No Rio, presidente da República apresenta a infraestrutura do SUS ao diretor-geral da OMS

Lula participou de visita do diretor-geral da OMS ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro
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Lula participou de visita do diretor-geral da OMS ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta terça-feira, 28 de julho, de visita do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro (RJ). O encontro reafirmou o interesse da OMS no Sistema Único de Saúde (SUS) e em sua infraestrutura. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e ministros da Saúde estrangeiros também acompanharam a agenda.

O Hospital do Andaraí é uma unidade de média e alta complexidade que presta assistência hospitalar, ambulatorial e de emergência referenciada, incluindo atendimento Oncológico. O presidente da República e o comitê oficial da OMS visitaram a Unidade Móvel de Saúde da Mulher; o veículo de atendimento de urgência do SAMU; a Unidade Móvel Odontológica (UOM); o Laboratório de Prótese Dentária 3D; e o Centro de Radioterapia do Hospital Federal do Andaraí.

Os pontos e veículos visitados fazem parte de iniciativas estratégicas, programas de atendimento itinerante e reestruturações de unidades de média e alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

SUS – A comitiva conheceu a infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), que foi criado pela Constituição Federal de 1988 para garantir acesso universal, integral e equitativo à saúde. O SUS possui 338 hospitais credenciados para diagnóstico e tratamento de câncer, por exemplo. E oferece 23 medicamentos para câncer, além de tratar 25 tipos da doença. São, no total, 114 mil pacientes beneficiados por ano. As carretas de saúde – 93 unidades móveis ativas – oferecem rastreamento oncológico a mulheres, com 240 mil pessoas atendidas. As mulheres são 80% do público atendido pelas carretas. Os pacientes oncológicos que vivem a mais de 50 km do local de saúde também têm direito a transporte em mais de 3,3 mil vans, micro-ônibus e ambulâncias.

Além da infraestrutura voltada ao atendimento oncológico, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, conheceu detalhes dos programas voltados à assistência odontológica, saúde da mulher e do Samu (atendimento de urgência e emergência).

HEPATITE B – A visita, que deu à comitiva internacional o acesso a instalações e dados atualizados sobre a assistência de saúde no país, foi marcada, ainda, pela entrega oficial do dossiê técnico que comprova o fim da transmissão da hepatite B de mãe para filho no Brasil. O documento foi concluído neste mês e, agora, será submetido à avaliação interna da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), à revisão de um comitê externo de especialistas e, posteriormente, à análise do Comitê Global de Validação da OMS.

CERTIFICAÇÃO — Para obter a certificação, a OPAS/OMS exige que os países mantenham os indicadores de cobertura vacinal por, no mínimo, dois anos consecutivos. No Brasil, a imunização contra a hepatite B nas primeiras horas de vida superou o parâmetro de 90%, alcançando 97% de cobertura em 2024 e 100% em 2025. A proteção continua durante a infância com a aplicação da vacina pentavalente, administrada aos 2, 4 e 6 meses de
idade.

Após receber, em dezembro de 2025, a certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV, o Brasil passou a trabalhar para obter o mesmo resultado em outras quatro doenças até 2030: hepatite B, sífilis, doença de Chagas e HTLV.

Em 2025, último ano completo com dados consolidados, a prevalência estimada foi de 0,0111% no Brasil. A modelagem matemática atualizada em 2026 confirma a manutenção desse resultado. Outro indicador considerado no processo é a cobertura do pré-natal, que deve alcançar, no mínimo, 95% das gestantes. No Brasil, esse percentual superou 98% em 2024 e 2025.

RESULTADOS — A eliminação da transmissão vertical da hepatite B resulta de uma rede de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento no SUS. A testagem para hepatite B é realizada durante o pré-natal, com teste na maternidade para gestantes que não o fizeram anteriormente. Quando necessário, o SUS oferece tratamento antiviral para reduzir o risco de transmissão durante a gravidez.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO — O SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B e tratamento para as hepatites B e C. A vacina contra a hepatite B está disponível para toda a população, com vacinação iniciada ao nascer e continuidade conforme o esquema previsto no Calendário Nacional de Vacinação. Pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto também podem receber a vacina.

Participaram da visita:

  • Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República;
  • Ricardo Couto de Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro (RJ);
  • Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro (RJ);
  • Cristina Lustemberg, ministra da Saúde Pública do Uruguai;
  • Leonardo Barchini, ministro da Educação;
  • Anielle Franco, ex-ministra da Igualdade Racial;
  • Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde;
  • Benedita da Silva, deputada federal;
  • Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) no Brasil;
  • Winnie Byanyima, diretora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas Sobre
    HIV/Aids (Unaids);
  • Rodrigo de Souza Prado, secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (RJ);
  • Ivison Valverde, diretor-geral do Hospital Federal do Andaraí.

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