A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (30) uma nova mudança no comando da comunicação. Leia em TVT News.
O publicitário Duda Lima foi escolhido para assumir a área no lugar de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer, que deixam a equipe após cerca de dois meses de atuação.
O anúncio foi feito pelo coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), por meio de nota oficial. No comunicado, Marinho agradeceu o trabalho dos dois marqueteiros e afirmou que suas contribuições foram importantes para a primeira fase da campanha.
“A campanha de Flávio Bolsonaro agradece e reconhece o excepcional trabalho desempenhado por Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. Suas contribuições foram importantíssimas e valiosas nessa etapa e marcaram um momento estratégico desta caminhada”, diz a nota.
Marinho também confirmou a chegada de Duda Lima, publicitário que comandou a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro à reeleição em 2022 e mantém proximidade com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Esta é a segunda troca no comando da comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro em apenas dois meses. Eduardo Fischer havia assumido a função no fim de maio, nos primeiros dias da repercussão do caso conhecido como “Dark Horse”.
A nova substituição ocorre em meio ao esforço da campanha para reorganizar sua estratégia de comunicação durante a corrida eleitoral.
Caso “BolsoMaster” ampliou desgaste da campanha de Flávio
A segunda troca no comando da comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro acontece após uma série de turbulências enfrentadas pelo senador desde o início da pré-campanha.
O principal episódio foi o caso que ficou conhecido como “BolsoMaster”, desencadeado pelo vazamento de áudios atribuídos a Flávio em conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As gravações repercutiram intensamente nas redes sociais e passaram a ocupar espaço central no debate político, provocando questionamentos sobre a relação entre o senador e o sistema financeiro.
Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque, o tema gerou cerca de 360 mil menções em apenas 24 horas, alcançando 8,6 milhões de interações nas plataformas digitais. O estudo aponta que a repercussão ultrapassou a bolha política e alcançou um público amplo, tornando-se um dos assuntos mais comentados do país naquele período.
A análise também mostrou que a narrativa crítica predominou nas redes. De acordo com o instituto, perfis identificados com a esquerda concentraram a maior parte das publicações, relacionando o episódio a críticas sobre a atuação da família Bolsonaro e sua proximidade com setores do mercado financeiro.
Ao mesmo tempo, influenciadores e apoiadores do campo conservador tiveram dificuldade para estabelecer uma narrativa alternativa capaz de reduzir o impacto da crise.
Outro fator apontado pelo levantamento foi o elevado índice de compartilhamento de conteúdos relacionados ao caso. Vídeos com trechos dos áudios, montagens e comentários circularam de forma acelerada em diferentes plataformas, ampliando o alcance da crise para além do ambiente político tradicional.

O episódio também passou a ser explorado por adversários de Flávio Bolsonaro, que incorporaram o tema ao discurso eleitoral.
Nos bastidores da campanha, a repercussão do caso aumentou a pressão por mudanças na estratégia de comunicação. Eduardo Fischer havia assumido o comando da área justamente no fim de maio, quando a crise começou a ganhar força.
Pouco mais de dois meses depois, ele e Alexandre Oltramari deixam a equipe, dando lugar ao publicitário Duda Lima, responsável pela campanha de Jair Bolsonaro à reeleição em 2022 e considerado um nome de confiança da direção nacional do PL.
A substituição ocorre em um momento em que a campanha busca reorganizar sua presença nas redes sociais e conter os efeitos de sucessivas crises de imagem.
A expectativa da direção do partido é que a experiência de Duda Lima na comunicação digital e em campanhas presidenciais contribua para recuperar o protagonismo da candidatura e enfrentar um ambiente de disputa cada vez mais marcado pela influência das plataformas digitais.