. Também destacou a capacidade da indústria de transformação sul-coreana e afirmou que a complementaridade entre as duas economias cria condições para elevar a cooperação bilateral a um novo patamar.

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